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Crise em banco ligado ao presidente do Paraguai derruba chefe do BC e deixa 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro
Publicado 03/11/2026 • 18:13 | Atualizado há 41 minutos
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Publicado 03/11/2026 • 18:13 | Atualizado há 41 minutos
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Foto: AFP
O Banco Central do Paraguai interveio nesta terça-feira (3) no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país e ligado ao presidente Santiago Peña. Segundo a agência Associated Press (AP), a diretoria do banco central decidiu por unanimidade, na noite de segunda-feira (2), colocar a instituição em regime de resolução. Esse regime permite transferir os depósitos para outros bancos antes de liquidar o que sobrar da empresa. A medida foi tomada depois que o índice de solvência do Ueno, que compara o capital do banco com os riscos dos seus ativos, ficou abaixo da metade do mínimo exigido por lei.
O Ueno diz ter cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do Paraguai. O banco também administra entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo cerca de US$ 380 milhões do instituto estatal de previdência e saúde. O Ministério Público mandou prender oito pessoas, entre elas o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo, Federico Miguel Vázquez Villasanti, numa investigação por suspeita de gestão fraudulenta e de outros crimes. Até a tarde de terça (3), outros dois diretores tinham sido detidos.
Peña cancelou uma viagem à Espanha, onde participaria de uma reunião de cúpula, e pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que deixa o cargo por causa da crise. O presidente também fechou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de uma lei que agilizasse o pagamento aos correntistas e garantisse a devolução do dinheiro público. “Os responsáveis terão de responder à Justiça, sem exceções nem privilégios”, escreveu nas redes sociais. Carvallo, que comandou o banco que deu origem ao Ueno antes de ser nomeado por Peña, disse que já tinha assinado a renúncia, mas que continuaria no cargo para conduzir a intervenção.
Sem conseguir entrar nas contas pelo aplicativo, clientes se aglomeraram na porta de agências fechadas em todo o país, que estavam sob vigilância da polícia. Os saques e as transferências estão bloqueados, mas a maioria dos correntistas tem a proteção do seguro de depósitos. O fundo do banco central garante até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 38 mil) por pessoa, valor que, pelas estimativas preliminares, cobre integralmente os depósitos de cerca de 97% dos clientes do Ueno. Pela lei, o pagamento precisa ser feito em até 15 dias após a intervenção, prazo que pode ser prorrogado uma vez. Como primeiro passo, o banco central promete liberar até 10 milhões de guaranis (cerca de US$ 1.700) por cliente, descontadas as dívidas com o Ueno, mas não deu data.
Para quem tem saldos maiores, não há garantia de receber tudo. O Banco Central disse apenas que vai buscar “a maior proteção possível”. O instituto de previdência afirmou que as aposentadorias seriam pagas normalmente, que transferiria para outro banco os cerca de 32 mil aposentados que recebem pelo Ueno e que iria à Justiça para recuperar o que investiu.
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Siga o Times | CNBCPeña foi sócio do Grupo Vázquez, dono do Ueno, até março de 2025. Ao longo do mandato, ele rejeitou as dúvidas sobre a saúde financeira do banco e acusou a imprensa de alarmismo, enquanto órgãos do governo e fundos estatais aumentavam os depósitos na instituição. No mês passado, o próprio Ueno informou que o dinheiro público respondia por cerca de um quarto dos seus depósitos. Em junho, o banco central já tinha alertado o Ueno de que ele emprestava demais a empresas ligadas aos donos. Em outubro, a Fitch Ratings passou a perspectiva do banco para negativa, citando o crescimento acelerado do balanço e o alto volume de ativos intangíveis. Menos de uma semana antes da intervenção, o Ueno tinha anunciado um aumento de capital de US$ 100 milhões.
“Houve muita flexibilidade nas regras financeiras e bancárias, o que permitiu que essa instituição crescesse muito rápido”, disse à AP o economista paraguaio Luis Rojas. “Houve tratamento preferencial, o que levantou muitas suspeitas.”
O caso abala a imagem que o Paraguai vinha construindo entre investidores estrangeiros, com impostos baixos, pouca regulação e histórico de estabilidade econômica. O país conquistou recentemente o grau de investimento pela primeira vez. Senadores da oposição disseram que vão pedir o impeachment de Peña pela forma como o governo lidou com o dinheiro público depositado no Ueno. Para isso, precisariam de votos do Partido Colorado, legenda de Peña, que controla as duas casas do Congresso.
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