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Títulos de dívida

Juros altos e vencimentos recordes aumentam desafio fiscal para 2027

Publicado 24/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Elevado volume de vencimentos da dívida pública previsto para 2027 intensifica a preocupação do mercado com a situação fiscal do país.
  • Cenário reforça a necessidade de medidas capazes de melhorar a composição da dívida e recuperar a confiança dos investidores.
  • Ambiente de juros elevados e o aumento da participação de papéis pós-fixados na dívida pública são fatores que elevam os riscos para os próximos anos.
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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo.

Precatórios fora da meta

O elevado volume de vencimentos da dívida pública previsto para 2027 intensifica a preocupação do mercado com a situação fiscal do país e amplia o desafio do Tesouro Nacional na administração dos títulos públicos. Com quase R$ 1,8 trilhão em compromissos a vencer no próximo ano, sendo cerca de R$ 1,1 trilhão em títulos atrelados à taxa Selic (LFTs).

A avaliação de especialistas é de que o cenário reforça a necessidade de medidas capazes de melhorar a composição da dívida e recuperar a confiança dos investidores.

Apesar de não haver, neste momento, dificuldades para financiar o governo, o ambiente de juros elevados e o aumento da participação de papéis pós-fixados na dívida pública são apontados como fatores que elevam os riscos para os próximos anos.

Leia também: Ajuste fiscal mal calibrado pode levar Brasil à recessão em 2027, diz Felipe Salto

Perfil da dívida preocupa especialistas

Segundo analistas, a participação dos títulos indexados à Selic está próxima de metade da dívida pública, patamar semelhante ao observado há cerca de duas décadas. A diferença é que o atual nível de endividamento é significativamente maior, enquanto a taxa básica de juros permanece elevada.

De acordo com o Valor Econômico, esse perfil torna a dívida mais sensível às decisões de política monetária, já que qualquer aumento da Selic impacta imediatamente o custo de financiamento do governo. Além disso, a emissão predominante de títulos pós-fixados reduz o espaço para ampliar a parcela de papéis prefixados e indexados à inflação, considerados importantes para alongar o prazo médio da dívida.

Concentração de vencimentos amplia desafio

Do total previsto para vencer em 2027, pouco mais da metade está concentrada no primeiro semestre. A predominância de LFTs entre esses vencimentos é vista como uma oportunidade para alterar a composição da dívida, desde que as condições de mercado permitam ao Tesouro substituir parte desses papéis por títulos de prazo mais longo.

Caso o ambiente permaneça adverso, porém, a tendência é que o governo continue recorrendo majoritariamente às emissões de títulos pós-fixados ou de prefixados com vencimentos mais curtos, estratégia que reduz o risco de pagar juros elevados por períodos prolongados, mas limita o avanço no alongamento da dívida.

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Ajuste fiscal é apontado como fator decisivo

Para economistas, a capacidade do Tesouro de melhorar o perfil da dívida depende, em grande medida, do fortalecimento da credibilidade da política fiscal. A avaliação é que um ajuste nas contas públicas poderia reduzir a percepção de risco, favorecer a queda dos juros e ampliar o interesse dos investidores por títulos de prazo mais longo.

Especialistas afirmam que a deterioração das contas públicas, somada ao crescimento da dívida e ao elevado gasto com juros, mantém o mercado atento ao risco de agravamento do cenário fiscal. Nesse contexto, defendem que medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas ganham importância independentemente do governo que assumir após as eleições.

Rolagem da dívida não é vista como risco imediato

Apesar das preocupações com a composição da dívida, analistas não identificam, por ora, risco iminente para a rolagem dos vencimentos. Um dos fatores que sustentam essa avaliação é o colchão de liquidez do Tesouro Nacional, considerado suficiente para cobrir mais de oito meses de necessidades de financiamento.

Além disso, o Tesouro dispõe de instrumentos para administrar períodos de maior volatilidade, como a recompra de títulos e ajustes no calendário de leilões, estratégias já utilizadas em momentos recentes.

Leia também: Durigan defende ajuste fiscal em ano eleitoral e mira resultados positivos nas contas públicas

Cenário dependerá de confiança e ambiente político

A proximidade das eleições também é apontada como um fator relevante para a percepção dos investidores. A sinalização de compromisso com o equilíbrio fiscal tende a influenciar diretamente o comportamento do mercado e o custo de financiamento da dívida pública.

A velocidade com que eventuais medidas fiscais forem apresentadas após o processo eleitoral, segundo analistas, poderá ser determinante para reduzir a volatilidade dos ativos brasileiros e criar condições para uma gestão mais favorável da dívida pública nos próximos anos.

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