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Raphael Coraccini

Ibovespa apanha de gigantes americanas e da renda fixa e despenca 30 mil pontos em 3 meses

Publicado 11/08/2026 • 20:31 | Atualizado há 2 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

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Foto: Getty Images

O Ibovespa desceu a ladeira depois de bater 198 mil pontos em abril e devolveu 30 mil pontos em apenas 3 meses. A queda acentuada desta terça-feira (11), de 2,50%, aos 167,8 mil pontos, é um dos sinais da tempestade perfeita que se abateu sobre o principal índice da bolsa brasileira. A bolsa brasileira tem perdido de lavada da renda fixa local e seus juros exorbitantes. Além disso, apanha também das ações das gigantes de tecnologia dos EUA e também não consegue fazer frente aos títulos de renda fixa privados dos Estados Unidos, que se mostram mais um imã do capital global.

Na última segunda-feira, os pesos-pesados dos EUA se reuniram para anunciar investimentos da ordem de US$ 500 bilhões e, inteligência artificial. A parte importante disso será captado via venda de títulos de empresas como Nvidia, Alphabet, Oracle, entre outras, com títulos que pagam até 7% ao ano, quase o dobro do rendimentos dos títulos de dívida do governo dos Estados Unidos. 

Isso tem ajudado a drenar dinheiro das bolsas pelo mundo, especialmente aquelas expostas ao preço das commodities. Quando as big techs sofriam na bolsa, logo no começo da guerra, o Ibovespa foi o principal beneficiário, absorvendo a maior parte do fluxo global. Agora, que o cenário é o oposto, o dinheiro está saindo da bolsa brasileira em direção aos ativos americanos. Com a saída de dólares, o câmbio também sentiu. Nesta terça, o real se desvalorizou quase 1%, com a moeda dos EUA fechando a R$ 5,16. 

Banco de investimento está desanimado com Ibov

O movimento negativo da bolsa no Brasil foi agravado pela saída de capital e realização de lucro depois da divulgação do relatório do JPMorgan, reduzindo a avaliação sobre o índice brasileiro. Anteriormente, o banco de investimento avaliava o Ibovespa como "overweight", que equivale à recomendação de "compra". Agora, a avaliação para o índice é "neutra". Isso ajudou a aumentar a desconfiança sobre os ativos brasileiros. 

Diante desse cenário negativo, há ainda o efeito pscicológico da perda de patamares de segurança do Ibovespa. A perda dos 170 mil pontos aumenta o mal-estar, causando o efeito manada de retirada de capital. Isso pode ser agravado se outras barreiras psicológicas foram rompidas, como o nível dos 165 mil pontos. 

Além disso, o cenário político brasileiro também apresenta componentes que assustam principalmente o investidor local. O governo faz um esforço para ao menos atrasar a aprovação de pautas-bomba no Congresso que poderiam aumentar a preocupação do mercado com relação à situação fiscal do país. 

Essa queda abrupta torna ainda maior o desconto das empresas brasileiras na bolsa de valores. Contudo, com o pouco dinheiro procurando destino, não adianta as companhias brasileiras se mostrarem demasiadamente baratas, é preciso que o capital global volte a ver valor nelas a ponto de justificar um retorno do dinheiro para a renda variável brasileira. 

E, nesse sentido, passa a ser uma luta inglória para as ações da bolsa brasileira competir com 1) juros a 14% no Brasil; 2) juros a 3,75% dos títulos públicos dos EUA; 3) ações e índices de tecnologia dos EUA; e 4) títulos privados do setor de inteligência artificial pagando quase 7% ao ano.

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