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BC sinaliza freio no corte de juros diante de inflação pressionada e incerteza global, diz especialista
Publicado 30/04/2026 • 15:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 30/04/2026 • 15:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A mudança no tom do Banco Central ao cortar a taxa básica de juros indica um cenário mais desafiador para a inflação e maior cautela nos próximos passos da política monetária. A leitura é de Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, ao analisar o comunicado recente do Copom, que reduziu a Selic para 14,5%, mantendo o Brasil entre os países com os maiores juros reais do mundo.
Em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (30), ele disse que o texto divulgado pela autoridade monetária reflete uma deterioração do cenário inflacionário. “Sem sombra de dúvida. Tudo mudou muito após o início do ciclo de cortes… a palavra do momento é ‘incerteza’”, afirmou. O especialista destaca que fatores externos alteraram as expectativas. “Os conflitos geopolíticos mudaram totalmente o radar”, pontuou.
Na avaliação de Santana, o Banco Central adotou um discurso mais rígido, mesmo mantendo o corte. “O comunicado foi mais duro: o Banco Central cortou a taxa, mas indicou que não sabe se continuará”, explicou. Ele ressalta que a continuidade do ciclo depende de variáveis externas. “Se os conflitos no Oriente Médio não cessarem e o barril de petróleo não arrefecer, dificilmente o ciclo de queda continuará”, destacou.
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Para o especialista, o rumo da política monetária brasileira está diretamente ligado ao ambiente global. “Exatamente. O mercado está olhando para lá”, disse, ao comentar a influência do Oriente Médio sobre as decisões do Copom.
Ele aponta que uma melhora no cenário externo pode destravar novos cortes. “Se houver um cessar-fogo e a abertura definitiva do Estreito de Ormuz… o ciclo continua”, afirmou. No entanto, o Banco Central mantém postura cautelosa. “A postura atual é: vamos cortar enquanto for possível, mas se os indicadores não mostrarem melhora, pausamos ou até voltamos a aumentar os juros lá na frente”, ressaltou.
Apesar do cenário adverso, Santana avalia que ainda há margem para redução da taxa básica. “Sim, temos gordura. Hoje só perdemos para a Rússia”, disse, ao destacar o nível elevado dos juros no Brasil.
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Siga o Times | CNBCMesmo assim, ele ressalta que o ambiente mudou em relação às projeções anteriores. “Antes da virada do ano, a expectativa era fechar 2025 com juros a 12,5%; hoje, fechar a 14% já seria considerado um bom resultado”, pontuou.
O principal desafio, segundo ele, é evitar interrupções bruscas no ciclo de queda. “O importante é não ter que interromper o ciclo abruptamente”, frisou.
Na leitura do especialista, o Copom optou por ganhar tempo diante das incertezas. “Exato. Ele espera pelos indicadores”, afirmou, citando dados como IPCA, IPCA-15, emprego, crescimento e Relatório Focus.
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Ele alerta que decisões precipitadas podem gerar efeitos negativos. “Não dá para reduzir os juros na ‘canetada’ no momento errado, pois as consequências seriam piores”, explicou.
Com o cenário externo ainda instável, a expectativa é de cautela. “Agora é acompanhar essa ‘novela’ geopolítica… o mercado segue estressado”, concluiu.
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