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Em meio à crise, STF retoma julgamentos após cancelar duas sessões

Publicado 11/09/2026 • 12:51 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • STF retoma os julgamentos pelo plenário virtual após o cancelamento de duas sessões presenciais em meio à crise interna entre ministros.
  • Lei da Ficha Limpa é um dos principais temas da pauta, com análise das mudanças aprovadas pelo Congresso em 2025 sobre a contagem e o limite do período de inelegibilidade.
  • Cármen Lúcia e Luiz Fux já votaram contra parte das alterações, por entenderem que algumas regras reduzem de forma incompatível com a Constituição o tempo em que políticos condenados ficam impedidos de disputar eleições.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta sexta-feira (11) os julgamentos pelo plenário virtual após o cancelamento de duas sessões presenciais em meio à crise institucional que atingiu a Corte no início de setembro.

Entre os principais processos em análise está a ação que questiona mudanças aprovadas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa, com impacto direto sobre as regras de inelegibilidade de políticos condenados.

A nova sessão virtual começou às 11h e segue até as 23h59 de 18 de setembro. O julgamento ocorre poucos dias depois de o presidente do STF, Edson Fachin, suspender as sessões plenárias de quarta e quinta-feira, enquanto buscava reduzir as tensões provocadas por decisões conflitantes entre ministros.

Leia também: Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade, pede julgamento conjunto e aumenta crise no STF

O ambiente de instabilidade no Supremo Tribunal Federal se intensificou no início de setembro, a partir de novos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. O caso, que inicialmente estava concentrado em apurações sobre a instituição financeira, passou a envolver questionamentos sobre a atuação de ministros da Corte, procedimentos adotados pela Polícia Federal e os limites de decisões tomadas individualmente por integrantes do tribunal.

Um dos principais pontos de tensão surgiu com a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material mencionava contatos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e também fazia referência a relações profissionais envolvendo pessoas próximas ao magistrado.

A publicação do conteúdo ampliou o alcance político e institucional das investigações. A partir dali, o debate deixou de se limitar ao Banco Master e passou a incluir a forma como informações envolvendo autoridades com foro no STF vinham sendo produzidas, compartilhadas e analisadas.

A Procuradoria-Geral da República questionou a validade de parte desse material e sustentou que medidas relacionadas a integrantes da Corte não poderiam ser adotadas sem observância de procedimentos específicos. Paralelamente, também vieram a público informações sobre um encontro realizado anteriormente entre o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro, o que adicionou um novo elemento à controvérsia.

Nos dias seguintes, o conflito ganhou dimensão interna. Houve pedidos de apuração, manifestações públicas e decisões judiciais com sentidos distintos. A tensão atingiu um dos pontos mais delicados quando Mendonça determinou o afastamento preventivo de integrantes da cúpula da Polícia Federal, entre eles o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Pouco depois, o ministro Flávio Dino reverteu a medida e determinou a reintegração dos dirigentes. A existência de decisões opostas sobre o comando da PF aprofundou o impasse e aumentou a pressão por uma resposta institucional do próprio Supremo.

Diante da sobreposição de determinações, o presidente da Corte, Edson Fachin, passou a centralizar parte das controvérsias na Presidência do STF. A estratégia foi reduzir a disputa entre gabinetes e transferir os temas mais sensíveis para análise colegiada, em vez de mantê-los sob decisões individuais.

Fachin também adotou medidas para reorganizar a tramitação de procedimentos relacionados ao caso e convocou uma sessão extraordinária para 15 de setembro. A expectativa é que o plenário examine a validade do relatório da Polícia Federal e os elementos que podem fundamentar eventuais apurações envolvendo Alexandre de Moraes.

As sessões presenciais previstas para os dias 9 e 10 de setembro foram canceladas. A suspensão abriu espaço para negociações internas e reuniões entre os ministros em meio ao esforço para reduzir a tensão dentro da Corte.

Ficha Limpa é destaque da pauta

Entre os processos da sessão virtual, um dos mais relevantes é a ação que discute as alterações feitas pelo Congresso em 2025 na Lei da Ficha Limpa.

As mudanças foram introduzidas pela Lei Complementar 219/2025 e modificaram a legislação que define quando uma pessoa condenada fica impedida de concorrer a cargos eletivos.

Uma das alterações estabelece novos marcos para o início da contagem do período de inelegibilidade. Dependendo do caso, o prazo passa a ser calculado a partir da decisão que determina a perda do mandato ou da renúncia do político.

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A legislação também criou um limite máximo de 12 anos de inelegibilidade, inclusive em situações nas quais existam múltiplas condenações.

É justamente a possibilidade de redução do período de afastamento das eleições em determinadas circunstâncias que está no centro da discussão no Supremo.

Cármen Lúcia e Fux votaram contra mudanças

O julgamento das alterações na Ficha Limpa começou anteriormente, mas foi interrompido em maio após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Até agora, dois ministros apresentaram votos contrários a parte das novas regras.

A relatora, Cármen Lúcia, considerou inconstitucionais dispositivos que podem reduzir o período de inelegibilidade previsto para políticos condenados. Luiz Fux acompanhou esse entendimento.

Com a retomada, os demais ministros poderão apresentar seus votos até o encerramento da sessão virtual, em 18 de setembro.

A decisão terá impacto sobre a interpretação da Lei da Ficha Limpa e poderá definir por quanto tempo candidatos atingidos por determinadas condenações permanecerão impedidos de disputar eleições.

Outros temas também serão julgados

Embora a Lei da Ficha Limpa concentre parte relevante da atenção, a sessão virtual inclui outros processos. O STF também analisa regras sobre promoção e organização das carreiras de policiais militares, normas para contratação emergencial durante greves no transporte público, direitos de pessoas com deficiência em estacionamentos, exploração de amianto em Goiás e exigências relacionadas à castração de cães e gatos.

Também estão na pauta mudanças nas regras para eleição da direção de grandes Tribunais de Justiça.

Próxima etapa da crise será presencial

Enquanto os processos da pauta regular avançam no ambiente virtual, a principal resposta institucional à crise está prevista para a próxima terça-feira (15).

A sessão extraordinária convocada por Fachin deverá levar ao conjunto do tribunal questões que, até agora, provocaram decisões divergentes entre ministros.

A expectativa é que o plenário defina parâmetros para o tratamento das informações produzidas pela Polícia Federal e para a continuidade das apurações relacionadas ao caso Banco Master.

Até lá, a Lei da Ficha Limpa ocupa um dos espaços centrais da agenda do Supremo e recoloca em discussão as regras que determinam por quanto tempo políticos condenados podem ficar fora das disputas eleitorais.

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