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Economia Brasileira

IPCA-15 vem abaixo da expectativa, mas BC eleva para 79% chance de estourar meta de inflação em 2026

Publicado 25/06/2026 • 10:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O IPCA-15 acumulou uma alta de 4,80% em 12 meses.
  • Projeções do Banco Central indicam que a inflação acumulada em 12 meses deve se manter acima do teto da meta.
  • A autoridade monetária projeta que a variação anual some 4,81% em junho e julho, suba para 5,17% em agosto e arrefeça para 4,83% em setembro.
BC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,41% em junho, vindo abaixo da mediana de 0,44% estimada pelo mercado.

O intervalo das expectativas variava de um piso de 0,34% a um teto de 0,57%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acumulou uma alta de 4,80% em 12 meses — também abaixo da mediana projetada pelo mercado, que era de 4,83% (com estimativas entre 4,64% e 4,96%).

Chances de estouro de teto aumenta

Apesar desse alívio recente, as projeções de curto prazo do Banco Central indicam que a inflação acumulada em 12 meses deve se manter acima do limite superior de tolerância. A autoridade monetária projeta que a variação anual some 4,81% em junho e julho, suba para 5,17% em agosto e arrefeça para 4,83% em setembro. Para os meses isolados, o BC espera taxas de 0,32% em junho, 0,26% em julho, 0,23% em agosto e 0,16% em setembro, conforme dados divulgados no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre. A meta de inflação com a qual a entidade trabalha é entre 1,5% e 4,5% ao ano.

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Essa pressão persistente fez o Banco Central elevar drasticamente a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta de 4,50% em 2026: o risco saltou de 30% para 79%. Em contrapartida, a chance de o IPCA ficar abaixo do piso de 1,50% tornou-se nula, ante os 2% estimados no relatório de março. O pessimismo também avançou para 2027, cuja chance de superar o teto da meta foi revista de 19% para 28%, enquanto a probabilidade de ficar abaixo do piso recuou de 10% para 6%. Para 2028, o cenário é mais estável: o risco de estourar o teto oscilou de 17% para 16%, e a chance de ficar abaixo subiu de 11% para 12%.

O impacto do novo modelo de metas

A preocupação do BC ganha relevância com o novo modelo de meta contínua, que foi criado em 2025. Se o IPCA acumulado em 12 meses descumprir o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que a autoridade monetária perdeu o alvo. O centro da meta permanece em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Esse teto de 4,50% foi descumprido pela primeira vez sob o novo critério em julho do ano passado, quando o IBGE informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses. Na ocasião, o Banco Central publicou uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizando que esperava trazer a inflação de volta para o limite da meta apenas no fim do primeiro trimestre de 2026 — um objetivo que, diante do novo relatório, parece cada vez mais distante.

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