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Superquarta dá sinais de inflação persistente e mercado prevê novo aperto monetário
Publicado 17/06/2026 • 21:23 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/06/2026 • 21:23 | Atualizado há 1 hora
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Dólar e real
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), levando os juros básicos para 14,25% ao ano. Embora a decisão já fosse amplamente esperada pelo mercado, o comunicado que acompanhou o anúncio reforçou a percepção de que o Banco Central está próximo de encerrar o atual ciclo de flexibilização monetária.
A avaliação ganhou força após a autoridade monetária revisar para cima suas projeções de inflação e ampliar o conjunto de riscos para a trajetória dos preços. O documento destacou preocupações com estímulos à demanda, efeitos climáticos sobre a produção agrícola e energética e a retomada da atividade econômica, fatores que podem dificultar o retorno da inflação à meta.
Para Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, a mensagem transmitida pelo comitê sugere maior cautela para as próximas reuniões. “O Comitê mostrou a possibilidade de que o ciclo atual seja parado para garantir a suavização da convergência da inflação à meta”, afirmou.
A mudança também foi percebida por Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos. Na avaliação dele, o Copom elevou o nível de exigência para novas reduções ao incluir mais um fator de risco inflacionário em seu balanço. “Aumentou a probabilidade de manutenção da Selic estável na reunião de agosto”, disse.
O tom mais conservador ocorre mesmo após a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que haviam se intensificado nos últimos meses com o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Embora o avanço das negociações tenha contribuído para reduzir parte da pressão sobre os preços do petróleo, o Banco Central avaliou que a incerteza permanece elevada e que os impactos sobre a inflação ainda não podem ser considerados totalmente dissipados.
Para Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos, o alívio recente não foi suficiente para alterar a estratégia da autoridade monetária. “Mesmo com o acordo que abriu essa semana de paz entre Estados Unidos e Irã, isso não mudou a perspectiva”, afirmou. Segundo ela, a combinação entre atividade econômica resiliente, inflação acima do desejado e incertezas fiscais sustenta a necessidade de uma postura prudente por parte do Copom.
O cenário internacional também contribui para limitar o espaço para novos cortes de juros no Brasil. Horas antes da decisão do Copom, o Federal Reserve manteve os juros americanos inalterados, mas adotou uma comunicação considerada mais dura pelo mercado.
Em sua primeira reunião à frente do banco central americano, Kevin Warsh deu maior ênfase ao combate à inflação e reduziu as sinalizações explícitas sobre os próximos passos da política monetária. Além disso, as projeções divulgadas pelo Fed indicaram que parte relevante dos dirigentes continua enxergando a possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos.
Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart, a combinação entre o comunicado e as declarações de Warsh reforçou a percepção de uma postura monetária mais restritiva. “A maior ênfase no combate à inflação sugere que o Federal Reserve continuará adotando uma abordagem cautelosa antes de considerar um processo mais amplo de flexibilização monetária”, afirmou.
Para o Brasil, esse contexto representa um desafio adicional. Juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos ativos americanos e reduzem a margem de manobra de bancos centrais de países emergentes. Assim, embora o Copom tenha mantido o ciclo de cortes nesta reunião, o conjunto de sinais emitidos pela autoridade monetária sugere que o fim do processo de flexibilização pode estar próximo, à medida que a inflação permanece acima da meta e o ambiente global segue marcado por incertezas.
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