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Exportações do Brasil aos EUA avançam em agosto, mas déficit comercial chega a R$ 4,23 bilhões

Publicado 04/09/2026 • 18:19 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em agosto, impulsionadas principalmente pela alta dos preços dos produtos vendidos ao país.
  • Apesar do avanço mensal, as vendas aos EUA acumulam queda de 9,7% entre janeiro e agosto, enquanto o déficit bilateral chegou a US$ 3,211 bilhões.
  • Governo afirma que ainda é cedo para identificar nos dados um redirecionamento de produtos brasileiros afetados pelas tarifas para outros mercados.

Agência Brasil

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, mas o avanço não impediu que o comércio entre os dois países registrasse déficit de US$ 824 milhões (R$ 4,23 bilhões) no período.

As vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 3,190 bilhões (R$ 16,36 bilhões), ante US$ 2,845 bilhões (R$ 14,59 bilhões) em agosto do ano passado, mês em que os Estados Unidos começaram a aplicar as primeiras tarifas sobre produtos do Brasil.

As importações de produtos americanos tiveram crescimento mais moderado, de 1,1%, passando de US$ 3,970 bilhões (R$ 20,37 bilhões) em agosto de 2025 para US$ 4,014 bilhões (R$ 20,59 bilhões) no mês passado.

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Alta dos preços impulsiona exportações

O avanço das exportações em agosto foi sustentado principalmente pelo encarecimento dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos, segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior.

“Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%”, afirmou Brandão durante coletiva sobre os dados da balança comercial de agosto.

Entre os produtos que apresentaram os maiores aumentos em valor absoluto estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café.

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Brandão ressaltou que aeronaves e carne bovina ficaram de fora das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

“Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo”, afirmou. Segundo ele, as variações refletem tanto os efeitos sobre mercadorias diretamente atingidas quanto as incertezas provocadas pelas medidas comerciais.

Pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi afetado pelas tarifas, de acordo com o diretor.

Exportações ainda caem no acumulado do ano

Apesar do crescimento registrado em agosto, o desempenho no acumulado de 2026 continua negativo. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 9,7%, para US$ 24,105 bilhões (R$ 123,66 bilhões).

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As importações provenientes do mercado americano também diminuíram, com queda de 8,6%, totalizando US$ 27,316 bilhões (R$ 140,13 bilhões).

Com isso, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 3,211 bilhões (R$ 16,47 bilhões) com os Estados Unidos nos primeiros oito meses do ano.

Segundo Brandão, as tarifas já podem ter influenciado o desempenho de agosto, uma vez que as novas cobranças começaram a vigorar no fim de julho. A comparação anual também ocorre diante de bases semelhantes, já que as primeiras tarifas adotadas em 2025 passaram a produzir efeitos a partir de agosto daquele ano.

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Governo ainda não identifica redirecionamento das vendas

O governo também considera prematuro concluir que empresas brasileiras estejam direcionando para outros países mercadorias que perderam espaço nos Estados Unidos após a imposição das tarifas.

Brandão argumentou que diferentes fatores vêm afetando simultaneamente o comércio internacional, dificultando a identificação isolada do impacto das medidas americanas. Entre eles, citou o conflito no Oriente Médio e a alta dos preços de derivados de combustíveis e fertilizantes, com reflexos sobre produtos agrícolas.

“No comércio internacional tem muitos ruídos acontecendo ao mesmo tempo, é bastante difícil isolar um efeito num período relativamente curto de tempo”, afirmou.

Para o diretor, será necessário observar um intervalo maior antes de determinar com segurança se houve mudança dos destinos das exportações brasileiras.

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“Nós precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento”, disse Brandão. Segundo ele, a migração para outros mercados é um comportamento esperado diante das barreiras comerciais, mas ainda não aparece de forma suficientemente clara nos dados disponíveis.

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