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Inflação de serviços deve limitar novos cortes de juros neste ano
Publicado 26/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 26/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A inflação persistente no setor de serviços deve limitar o espaço para novos cortes de juros no Brasil, apesar do resultado melhor que o esperado do IPCA-15 de agosto, segundo Alexandre Chaia, gestor da Carmel Capital e professor do Insper. Para ele, o dado reforça a possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, mas a autoridade monetária tende a adotar maior cautela depois desse movimento.
Em entrevista nesta quarta-feira (26) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Chaia afirmou que a desaceleração da economia já começa a aparecer nos preços de energia, alimentos e produtos mais expostos à competição. “O número foi muito bom”, disse. Segundo ele, o resultado “só vai justificar que o Banco Central realmente faça mais um corte”.
O gestor ponderou, contudo, que o comportamento dos serviços impede uma leitura inteiramente favorável da inflação. “Eu ainda acho que o grande problema da inflação brasileira está no setor de serviço, que esse tem menos competição e esse é que tem mantido a inflação acima da meta”, afirmou.
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Na avaliação de Chaia, o mercado já incorporou a expectativa de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima decisão do Banco Central. Depois disso, porém, o ciclo de flexibilização monetária pode entrar em compasso de espera.
“A pressão ainda sobre serviço vai fazer o Banco Central ficar um pouco mais conservador nos próximos movimentos”, explicou. Para o gestor, “provavelmente deve ser a última queda de juros que ele vai fazer esse ano, esperando para ver como é que vai ser a eleição”.
Nos Estados Unidos, Chaia enxerga uma dinâmica diferente. Para ele, o enfraquecimento da atividade econômica reduz a necessidade de o Federal Reserve (Fed) voltar a elevar os juros neste ano.
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“A economia americana está começando a perder força, está começando a perder dinamismo, o que vai fazer com que não tenha pressão de inflação”, avaliou. Chaia acrescentou que considera “muito provável” que o Fed mantenha os juros no nível atual.
Segundo o professor do Insper, uma estabilização das políticas monetárias brasileira e americana ajudaria a diminuir parte das incertezas que cercam os mercados. “Diminuindo um pouco a tensão do ponto de vista da política monetária americana e na brasileira também, […] acho que isso vai fazer o mercado todo andar um pouco mais previsível”, afirmou.
Chaia também relacionou as perspectivas para a inflação americana ao comportamento do petróleo. Na leitura do gestor, o mercado não está necessariamente apostando em uma solução para o Estreito de Ormuz, mas percebe uma redução do risco de escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
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“Eu não acho que eles estão confiantes que vai ter uma solução, mas estão acreditando que realmente aquela intenção do Trump de escalar a guerra está perdendo força”, afirmou. Para ele, as dificuldades enfrentadas pela economia americana diminuem a possibilidade de Washington ampliar o confronto.
O gestor também não espera uma normalização completa de Ormuz no curto prazo. “Não vai voltar. Provavelmente o Irã vai usar isso como um poder de barganha”, disse. Ainda assim, Chaia avalia que uma contenção da guerra diminuiria o risco de novos ataques a refinarias e de restrições adicionais ao fluxo global de petróleo.
Outro foco de preocupação está nas taxas de juros americanas de longo prazo. Chaia atribui parte dessa pressão não apenas à situação fiscal dos Estados Unidos, mas também à crescente necessidade de financiamento das grandes companhias de tecnologia.
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“A inteligência artificial está consumindo muito caixa das grandes empresas que estão querendo desenvolver seus próprios chips, estão criando novas centrais e elas estão tomando crédito. Por isso que a taxa longa está subindo”, explicou.
Na avaliação do gestor, empresas que tradicionalmente eram grandes geradoras de caixa passaram a disputar recursos de longo prazo com o próprio governo americano. “Existe hoje uma competição muito grande de recursos de longo prazo entre o Tesouro americano, o governo americano e as empresas”, afirmou.
Por isso, Chaia não vê uma reversão simples da trajetória das taxas longas, mesmo diante das iniciativas do Tesouro. “Eu não vejo um caminho, apesar de toda a tentativa do Tesouro, de modificar essa trajetória, porque eu acho que as empresas vão continuar se endividando”, disse.
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Para o professor do Insper, os investimentos em inteligência artificial devem continuar absorvendo recursos enquanto as companhias enxergarem espaço para expansão da tecnologia. Esse movimento se soma, segundo ele, aos problemas fiscais americanos, à desaceleração econômica e aos gastos militares, ampliando a pressão sobre o financiamento de longo prazo nos Estados Unidos.
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