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Endividamento e juros altos já pressionam consumo e perspectivas da economia
Publicado 24/08/2026 • 21:55 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 21:55 | Atualizado há 1 hora
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O endividamento elevado das famílias, combinado aos juros altos, tornou-se um problema que já começa a afetar o consumo e as perspectivas da economia brasileira, segundo Silvio Campos Neto, sócio e economista sênior da Tendências Consultoria. Em entrevista nesta segunda-feira (24) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que a expansão da bancarização trouxe benefícios, mas também facilitou um crescimento muito rápido do crédito sem que houvesse avanço equivalente na educação financeira.
“O presidente do Banco Central tem razão ao apontar esses sinais de alerta no mercado de crédito”, afirmou Campos Neto, ao comentar as declarações de Gabriel Galípolo. Segundo o economista, os problemas não estão restritos às pessoas físicas e também aparecem entre empresas, inclusive de grande porte.
O cenário, avaliou, é especialmente delicado porque o endividamento cresceu nos últimos anos justamente antes de um período de juros elevados.
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Campos Neto considera positiva a ampliação do acesso da população aos serviços bancários, mas pondera que o movimento aconteceu em grande velocidade e sem a preparação necessária de parte dos novos consumidores.
“Há esse componente importante e positivo da inclusão bancária, mas, ao mesmo tempo, isso aconteceu de uma forma muito rápida, numa escala muito intensa e sem, talvez, a devida educação financeira”, explicou.
O resultado foi uma expansão acelerada das dívidas. “As pessoas acabaram sendo, de alguma forma, induzidas a aumentar muito rapidamente o seu endividamento e, no contexto atual de juros muito altos, isso acaba virando uma bola de neve”, afirmou.
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Segundo Campos Neto, os efeitos já aparecem no aumento da inadimplência e do comprometimento da renda das famílias. “Isso inclusive começa a bater já de forma mais clara no próprio consumo e nas perspectivas econômicas”, acrescentou.
Para o economista, uma melhora mais consistente passa principalmente pelo equilíbrio fiscal. “A cura, a melhora para isso, infelizmente é mais do mesmo: é o ajuste que nós precisamos fazer, principalmente nas contas públicas”, disse.
Esse movimento, segundo ele, permitiria que as taxas de juros de mercado recuassem mais rapidamente, proporcionando algum alívio tanto para consumidores quanto para empresas.
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A disseminação dos cartões acrescentou outra dimensão ao avanço da bancarização. Campos Neto destacou que a entrada de novos participantes no sistema financeiro, incluindo as fintechs, aumentou a concorrência e ampliou o acesso aos serviços.
“É importante, é positivo que as pessoas tenham mais acesso a esses mecanismos financeiros. Também é positiva a expansão das instituições via movimento de fintechs”, afirmou.
O problema, segundo ele, aparece quando consumidores passam a utilizar modalidades de financiamento muito caras sem controle adequado. “Muitos efetivamente entraram sem muito controle nisso, e agora é um problema grande que temos de excesso de endividamento e dívidas caríssimas, no caso do cartão de crédito”, explicou.
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Siga o Times | CNBCCampos Neto citou iniciativas governamentais, como o Desenrola, como instrumentos capazes de ajudar inicialmente famílias endividadas. Mas considera difícil resolver rapidamente o problema estrutural.
“As próprias pessoas vão ter que aprender na dor mesmo a lidar melhor com esse instrumento”, afirmou. Para ele, “o excesso de endividamento e a inadimplência no cartão de crédito causam um problema enorme”, especialmente diante das taxas de juros elevadas.
Ao analisar o câmbio, Campos Neto afirmou que os movimentos recentes do dólar refletem uma combinação de fatores internacionais e domésticos. Nos últimos dois meses, parte da pressão veio do exterior, com aumento da aversão ao risco, conflitos e receios sobre a trajetória dos juros americanos.
“O dólar ganhou um certo respiro lá fora e é uma moeda que vinha muito fragilizada nos últimos meses, mas teve essa fonte de recuperação”, afirmou.
Entre os fatores de atenção está a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) elevar novamente os juros. Campos Neto não espera uma alta na reunião de setembro, mas considera que o risco pode ganhar importância mais adiante.
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“Não creio que isso vá acontecer agora na próxima reunião, em setembro, mas é um risco que existe, até mais para o final do ano”, avaliou.
No Brasil, o economista destacou que a disputa eleitoral começa a ganhar peso crescente sobre os mercados. Segundo ele, a perspectiva de uma eleição apertada contribuiu recentemente para algum recuo da moeda americana.
“A volatilidade também começa a crescer com a questão eleitoral entrando em cena”, afirmou. O dólar, segundo Campos Neto, estava em torno de R$ 5,15, depois de ter sido negociado acima de R$ 5,20 poucos dias antes.
Para os próximos movimentos do câmbio, Campos Neto espera que os investidores continuem dividindo as atenções entre os acontecimentos internacionais e a evolução do ambiente político brasileiro.
Nos Estados Unidos, dados econômicos serão determinantes para calibrar as expectativas sobre os juros. “Quarta-feira tem um indicador de inflação que terá grande peso nos mercados”, destacou.
O economista também citou os conflitos internacionais e seus efeitos sobre a aversão ao risco e os preços do petróleo entre os fatores capazes de influenciar os ativos.
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No ambiente doméstico, porém, a proximidade das eleições tende a assumir um papel cada vez maior. “Aqui no Brasil, o fator eleitoral ganha cada vez mais espaço na avaliação das mesas dos analistas”, afirmou.
Segundo Campos Neto, o ponto central para o mercado será avaliar a perspectiva de ajuste ou ausência de ajuste na economia brasileira após a disputa eleitoral. É essa expectativa, concluiu, que deverá ocupar progressivamente a atenção dos investidores nos próximos meses.
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