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Publicado 28/05/2026 • 08:15 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
Foto: Lyon Santos/MDS
Bolsa Família acumula fila de 3,2 milhões por falta de verba; entenda o cenário
A fila de espera do Programa Bolsa Família chegou a 2,8 milhões de pessoas no início de 2025. A situação ocorre em meio à redução de recursos previstos para o programa neste ano e reacende o debate sobre a capacidade do governo federal de atender famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
De acordo com o levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) com base em dados do Cadastro Único, cerca de 1,9 milhão de famílias já possuem perfil para receber o benefício, mas seguem fora da folha de pagamento do programa.
O estudo aponta que a demanda reprimida cresceu nos últimos anos e atingiu o pico no fim de 2023, quando mais de 3,4 milhões de pessoas aguardavam acesso ao Bolsa Família.
O orçamento do Bolsa Família teve queda em 2025 após dois anos de expansão. A Lei Orçamentária Anual prevê R$ 159,5 bilhões para o programa neste ano, valor inferior ao registrado em 2024, quando os recursos ultrapassaram R$ 169 bilhões.
Leia mais: Congresso aprova crédito de R$ 42 bi para Previdência e Bolsa Família.
Além da redução inicial, o governo federal também anunciou um bloqueio adicional de R$ 7,7 bilhões no orçamento do programa. A justificativa apresentada foi a revisão cadastral e o ajuste de benefícios considerados irregulares.
Na avaliação da CNM, porém, a diminuição de recursos pode ampliar a fila de espera, já que famílias deixam o programa, mas novos beneficiários não conseguem entrar na mesma proporção.
Segundo o levantamento, para zerar a demanda reprimida atual seriam necessários aproximadamente R$ 15,5 bilhões por ano adicionais no orçamento federal. O cálculo considera o valor médio pago às famílias em março deste ano, de R$ 668,65 mensais.
O estudo revela que quase metade das pessoas que aguardam o benefício está concentrada na região Sudeste. São Paulo aparece no topo da lista, com cerca de 551 mil pessoas na fila. Em seguida estão Rio de Janeiro, com 549 mil, e Bahia, com quase 198 mil.
No recorte regional, o Sudeste concentra 45% da demanda reprimida nacional. O Nordeste aparece em seguida, com 25%. Já os menores volumes foram registrados em Roraima, Acre e Rondônia.
| Estado | Pessoas na fila | Famílias na fila |
|---|---|---|
| São Paulo (SP) | 551,5 mil | 362,3 mil |
| Rio de Janeiro (RJ) | 549,2 mil | 368,4 mil |
| Bahia (BA) | 197,6 mil | 158,5 mil |
| Rio Grande do Sul (RS) | 153,2 mil | 105,1 mil |
| Minas Gerais (MG) | 150,5 mil | 107,6 mil |
| Pará (PA) | 146,4 mil | 91 mil |
| Pernambuco (PE) | 144,1 mil | 116,1 mil |
| Ceará (CE) | 118,2 mil | 82,7 mil |
| Amazonas (AM) | 102,3 mil | 57,4 mil |
O número de beneficiários do Bolsa Família cresceu fortemente entre 2022 e 2023. Naquele período, o programa passou de 19,2 milhões para 21,3 milhões de famílias atendidas.
Parte desse avanço foi atribuída ao aumento da população em vulnerabilidade social e também ao crescimento dos cadastros unipessoais, compostos por apenas um integrante.
Leia mais: Entenda as possíveis mudanças Bolsa Família e salário mínimo aprovadas na Câmara.
Para conter possíveis irregularidades, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social criou novas regras em 2023, limitando o percentual de famílias unipessoais no programa.
Após a medida e os processos de averiguação cadastral, quase 1 milhão de famílias deixaram de receber o benefício entre 2023 e 2025. Mesmo com a redução de beneficiários, a fila de espera permaneceu elevada.
Outro ponto de preocupação apontado pela CNM envolve os recursos destinados aos municípios para gestão do Cadastro Único e do Bolsa Família.
Uma portaria do governo federal reduziu o valor pago por cadastro realizado, passando de R$ 4 para R$ 3,25. Segundo a entidade, o repasse ajuda a financiar ações como busca ativa, atualização de dados e fiscalização cadastral.
A confederação afirma que a diminuição dos recursos acontece justamente em um momento de aumento da demanda por atendimento social nas cidades.
Com milhões de pessoas fora do Bolsa Família, mesmo preenchendo os critérios exigidos, prefeitos e gestores municipais relatam aumento da pressão sobre serviços públicos de assistência social.
A CNM avalia que a demora na inclusão dessas famílias enfraquece a política nacional de combate à pobreza e transfere aos municípios parte da responsabilidade pelo acolhimento da população vulnerável.
Leia mais: Bolsa Família libera mais de R$ 1,4 bilhão em SP; veja valores e quem recebe primeiro.
Atualmente, o Bolsa Família atende cerca de 20,5 milhões de famílias em todo o país, alcançando mais de 53,8 milhões de pessoas.
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