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Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

Lembra do apartamento de 10m²? A Vitacon não se arrepende, mas o plano mudou

Publicado 06/11/2026 • 09:07 | Atualizado há 22 minutos

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e com experiência nos principais veículos do Brasil. Além de comandar esta coluna, é analista de mercado nos principais programas do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

Em meados de 2022, um apartamento de 10 metros quadrados anunciado por R$ 200 mil causou frenesi no mercado imobiliário. Localizado a poucas quadras da estação Santa Cecília, no centro de São Paulo, o imóvel foi descrito como “o menor apartamento da América Latina”. A alcunha veio da própria construtora, a Vitacon.

Quatro anos se passaram desde a polêmica e quase uma década desde a construção do edifício VN Nova Higienópolis, que reúne outras 100 unidades de diferentes metragens. Questionado se faria novamente um empreendimento desse tipo, o CEO da Vitacon, Ariel Frankel, é direto: “Se eu pudesse, faria novamente.”

Apesar da polêmica, o empreendimento foi um sucesso comercial. Vendidas por R$ 99 mil cada, todas as unidades supercompactas foram comercializadas no mesmo fim de semana do lançamento, em 2017. O público-alvo foi atingido: investidores interessados em imóveis para locação de curta temporada em plataformas como o Airbnb.

Frankel diz que, hoje, construiria microapartamentos próximos a hospitais, voltados a pessoas com uma rotina corrida e que passam poucas horas em casa. “É o morador que fica oito horas na casa, sendo sete dormindo, e depois precisa ter uma facilidade”, afirma.

Essas facilidades incluem as comodidades oferecidas pelo condomínio, como cozinha compartilhada, coworking, academia, lavanderia coletiva e cinebar.

Mudanças no Plano Diretor e na Lei de Zoneamento, em 2023 e 2024, restringiram a construção de novos imóveis com essa metragem. As unidades destinadas à Habitação de Interesse Social (HIS), por exemplo, precisam ter pelo menos 12 metros quadrados.

A limitação não foi o principal motivo, mas acelerou um processo de reposicionamento da companhia. “Queremos mostrar que somos mais do que uma incorporadora e que não trabalhamos apenas com unidades pequenas”, afirma Frankel. “Em alguns bairros, nosso foco está em apartamentos de duas ou três suítes.”

Um desses empreendimentos fica em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. No bairro, a Vitacon firmou uma parceria com a Housi e vai construir um edifício com apartamentos de 67 a 138 metros quadrados. O diferencial está na atuação conjunta com a proptech, especializada na transformação digital do mercado imobiliário.

Batizado de Vitacon João Ramalho, o empreendimento contará com salão de beleza, salas de podcast, farmácia, ponto de recarga para carros elétricos, lavanderia, lounge para massagem e aromaterapia, lockers e assistência técnica de eletrodomésticos, entre outras facilidades.

A proposta também prevê a participação de outras marcas, que poderão oferecer serviços aos moradores. Entre as empresas com parcerias já confirmadas estão Uber, Bluma, Havanna e Lupo. A unidade mais barata, com 67 metros quadrados, dois dormitórios e uma vaga de garagem, tem preço inicial de R$ 1,36 milhão.

O que não mudou na Vitacon foi o perfil do cliente. A incorporadora continua concentrando suas vendas em investidores, responsáveis por cerca de 80% dos negócios. Frankel, no entanto, também destaca os chamados “compradores híbridos”: aqueles que pretendem usar o imóvel em algum momento, embora a geração de renda continue sendo o principal fator na decisão de compra.

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