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Economia Brasileira

Classificação de PCC e CV como terroristas pode elevar custos e afastar investimentos do Brasil

Publicado 29/05/2026 • 20:37 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Ricardo Balistiero avalia que empresas e instituições financeiras terão de reforçar mecanismos de compliance, monitoramento e auditoria para evitar possíveis sanções internacionais.
  • O economista afirma que experiências semelhantes em outros países indicam potencial redução do investimento estrangeiro direto, com retrações próximas de 10% em alguns casos.
  • Além dos impactos econômicos, Balistiero vê riscos para o turismo e para a cooperação internacional em investigações financeiras, argumentando que o Brasil pode se tornar “mais caro para se fazer negócio”.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode elevar custos para empresas brasileiras, aumentar exigências regulatórias e afetar setores estratégicos da economia, na avaliação de Ricardo Balistiero, economista e professor do Núcleo de Negócios do Instituto Mauá de Tecnologia.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista afirmou que a medida cria um cenário de maior risco para instituições financeiras, empresas de logística, plataformas de tecnologia financeira, postos de combustíveis e outros segmentos que, ainda que indiretamente, possam manter relações comerciais com empresas posteriormente vinculadas às facções criminosas.

Segundo Balistiero, a classificação amplia o alcance de sanções internacionais e exige que bancos e companhias reforcem mecanismos de compliance e monitoramento de operações para evitar possíveis penalidades.

“Os bancos devem mobilizar muito seus setores de compliance para poder escrutinar com quem estão fazendo negócios, para quem estão emprestando dinheiro, de quem estão guardando dinheiro, sob o risco de sofrerem sanções internacionais muito fortes”, afirmou.

Na avaliação do economista, o impacto não deve se limitar ao sistema financeiro. Ele argumenta que empresas estrangeiras podem passar a adotar processos mais rigorosos de auditoria, análise de riscos e verificação de parceiros comerciais antes de investir ou ampliar operações no Brasil.

Balistiero citou estudos sobre países que enfrentaram medidas semelhantes e afirmou que os investimentos estrangeiros diretos podem sofrer retração. Segundo ele, a literatura internacional aponta quedas próximas de 10% em alguns casos.

“O Brasil passa a ser um país mais caro para se fazer negócio”, disse.

O especialista também apontou possíveis reflexos para o setor de turismo. Segundo ele, alertas de viagem emitidos por governos estrangeiros podem reforçar a percepção de insegurança e afetar a imagem do país no exterior.

Outro ponto destacado por Balistiero envolve o rastreamento de recursos ilícitos. Para ele, a classificação como organizações terroristas pode não facilitar necessariamente o combate ao crime organizado. O economista argumenta que a medida pode reduzir a cooperação entre autoridades brasileiras e americanas em determinadas investigações financeiras.

“Os órgãos de controle mostram que essa cooperação pode ser prejudicada”, afirmou.

Além dos efeitos econômicos, Balistiero avaliou que a decisão está ligada às prioridades da política externa do presidente Donald Trump. Segundo ele, a medida atende a compromissos assumidos durante a campanha presidencial americana e está voltada à defesa dos interesses dos Estados Unidos.

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Embora reconheça que ainda faltam detalhes sobre a implementação da medida, que entra em vigor em 5 de junho, o economista avalia que o principal efeito imediato será o aumento dos custos regulatórios e da percepção de risco para empresas que operam no mercado brasileiro.

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