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Moody’s vê sistema bancário brasileiro estável apesar de eleição, crédito mais fraco e inadimplência elevada

Publicado 09/02/2026 • 13:00 | Atualizado há 8 meses

KEY POINTS

  • A Moody’s manteve a perspectiva estável para os bancos brasileiros, prevendo que lucros robustos compensarão o crescimento moderado.
  • O cenário eleitoral de 2026 e a manutenção dos juros em dois dígitos devem limitar a expansão do crédito e a confiança empresarial.
  • A inadimplência elevada, especialmente no agronegócio, será mitigada por provisões altas, liquidez sólida e foco em garantias.

A Moody’s manteve estável a perspectiva para o sistema bancário brasileiro nos próximos 12 a 18 meses. Segundo a agência, lucros e capital robustos devem compensar o crescimento econômico mais fraco e os riscos ainda elevados nos ativos.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país deve crescer cerca de 2,0% em 2026 e 2027, levemente abaixo dos 2,1% estimados para 2025. A inflação tende a convergir para a meta, mas a taxa básica de juros ainda deve permanecer em dois dígitos até o fim de 2026.

Ano eleitoral aumenta incertezas

As incertezas econômicas devem persistir ao longo de 2026, marcado por eleições presidenciais. O cenário tende a pressionar o ambiente operacional dos bancos, afetando a confiança empresarial e limitando a expansão do crédito.

A originação de empréstimos deve ficar ligeiramente abaixo dos níveis de 2025, enquanto os empréstimos em atraso (NPLs) continuarão elevados. Ainda assim, os altos níveis de provisões ajudam a mitigar parte do risco de crédito.

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Ambiente macroeconômico segue favorável, mas com crescimento lento

As condições macroeconômicas continuam favoráveis. A inflação estimada em torno de 4,3% em 2026 deve convergir para a meta, permitindo cortes graduais de juros.

O crescimento econômico, porém, seguirá moderado. O desemprego permanece baixo, em 5,2% (até novembro de 2025), mas a elevada carga fiscal e o cenário político devem prejudicar decisões de investimento de longo prazo.

Crédito pressionado por inadimplência e juros altos

A inadimplência continuará elevada em 2026, restringindo o crescimento do crédito. As novas concessões devem desacelerar, refletindo juros ainda altos e o endividamento de famílias e pequenas e médias empresas.

Os bancos seguirão priorizando empréstimos com garantias. Medidas recentes, como a isenção do imposto de renda para pessoas de baixa renda, tendem a sustentar parcialmente a capacidade de pagamento dos tomadores.

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A inadimplência no setor agrícola e em empresas menores seguirá pressionando as métricas de risco, somada ao impacto das regras do IFRS 9, que prolongam o prazo para baixa de créditos problemáticos.

Capitalização sólida e foco na rentabilidade

A geração interna de capital continuará fortalecendo os colchões regulatórios. Os bancos devem reter parte dos lucros para acompanhar a implementação das provisões baseadas no IFRS até 2028.

A rentabilidade deve permanecer estável, sustentada por controle rigoroso de custos. Com a queda gradual dos juros, os bancos devem intensificar o foco em receitas de tarifas, especialmente ligadas ao mercado de capitais.

Liquidez e captação seguem confortáveis

As condições de financiamento e liquidez permanecem sólidas. O avanço dos pagamentos eletrônicos impulsiona depósitos de baixo custo, ajudando a conter pressões sobre o funding. As recomposições no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não devem afetar a liquidez até 2026.

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Suporte governamental segue focado nos grandes bancos O suporte do governo a bancos sistemicamente importantes permanece elevado, com foco em grandes instituições. No entanto, a frágil situação fiscal do país limita a capacidade de apoio em um cenário de estresse mais severo.

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