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Economia Brasileira

Incertezas sobre eleições e contas públicas pesam mais que alívio externo, avalia Austin Rating

Publicado 16/06/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segundo Alex Agostini, da Austin Rating, a combinação de crescimento econômico, inflação e juros mais altos nas projeções do mercado evidencia os efeitos da expansão fiscal sobre a economia.
  • O economista avalia que investidores seguem cautelosos diante das incertezas sobre as eleições presidenciais e da falta de propostas mais claras para a política fiscal a partir de 2027.
  • Apesar dos riscos domésticos, o Brasil continua bem posicionado para atrair investimentos em áreas como inteligência artificial, data centers, transição energética e minerais críticos, embora uma nova valorização dos ativos deva ocorrer de forma mais moderada.

A queda do petróleo e as preocupações com o cenário fiscal e político brasileiro explicam por que o Ibovespa encerrou a sessão em baixa, mesmo em um dia de recuperação dos mercados internacionais, segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Agostini afirmou que o recuo das ações da Petrobras teve papel relevante no desempenho do índice, já que a estatal representa cerca de 12% da composição do Ibovespa. No entanto, ele destacou que os fatores domésticos foram além da movimentação do setor de energia.

“O ambiente externo parece que começa a ficar um pouco mais positivo com essa suspensão do conflito, mas, tirando isso, começa-se a avaliar os fundamentos da economia, que não são tão positivos assim”, afirmou.

O economista apontou que a revisão para cima das projeções de crescimento, inflação e juros no Boletim Focus reflete os efeitos da expansão fiscal sobre a atividade econômica. Segundo ele, o aumento dos gastos públicos ajuda a sustentar o crescimento, mas também alimenta pressões inflacionárias e mantém dúvidas sobre a trajetória das contas públicas.

Na avaliação de Agostini, a cautela dos investidores também está relacionada às incertezas em torno das eleições presidenciais e à ausência de propostas mais detalhadas para a política fiscal a partir de 2027. “Começa a pesar mais o ambiente eleitoral, ou seja, a dúvida de qual será o próximo ciclo econômico do próximo governo”, disse.

Sobre a Petrobras, o economista afirmou que ainda é difícil estimar o impacto de uma eventual queda adicional do petróleo sobre as ações da companhia. Além do comportamento da commodity, ele ressaltou que investidores estrangeiros continuam monitorando fatores como as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e o cenário político doméstico antes de ampliar posições no mercado brasileiro.

Em relação à política monetária, Agostini disse esperar manutenção dos juros nos Estados Unidos e um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Apesar do alívio proporcionado pela redução das tensões no Oriente Médio, ele avalia que a inflação de serviços continua elevada e deve seguir como uma preocupação para o Banco Central.

“O mercado de trabalho no Brasil segue aquecido e, para ter efeito, a política monetária precisa desacelerar a atividade econômica. Isso ainda não aconteceu”, afirmou.

Questionado sobre o fluxo internacional de recursos, Agostini avaliou que o Brasil continua bem posicionado para atrair investimentos ligados à transição energética, inteligência artificial, data centers e minerais críticos. No entanto, ponderou que as incertezas fiscais e eleitorais continuam limitando o potencial de valorização dos ativos brasileiros no curto prazo.

“Se a gente não tivesse esses dois pontos tão preocupantes em relação ao futuro, não há dúvida de que o Brasil seria um expoente entre os emergentes para investimentos”, concluiu.

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