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Classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA traz risco econômico ao Brasil
Publicado 29/05/2026 • 11:44 | Atualizado há 2 meses
Publicado 29/05/2026 • 11:44 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos pode afetar os investimentos estrangeiros no país.
Os grupos já eram consideradas facções criminosas pela legislação americana, o que trazia restrições de acesso ao mercado financeiro dos Estados Unidos. No entanto, o novo patamar, baseado na Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade, eleva drasticamente o nível de fiscalização e punição.
Leia também: Enquadramento de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA pode afetar PIB e dólar no Brasil
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (29), o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirmou que a nova classificação cria um ambiente de insegurança para investimentos no Brasil, já que investidores estrangeiros precisarão adotar processos de fiscalização mais rigorosos sobre fornecedores, sócios e parceiros antes de aportar capital no país.
“Por conta dessa nova classificação, há um risco maior para empresas brasileiras ou estrangeiras que invistam no Brasil, assim como para instituições financeiras que, mesmo sem intenção, mantenham contas ou realizem operações envolvendo essas entidades”, disse.
Segundo Barral, empresas que tenham qualquer tipo de relação com organizações enquadradas nessa categoria, ainda que sem conhecimento prévio, podem ser alvo de processos criminais e civis nos Estados Unidos.
“Isso gera um forte receio entre empresas desses países de manter relações comerciais com nações que tenham organizações classificadas como terroristas”, afirmou.
O especialista ainda reforça que estudos do FMI projetam impactos negativos de até 1,5% no PIB dos países que têm organizações consideradas terroristas em seu território.
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O especialista reforçou que um dos setores mais afetados pode ser o de infraestrutura, um dos mais dependentes de investimentos estrangeiros. O incipiente mercado de data centers também pode sofrer com a nova classificação e o afastamento de empresas interessadas.
“O Brasil está no momento hoje em que precisa de investimento estrangeiro por conta de infraestrutura, principalmente nos setores de data centers, portos e aeroportos. Para crescer, o país precisa de investimento externo. Então este sinal é muito negativo”, apontou.
Por fim, Barral destaca o exemplo do México, que teve organizações criminosas classificadas como terroristas em fevereiro de 2025 e sofreu prejuízos nos investimentos por parte de empresas norte-americanas. Muitas companhias com planos de se instalarem no país desistiram do investimento, além de o setor de turismo sofrer impactos negativos.
“Houve queda de investimento estrangeiro no México, aumento de burocracia para que as empresas mexicanas pudessem ter relação e exportar para os Estados Unidos e também no turismo, porque um dos efeitos é que empresas de seguro começam a cobrar mais para aqueles destinos”, concluiu.
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