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Economia Brasileira

Mercado de trabalho aquecido mantém pressão sobre inflação de serviços

Publicado 11/08/2026 • 15:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mercado de trabalho aquecido mantém a inflação de serviços pressionada e limita uma queda mais rápida dos juros, avalia César Bergo, economista e professor de Mercado Financeiro da UnB.
  • Incertezas fiscais e endividamento público também aumentam a cautela do mercado com a trajetória da Selic.
  • Alimentos podem aliviar a inflação, mas clima, petróleo e câmbio seguem como riscos para os preços.

A inflação de serviços deve continuar pressionada pelo mercado de trabalho aquecido e pela baixa capacidade ociosa da economia, o que limita o espaço para uma redução mais acelerada da taxa Selic, avalia César Bergo, economista e professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB).

Em entrevista nesta terça-feira (11) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Bergo afirmou que a resistência desse componente da inflação segue no radar do Banco Central, mesmo diante de sinais mais favoráveis em outros grupos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“O que acontece é que você tem um mercado de trabalho ainda aquecido. Isso faz com que haja uma pressão sobre a economia e pouca capacidade ociosa”, explicou. Segundo o economista, os núcleos de inflação também permanecem fortes, reforçando a necessidade de cautela na condução da política monetária.

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Fiscal aumenta cautela com os juros

Além do comportamento dos preços, Bergo destacou que a situação das contas públicas passou a pesar de forma relevante sobre as expectativas para os juros. Dados relacionados à política fiscal e ao endividamento público elevam a percepção de risco e podem exigir a manutenção de taxas mais altas por mais tempo.

“Isso leva ao mercado uma informação de que a taxa de juros deverá ser mantida elevada em função do prêmio pelo risco de uma questão fiscal”, afirmou.

O cenário ajuda a explicar a expectativa de continuidade de um ciclo mais cauteloso de flexibilização monetária. Mesmo com sinais de desaceleração da atividade e melhora nas projeções para a inflação, a persistência dos preços de serviços reduz o espaço para cortes mais intensos da Selic.

Alimentos trazem alívio, mas riscos permanecem

Bergo também chamou atenção para o comportamento da inflação inercial, caracterizada pela incorporação das expectativas às remarcações de preços.

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Segundo ele, os dados mais recentes do IPCA mostraram contribuição favorável dos alimentos, enquanto outros grupos continuaram exercendo pressão. Habitação foi afetada principalmente pelos custos de energia elétrica e pelos reajustes das tarifas de água e esgoto, enquanto o transporte aéreo também apresentou aumento de preços.

Por outro lado, os combustíveis vêm registrando queda. Ainda assim, as tensões geopolíticas e a volatilidade do petróleo e do câmbio permanecem como fatores de risco.

“A questão geopolítica não resolvida ainda pressiona também uma inflação mundial, não só no Brasil. Você tem o aspecto com relação ao mercado de petróleo, nós estamos vendo a volatilidade, a questão do dólar também”, disse.

Clima pode voltar a pressionar preços

Para os próximos meses, o economista avalia que uma nova safra pode favorecer os preços dos alimentos entre agosto e setembro. O comportamento do clima, porém, continua sendo uma variável relevante.

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Bergo citou aumentos recentes do leite e das frutas relacionados às condições climáticas e destacou os fenômenos registrados em regiões produtoras, como Rio Grande do Sul e Paraná.

Apesar das incertezas, o economista considera que a inflação começa a apresentar sinais de maior equilíbrio. A convergência, entretanto, deve continuar gradual.

“Essa inflação já parece que dá sinais de um equilíbrio”, avaliou Bergo. Para ele, embora a tendência seja de desaceleração, ainda será difícil levar a inflação para níveis significativamente mais baixos no curto prazo. “Dificilmente ela vai ficar abaixo de 5%”, concluiu.

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