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Juros maiores nos EUA podem tirar força do Ibovespa e pressionar o real
Publicado 04/09/2026 • 17:04 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 04/09/2026 • 17:04 | Atualizado há 1 dia
KEY POINTS
A surpresa positiva do mercado de trabalho dos Estados Unidos pode fortalecer o dólar, pressionar o real e reduzir o interesse de investidores estrangeiros pela Bolsa brasileira, afirmou Michael Viriato, estrategista da Casa do Investidor. Para ele, a combinação de crescimento americano mais forte com juros elevados aumenta a capacidade dos Estados Unidos de atrair capital global.
Em entrevista nesta sexta-feira (4) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Viriato destacou que o payroll surpreendeu não apenas pela criação de empregos acima das projeções, mas também pela revisão positiva do resultado do mês anterior.
“Não só esse número foi positivo, como o número anterior também foi positivo. Isso leva consequências para juros, moeda e Bolsa”, afirmou.
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Segundo Viriato, as projeções coletadas antes da divulgação indicavam uma criação de vagas significativamente menor, e até mesmo as estimativas mais otimistas ficaram abaixo do resultado efetivamente apresentado.
O estrategista ressaltou que a revisão do dado anterior também tornou o quadro do emprego mais robusto. O número que inicialmente havia indicado destruição de vagas foi alterado para uma criação superior a 20 mil postos de trabalho.
“Não só o número divulgado agora foi surpreendente, ou seja, ele foi superior à faixa máxima de expectativa”, destacou Viriato.
Com o mercado de trabalho resistente, a atenção do Federal Reserve (Fed) tende a ficar ainda mais concentrada na inflação. Para Viriato, a autoridade monetária americana encontra menos motivos para estimular a atividade enquanto a geração de empregos permanece forte.
“A gente está vendo que nessa parte de crescimento está razoavelmente bem, porque a criação de vagas está muito bem. Então resta ele olhar para a inflação e, no quesito inflação, o dever de casa precisa ser feito”, explicou.
O estrategista também comentou a pressão do presidente Donald Trump por juros menores, ressaltando que governantes naturalmente têm incentivos para defender uma política monetária mais expansionista por seus efeitos sobre a atividade.
“O presidente do país, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, sempre vai ter todo o incentivo de trazer o Banco Central a reduzir juros, porque isso promove crescimento, diminui o custo de capital das empresas”, afirmou.
Para o Brasil, Viriato identifica dois movimentos capazes de favorecer a moeda americana. O primeiro está relacionado ao desempenho da economia dos Estados Unidos, já que uma atividade mais forte aumenta a atratividade do país para investidores internacionais.
“Aquele país está crescendo mais forte, ele atrai recursos do mundo inteiro. Por incrível que pareça, embora o Brasil seja um país emergente, os Estados Unidos estão crescendo mais forte que o Brasil”, apontou.
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O segundo fator são os próprios juros. Se a inflação continuar pressionada e o Fed precisar manter ou elevar as taxas, os ativos americanos passam a oferecer retornos mais atraentes ao capital internacional.
“Você tem dois aspectos importantes lá nos Estados Unidos: o crescimento maior, atraindo recursos, e também juros melhores, que também atraem recursos. Então isso favorece a moeda americana a ficar mais forte”, explicou Viriato.
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Siga o Times | CNBCNesse cenário, o movimento poderia resultar em pressão sobre o real, principalmente se parte dos recursos hoje direcionados aos mercados emergentes retornar aos Estados Unidos.
Ao analisar a recente valorização do Ibovespa, Viriato destacou a importância das mudanças no fluxo internacional de recursos ao longo do ano. Segundo ele, no início de 2026 houve uma forte entrada de capital estrangeiro no Brasil, em meio à busca dos investidores por diversificação.
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“Os investidores começaram a diversificar recursos e trouxeram recursos para o Brasil. Houve entrada de capital muito forte até meados de abril, muito relevante, por volta de R$ 70 bilhões”, ressaltou.
Parte do interesse esteve ligada aos ativos de commodities, favorecidos pela alta do petróleo provocada pela guerra com o Irã. Posteriormente, com as expectativas de redução das tensões e a recuperação do interesse pelas empresas americanas de tecnologia, esse movimento perdeu força.
A dinâmica voltou a mudar no fim de agosto. De acordo com Viriato, mais de R$ 20 bilhões de investidores estrangeiros haviam deixado o mercado brasileiro até 20 de agosto, mas, nos últimos dias do mês, houve uma reversão parcial.
“Só no finalzinho de agosto, ou seja, do dia 20 para cá, teve entrada de R$ 7 bilhões de investidores estrangeiros. Isso porque foi uma rotação”, explicou.
A surpresa com o payroll, entretanto, pode novamente alterar essa distribuição global de recursos. Caso volte a ganhar força a expectativa de juros americanos mais altos, Viriato avalia que ativos ligados a commodities e mercados como o brasileiro podem perder parte do apelo conquistado recentemente.
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“Agora pode ser que justamente volte esse trade de preocupação com juros, preocupação com aumento dos juros”, afirmou.
Segundo o estrategista, esse cenário pode interromper parte do impulso observado recentemente no mercado acionário brasileiro. “Isso pode levar a nossa Bolsa a perder o interesse que ganhou agora nesses últimos 15 dias”, acrescentou.
No cenário doméstico, a Casa do Investidor trabalha com a perspectiva de que o Banco Central faça um corte na Selic na reunião de 17 de setembro. Atualmente, a taxa básica está em 14% ao ano.
Viriato ponderou que, depois dessa redução, a autoridade monetária pode interromper temporariamente o ciclo de flexibilização, em meio ao avanço do calendário eleitoral brasileiro.
“Possivelmente, o nosso juro termina o ano ou em 13,75% ou 13,50%”, projetou o estrategista.
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