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Inflação pode abrir espaço para mais cortes de juros, mas cenário externo ameaça alívio
Publicado 26/08/2026 • 17:14 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/08/2026 • 17:14 | Atualizado há 1 hora
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A desaceleração da inflação pode abrir espaço para o Banco Central ampliar os cortes de juros, caso o petróleo permaneça mais estável e os combustíveis continuem exercendo menor pressão sobre os preços, segundo o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti. Para ele, porém, as incertezas geopolíticas ainda representam riscos para esse cenário, principalmente pelos possíveis efeitos sobre petróleo, alimentos e fertilizantes.
Em entrevista nesta quarta-feira (26) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Marcatti afirmou que o alívio observado na prévia da inflação pode ter continuidade, embora ainda seja difícil projetar uma queda mais acentuada até o fim do ano. “Acho que tem um pouco a ver já com essa desaceleração que a gente viu também no preço dos combustíveis”, explicou.
Segundo o economista, a trajetória do petróleo será determinante para saber até onde esse movimento poderá avançar. “Se o petróleo se mantiver mais estável, próximo da casa dos US$ 80 (R$ 412), é possível, sim, que essa inflação volte a ficar um pouco mais comportada”, afirmou. Nesse cenário, acrescentou, haveria espaço para o Banco Central “cortar mais juros do que está previsto hoje nas apostas do mercado”.
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A continuidade desse ambiente mais favorável, entretanto, depende de fatores que vão além da economia brasileira. Marcatti apontou a relação entre Estados Unidos e Irã, com os efeitos do conflito sobre o Estreito de Ormuz, como uma das principais fontes de incerteza.
O economista lembrou que a pressão sobre o petróleo já teve reflexos importantes sobre os preços. “O que mais afetou e vem mais afetando a inflação ao longo dos últimos meses foi o preço do combustível, por conta da guerra Estados Unidos e Irã”, disse.
Marcatti recordou ainda que o petróleo chegou à faixa de US$ 120 (R$ 618) em abril e posteriormente recuou, mas ponderou que o conflito continua sem uma solução definitiva. “Ele está nesse esquenta, esfria, fica morno. Agora, hoje, um pouquinho mais frio, mas estamos simplesmente passivos nessa disputa”, afirmou.
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Na avaliação do especialista, os riscos não estão concentrados apenas no Oriente Médio. Uma eventual escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia poderia atingir diretamente o agronegócio e os preços dos alimentos, inclusive por possíveis interrupções no fornecimento de fertilizantes.
“Passaríamos a falar de outros problemas que a gente já viu ali em 2021, afetando diretamente o agronegócio, alimentos, com interrupção de fornecimento de fertilizantes, esse tipo de coisa”, explicou. Marcatti também mencionou o aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá, após a imposição de tarifas.
Diante de tantos focos de instabilidade, o economista evita traçar uma trajetória linear para os preços. “A gente torce para uma crise, para um tema passar, mas rapidamente outros vão tomando conta do cenário. Então, fica muito difícil fazer uma previsão com clareza”, ressaltou.
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Siga o Times | CNBCAs incertezas externas se somam ao calendário político brasileiro. Para Marcatti, a proximidade das eleições exige uma postura mais defensiva dos investidores, especialmente porque a volatilidade pode afastar temporariamente os preços dos ativos de seus fundamentos.
“A gente ainda está na iminência das eleições aqui no Brasil, que por si só já é um momento de mais cautela, de manter calma, tentar aumentar liquidez”, afirmou. Segundo ele, períodos como esse também podem criar oportunidades para quem preserva recursos disponíveis para investir quando surgirem preços mais atraentes.
Essa estratégia, acrescentou, não se restringe ao mercado acionário. Marcatti vê possibilidades também na renda fixa, inclusive em alguns papéis de crédito privado negociados com deságio diante do aumento dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial de empresas.
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O economista, porém, recomenda evitar decisões precipitadas. “É tomar cuidado, obviamente, é não ir com sede ao pote, não achar que é o último cavalo que está passando selado. Acho que ainda vai ter muita oportunidade ao longo deste ano”, afirmou.
Entre as posições que vêm ganhando espaço nas recomendações da Veedha, Marcatti citou ativos ligados à inflação e aplicações pós-fixadas. A estratégia busca aproveitar o nível ainda elevado do CDI enquanto o mercado atravessa um período de incerteza.
“Alguns ativos de inflação já estão interessantes, aumentando o pós-fixado nas nossas recomendações, ainda se aproveitando desse carrego, ou seja, desse CDI acima de 14 para investir”, explicou.
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Marcatti também defendeu manter parte dos investimentos fora do Brasil. “Tem muita tese que a gente não consegue investir aqui no Brasil, que faz sentido nesse momento de mundo de tecnologia, de inteligência artificial”, disse. Segundo ele, uma parcela do patrimônio dolarizada também funciona como proteção em momentos de maior aversão global ao risco.
A cautela com o mercado brasileiro, segundo o economista, vem sendo adotada desde o início do ano, apesar de um período mais favorável no primeiro trimestre. “A gente se empolgou um pouquinho no primeiro trimestre porque o noticiário ficou um pouco esvaziado, o fluxo estrangeiro entrou forte até março, mas aí veio a guerra Estados Unidos e Irã”, lembrou.
Com a corrida eleitoral oficialmente em andamento, Marcatti acredita que os investidores devem permanecer preparados para mudanças rápidas de cenário. “O mercado indica, as pesquisas vão indicando já uma probabilidade maior para um lado do que para o outro, mas a gente conhece o histórico do Brasil, sabe que até o último dia vai passar muita água por baixo dessa ponte”, afirmou.
Para o economista, a volatilidade ainda deve acompanhar os mercados durante o processo eleitoral. “Eu acho que ainda vai ter muita emoção. Então, não podemos ficar desconectados”, concluiu.
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