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Economia Brasileira

Saída de capital estrangeiro pressiona Bolsa brasileira em meio a incertezas eleitorais e comerciais

Publicado 14/08/2026 • 13:00 | Atualizado há 20 minutos

KEY POINTS

  • Bolsa brasileira passou por uma mudança de direção no fluxo de capital estrangeiro ao longo de 2026.
  • Depois de registrar entrada líquida de recursos nos quatro primeiros meses do ano, o mercado acionário passou a enfrentar retiradas mais intensas.
  • Movimento coincide com o aumento das incertezas políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

A Bolsa brasileira passou por uma mudança de direção no fluxo de capital estrangeiro ao longo de 2026. Depois de registrar entrada líquida de recursos nos quatro primeiros meses do ano, o mercado acionário passou a enfrentar retiradas mais intensas, em um movimento coincide com o aumento das incertezas políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Para Gustavo Pessoa, professor de economia e finanças da FGV, a reversão não está associada a uma deterioração específica dos fundamentos da economia brasileira, mas ao ambiente de incerteza provocado pelo calendário eleitoral e pelo aumento das tensões entre os dois países.

“Em períodos eleitorais, é comum que os investidores reduzam a exposição ao risco e adotem uma postura mais defensiva”, afirmou em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

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Incerteza ganha peso nas decisões

O professor avalia que a política comercial dos Estados Unidos tem contribuído para elevar a cautela dos investidores. Segundo ele, o principal problema não é apenas o impacto direto das tarifas sobre as exportações brasileiras, mas a dificuldade de prever como as medidas serão alteradas ao longo do tempo.

“A instabilidade dificulta decisões de longo prazo, porque o investidor não consegue estimar com segurança quais tarifas estarão vigentes e quais serão retiradas”, disse Pessoa.

Na avaliação do economista, a entrada de recursos observada no início do ano refletia, em parte, a expectativa de que as medidas comerciais sofreriam ajustes ou receberiam exceções. Com a permanência das incertezas, parte desse capital passou a deixar o mercado brasileiro.

A Bolsa de São Paulo também acaba sendo afetada por movimentos relacionados à América Latina. Por concentrar uma parcela relevante da negociação de ativos da região, o mercado brasileiro tende a reagir quando aumenta a percepção de risco sobre países latino-americanos.



Juros mantêm pressão sobre investimentos

Outro fator apontado pelo professor é o nível dos juros brasileiros. A taxa básica, em patamar elevado, reduz o incentivo à tomada de risco e aumenta a atratividade de aplicações de renda fixa.

Para Pessoa, os juros elevados afetam tanto as decisões dos investidores quanto a atividade das empresas listadas na Bolsa. O custo maior de financiamento pode limitar investimentos e reduzir o ritmo de expansão dos negócios.

“O mercado está em compasso de espera por sinais mais claros sobre a trajetória dos juros. No curto prazo, ainda não há indicação de uma queda expressiva”, afirmou.

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Esse cenário contribui para uma postura mais cautelosa entre os investidores, especialmente em um momento de maior volatilidade nos mercados internacionais.

Possível alta nos EUA pode ampliar saída

A política monetária americana é outro ponto de atenção. Caso o Federal Reserve aumente os juros, ativos dos Estados Unidos podem se tornar mais atrativos para investidores globais, favorecendo uma transferência de recursos para o mercado americano.

“O mercado financeiro dos Estados Unidos continua sendo uma referência global. Uma elevação dos juros pode estimular um fluxo adicional de recursos da Bolsa brasileira para ativos considerados mais seguros”, disse Pessoa.

Além de pressionar as ações, esse movimento poderia produzir efeitos sobre o câmbio brasileiro, aumentando a demanda por ativos denominados em dólar.

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Capital estrangeiro busca setores específicos

O professor também chama atenção para a composição do mercado acionário brasileiro. Segundo ele, a Bolsa local possui menor diversificação setorial em comparação com mercados desenvolvidos e tem forte presença de empresas ligadas a commodities.

Nesse contexto, parte do capital estrangeiro que chega ao país tem perfil mais voltado a operações de curto e médio prazo, aproveitando diferenças de preços e oportunidades específicas entre empresas.

Pessoa afirma que investidores interessados em setores com maior potencial de crescimento, como tecnologia e inteligência artificial, encontram mais alternativas no mercado americano.

“O mercado brasileiro tem uma participação relevante de empresas ligadas a commodities e outros setores tradicionais. Para quem busca exposição a segmentos tecnológicos com maior potencial de valorização, os Estados Unidos oferecem uma variedade maior de empresas”, afirmou.

A combinação entre juros elevados, incertezas sobre a política comercial americana e proximidade das eleições mantém o mercado brasileiro sob pressão, enquanto os investidores avaliam o risco de novas mudanças no cenário econômico e político.

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