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Em meio à crise, STF retoma julgamentos após cancelar duas sessões
Publicado 11/09/2026 • 12:51 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/09/2026 • 12:51 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta sexta-feira (11) os julgamentos pelo plenário virtual após o cancelamento de duas sessões presenciais em meio à crise institucional que atingiu a Corte no início de setembro.
Entre os principais processos em análise está a ação que questiona mudanças aprovadas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa, com impacto direto sobre as regras de inelegibilidade de políticos condenados.
A nova sessão virtual começou às 11h e segue até as 23h59 de 18 de setembro. O julgamento ocorre poucos dias depois de o presidente do STF, Edson Fachin, suspender as sessões plenárias de quarta e quinta-feira, enquanto buscava reduzir as tensões provocadas por decisões conflitantes entre ministros.
Leia também: Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade, pede julgamento conjunto e aumenta crise no STF
O ambiente de instabilidade no Supremo Tribunal Federal se intensificou no início de setembro, a partir de novos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. O caso, que inicialmente estava concentrado em apurações sobre a instituição financeira, passou a envolver questionamentos sobre a atuação de ministros da Corte, procedimentos adotados pela Polícia Federal e os limites de decisões tomadas individualmente por integrantes do tribunal.
Um dos principais pontos de tensão surgiu com a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material mencionava contatos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e também fazia referência a relações profissionais envolvendo pessoas próximas ao magistrado.
A publicação do conteúdo ampliou o alcance político e institucional das investigações. A partir dali, o debate deixou de se limitar ao Banco Master e passou a incluir a forma como informações envolvendo autoridades com foro no STF vinham sendo produzidas, compartilhadas e analisadas.
A Procuradoria-Geral da República questionou a validade de parte desse material e sustentou que medidas relacionadas a integrantes da Corte não poderiam ser adotadas sem observância de procedimentos específicos. Paralelamente, também vieram a público informações sobre um encontro realizado anteriormente entre o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro, o que adicionou um novo elemento à controvérsia.
Nos dias seguintes, o conflito ganhou dimensão interna. Houve pedidos de apuração, manifestações públicas e decisões judiciais com sentidos distintos. A tensão atingiu um dos pontos mais delicados quando Mendonça determinou o afastamento preventivo de integrantes da cúpula da Polícia Federal, entre eles o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Pouco depois, o ministro Flávio Dino reverteu a medida e determinou a reintegração dos dirigentes. A existência de decisões opostas sobre o comando da PF aprofundou o impasse e aumentou a pressão por uma resposta institucional do próprio Supremo.
Diante da sobreposição de determinações, o presidente da Corte, Edson Fachin, passou a centralizar parte das controvérsias na Presidência do STF. A estratégia foi reduzir a disputa entre gabinetes e transferir os temas mais sensíveis para análise colegiada, em vez de mantê-los sob decisões individuais.
Fachin também adotou medidas para reorganizar a tramitação de procedimentos relacionados ao caso e convocou uma sessão extraordinária para 15 de setembro. A expectativa é que o plenário examine a validade do relatório da Polícia Federal e os elementos que podem fundamentar eventuais apurações envolvendo Alexandre de Moraes.
As sessões presenciais previstas para os dias 9 e 10 de setembro foram canceladas. A suspensão abriu espaço para negociações internas e reuniões entre os ministros em meio ao esforço para reduzir a tensão dentro da Corte.
Entre os processos da sessão virtual, um dos mais relevantes é a ação que discute as alterações feitas pelo Congresso em 2025 na Lei da Ficha Limpa.
As mudanças foram introduzidas pela Lei Complementar 219/2025 e modificaram a legislação que define quando uma pessoa condenada fica impedida de concorrer a cargos eletivos.
Uma das alterações estabelece novos marcos para o início da contagem do período de inelegibilidade. Dependendo do caso, o prazo passa a ser calculado a partir da decisão que determina a perda do mandato ou da renúncia do político.
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Siga o Times | CNBCA legislação também criou um limite máximo de 12 anos de inelegibilidade, inclusive em situações nas quais existam múltiplas condenações.
É justamente a possibilidade de redução do período de afastamento das eleições em determinadas circunstâncias que está no centro da discussão no Supremo.
O julgamento das alterações na Ficha Limpa começou anteriormente, mas foi interrompido em maio após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Até agora, dois ministros apresentaram votos contrários a parte das novas regras.
A relatora, Cármen Lúcia, considerou inconstitucionais dispositivos que podem reduzir o período de inelegibilidade previsto para políticos condenados. Luiz Fux acompanhou esse entendimento.
Com a retomada, os demais ministros poderão apresentar seus votos até o encerramento da sessão virtual, em 18 de setembro.
A decisão terá impacto sobre a interpretação da Lei da Ficha Limpa e poderá definir por quanto tempo candidatos atingidos por determinadas condenações permanecerão impedidos de disputar eleições.
Embora a Lei da Ficha Limpa concentre parte relevante da atenção, a sessão virtual inclui outros processos. O STF também analisa regras sobre promoção e organização das carreiras de policiais militares, normas para contratação emergencial durante greves no transporte público, direitos de pessoas com deficiência em estacionamentos, exploração de amianto em Goiás e exigências relacionadas à castração de cães e gatos.
Também estão na pauta mudanças nas regras para eleição da direção de grandes Tribunais de Justiça.
Enquanto os processos da pauta regular avançam no ambiente virtual, a principal resposta institucional à crise está prevista para a próxima terça-feira (15).
A sessão extraordinária convocada por Fachin deverá levar ao conjunto do tribunal questões que, até agora, provocaram decisões divergentes entre ministros.
A expectativa é que o plenário defina parâmetros para o tratamento das informações produzidas pela Polícia Federal e para a continuidade das apurações relacionadas ao caso Banco Master.
Até lá, a Lei da Ficha Limpa ocupa um dos espaços centrais da agenda do Supremo e recoloca em discussão as regras que determinam por quanto tempo políticos condenados podem ficar fora das disputas eleitorais.
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