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Juros ficam em dois dígitos até 2028, prevê Gustavo Loyola, que vê risco fiscal alimentar bola de neve da dívida pública

Publicado 02/11/2026 • 06:49 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Loyola projeta juros em dois dígitos pelo menos até 2028 e descarta retorno ao patamar da pré-pandemia
  • Desequilíbrio fiscal cria círculo vicioso entre dívida pública, prêmio de risco e juros altos, segundo ex-presidente do BC
  • Banco Central sozinho não segura a economia e pressões por corte de juros tendem a aumentar sem ajuste fiscal
Gustavo Loyola

Elza Fiúza/ABr - Agência Brasil

Gustavo Loyola durante seminário

O ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola projeta que os juros no Brasil permanecerão em dois dígitos pelo menos até 2028, mesmo que surja espaço para reduzir a taxa Selic. Para ele, a situação das contas públicas e o avanço contínuo do endividamento do Estado pressionam a condução da política monetária.

Na avaliação do economista, esse quadro reduz o espaço para cortes e pode multiplicar o custo da dívida. A avaliação foi feita em episódio do videocast Stock Pickers, do InfoMoney, publicado no domingo (1), em conversa com o apresentador Lucas Collazo.

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Segundo ele, tentar estabilizar a economia apenas pela via monetária pode gerar o efeito contrário se não houver controle orçamentário. “Não adianta você ter uma situação fiscal horrível, terrível, e o Banco Central querer segurar a economia e o tranco todo na taxa de juros”, afirmou.

Juros altos alimentam bola de neve da dívida

Em seguida, o ex-presidente do BC descreveu o mecanismo. Ele afirmou que “se cria um círculo vicioso” em que os juros mais altos elevam a dívida pública, sem contrapartida no controle do resultado primário.

Com isso, o prêmio de risco aumenta, o mercado pede juros ainda maiores e o ciclo se repete. Na descrição de Loyola, o processo vira “uma bola de neve”.

Banco Central enfrenta pressão sem apoio fiscal

Além disso, o economista observa que o BC atua de forma mais isolada, enquanto as cobranças por cortes de juros tendem a se intensificar entre os agentes econômicos e no meio político.

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“Uma andorinha só não faz verão; o Banco Central sozinho não consegue segurar o tranco”, disse. Na visão dele, sem ajuste fiscal e com a economia mais fraca, as críticas à autoridade monetária não vão faltar. Caso o BC ceda a essas pressões, a situação tende a piorar.

Juros em dois dígitos até 2028 afastam patamar pré-pandemia

Por sua vez, a meta de inflação de 3%, o processo inflacionário global e o comportamento do câmbio afastam a perspectiva de alívio rápido. Segundo Loyola, mesmo que a desaceleração da atividade e o recuo das commodities ajudem a conter os preços, as taxas devem permanecer elevadas diante do avanço do prêmio de risco.

“Eu acredito que, mesmo que surja espaço para queda de juros, eu diria que ainda continuarão em dois dígitos pelo menos até 2028, no mínimo”, afirmou.

Ele também descartou a volta ao nível visto antes da crise sanitária. “Eu não vejo condição de voltar a um patamar de juros que nós tivemos, por exemplo, na pré-pandemia”, ressaltou.

Falta de engajamento político preocupa

Por fim, Loyola aponta a falta de engajamento da classe política na solução dos problemas fiscais como ameaça ao equilíbrio de longo prazo. De acordo com o economista, a visão de que as restrições orçamentárias são secundárias dificulta a aprovação de reformas e mantém o país em uma trajetória que ele considera perigosa.

“Acho que não é uma situação de se ter medo, não acho que o Brasil está diante de uma crise iminente do ponto de vista econômico, mas eu diria que nós estamos numa trajetória bastante perigosa”, alertou.

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