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Economia aquecida, guerra no Irã e inflação devem frear queda dos juros, diz Gustavo Loyola após resultado de PIB
Publicado 29/05/2026 • 22:16 | Atualizado há 34 minutos
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Publicado 29/05/2026 • 22:16 | Atualizado há 34 minutos
KEY POINTS
A economia brasileira iniciou 2026 em ritmo mais forte do que o esperado. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre, resultado que, segundo o economista e ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, já era antecipado por indicadores divulgados nos meses anteriores.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Loyola afirmou que o avanço foi sustentado por uma combinação de fatores, com desempenho positivo dos setores de serviços, agropecuária e indústria. Para ele, o resultado deve levar analistas e instituições financeiras a revisarem para cima as projeções de crescimento para o ano.
“A economia continua relativamente aquecida”, afirmou. Segundo ele, a expectativa agora é que o PIB brasileiro encerre 2026 próximo de 2%, patamar considerado compatível com o atual potencial de crescimento do país.
Apesar do resultado positivo da atividade econômica, Loyola avalia que os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã já começam a afetar a economia brasileira, principalmente por meio da inflação.
De acordo com ele, o aumento dos preços do petróleo eleva custos para diversos setores produtivos, especialmente o agronegócio, que deverá enfrentar despesas maiores na próxima safra. Outros segmentos também sofrem com o encarecimento dos combustíveis e derivados.
Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, o impacto inflacionário reduz o espaço para cortes mais agressivos na taxa básica de juros.
“Os efeitos maiores vêm dessa combinação entre inflação e problemas de oferta em alguns segmentos importantes da cadeia produtiva brasileira”, disse.
Loyola também destacou que a desaceleração da economia global provocada pelo conflito tende a afetar a atividade econômica brasileira ao longo dos próximos meses.
O economista acredita que o Banco Central continuará reduzindo os juros ao longo do ano, mas em um ritmo mais lento do que o previsto anteriormente.
Segundo ele, além da pressão inflacionária associada ao cenário internacional, medidas adotadas pelo governo para estimular a atividade econômica também contribuem para dificultar o trabalho da autoridade monetária.
Entre os programas citados estão iniciativas de expansão do crédito e incentivo ao consumo, que ajudam a sustentar o crescimento econômico, mas podem aumentar as pressões sobre os preços. “Não vejo espaço para o Banco Central derrubar muito os juros”, afirmou.
Para Loyola, o cenário permanece cercado de incertezas, principalmente devido às constantes mudanças nas negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio.
Ao analisar o desempenho recente da economia brasileira, Loyola afirmou que o país parece ter consolidado um ritmo de crescimento próximo de 2% ao ano.
Segundo ele, fatores como a melhora do mercado de trabalho, os efeitos da reforma trabalhista, o avanço da digitalização da economia, o desempenho do agronegócio e as expectativas positivas em relação à reforma tributária ajudam a explicar esse patamar.
Ainda assim, o economista considera que o crescimento poderia ser maior caso o país convivesse com juros estruturalmente mais baixos. “O Brasil poderia ter uma taxa de crescimento maior, não fossem os juros elevados que temos aqui”, disse.
Loyola também chamou atenção para a trajetória das contas públicas. Segundo ele, o aumento contínuo do endividamento do governo permanece como um dos principais entraves para uma redução mais consistente dos juros.
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Seguir no GoogleNa avaliação do ex-presidente do Banco Central, a melhora do quadro fiscal é condição necessária para ampliar investimentos, estimular o consumo e sustentar o crescimento econômico no médio prazo. “A questão fiscal está longe de ser resolvida”, afirmou.
Questionado sobre as medidas adotadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre os consumidores, Loyola reconheceu que elas podem gerar alívio temporário, mas alertou para os custos associados à estratégia.
Segundo ele, os subsídios podem pressionar as contas públicas ou criar distorções no mercado de combustíveis, afetando investimentos do setor e até mesmo os resultados da Petrobras.
Para o economista, esse tipo de intervenção pode ser justificável em situações emergenciais e de curta duração, mas não deve se transformar em política permanente.
Loyola defendeu que o país amplie investimentos em combustíveis renováveis, como etanol e biodiesel, além de outras fontes de energia menos dependentes do petróleo.
“É uma solução de curtíssimo prazo, mas não deve ser a base de uma política de médio e longo prazo”, afirmou.
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