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Eleições nos EUA: maioria dos americanos duvida que Trump aceite eventual derrota
Publicado 03/11/2026 • 17:30 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 03/11/2026 • 17:30 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos acontecem nesta terça-feira (3) sob o temor de que o presidente Donald Trump volte a questionar a legitimidade do processo eleitoral caso o Partido Republicano seja derrotado.
Sete em cada dez americanos dizem não confiar que Trump aceitará os resultados se os republicanos perderem, segundo pesquisa do Washington Post, ABC News e Ipsos realizada entre 9 e 13 de outubro de 2026. A desconfiança também aparece dentro do próprio partido do presidente: 36% dos republicanos consultados disseram não acreditar que Trump reconheceria uma eventual derrota.
O Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC acompanha a votação diretamente dos Estados Unidos.
A preocupação ocorre em meio a disputas judiciais sobre regras eleitorais e a uma operação de monitoramento do Departamento de Justiça. A pasta programou o envio de cerca de mil monitores para acompanhar a votação e a contagem, na maior mobilização desse tipo já promovida pelo órgão.
Trump passou os últimos meses levantando suspeitas sobre o processo eleitoral e não se comprometeu de forma inequívoca a aceitar qualquer resultado, dizendo que o faria se a eleição fosse “honesta”.
Após perder a eleição presidencial de 2020 para Joe Biden, ele afirmou repetidamente, sem apresentar evidências que sustentassem a acusação, que houve fraude. Mais de 60 ações judiciais que buscavam contestar aquele resultado fracassaram.
Agora, questionamentos já chegaram aos tribunais antes mesmo da conclusão das midterms.
No Alasca, por exemplo, o Departamento de Justiça tentou impedir a certificação do resultado da eleição para o Senado caso o republicano Dan Sullivan fosse derrotado por margem estreita. A justificativa envolve a presença de outro candidato com nome semelhante, que, segundo a ação, poderia confundir eleitores. Um juiz rejeitou o pedido, e o governo recorreu.
Também houve disputas envolvendo votos pelo correio na Califórnia e iniciativas do governo federal relacionadas à identificação de possíveis eleitores não cidadãos. Tribunais bloquearam parte dessas medidas, apontando risco de interferência na autoridade dos estados para administrar as eleições.
O sistema americano é descentralizado. Cada estado possui regras próprias sobre votação antecipada, votos pelo correio, horários e procedimentos de apuração. Isso torna mais difícil sustentar uma acusação única de fraude generalizada em todo o país.
A margem das disputas será um dos fatores observados após o fechamento das urnas.
Uma eleição decidida por uma única cadeira no Senado ou por margens muito estreitas em estados específicos cria espaço maior para pedidos de recontagem e disputas judiciais. Já uma mudança mais ampla no mapa eleitoral torna mais difícil concentrar uma contestação em uma única corrida.
Os democratas chegam ao dia da eleição favorecidos para retomar a Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo Senado permanece mais incerta. Todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado estão em jogo.
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Siga o Times | CNBCOs republicanos entram na eleição controlando as duas Casas.
Pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira (2) mostrou a aprovação de Trump em 32%, perto da mínima registrada em seu atual mandato. No levantamento, 78% dos entrevistados classificaram o custo de vida como uma questão muito importante ou prioritária para o voto.
A alta dos preços e dos combustíveis, em meio à guerra com o Irã, também ganhou peso na reta final da campanha.
Na pesquisa Reuters/Ipsos, 46% dos eleitores registrados disseram preferir candidatos democratas para o Congresso, contra 38% que declararam preferência pelos republicanos. O levantamento não representa, porém, uma projeção direta do número de cadeiras, já que as eleições são definidas distrito a distrito e estado a estado.
Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca tende a perder cadeiras nas eleições de meio de mandato. Desde 1946, isso ocorreu na Câmara em 18 das 20 midterms realizadas.
Mais de 57 milhões de americanos já haviam votado antes desta terça-feira, número superior ao observado no mesmo período das eleições legislativas de 2022.
O avanço foi especialmente forte em estados com disputas competitivas pelo Senado.
O temor de contestação também ganha importância porque o resultado completo do Congresso pode demorar.
Embora projeções comecem a surgir nesta noite, algumas disputas devem levar dias para serem definidas, especialmente em estados com grande número de votos pelo correio ou eleições muito apertadas.
Em 2022, foram necessários quatro dias para definir o controle do Senado e oito para confirmar a maioria na Câmara.
Uma demora na apuração, portanto, faz parte do funcionamento normal do sistema americano e não significa irregularidade. Neste ano, porém, o intervalo entre o fechamento das urnas e a confirmação dos vencedores será acompanhado de perto diante das dúvidas sobre como Trump reagirá caso seu partido perca o controle de uma das Casas do Congresso.
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