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Mensagens revelam vigilância e ações de pressão contra Vladimir Timerman, denunciante do caso Master

Publicado 11/09/2026 • 13:16 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Timerman foi monitorado de forma contínua, com levantamento de dados pessoais e busca por informações sobre processos sigilosos.
  • Vorcaro afirmou ter mandado dar “carga total no cara” e disse que Timerman só pararia quando estivesse preso.
  • Anos depois dessas mensagens, Timerman foi à CPI do Crime Organizado e atribuiu a Nelson Tanure papel central por trás do Banco Master, acusação negada pelo empresário.

Vladimir Timerman, gestor que levou ao poder público suspeitas relacionadas ao Banco Master, aparece em documentos da Operação Compliance Zero também em outra posição: a de alvo de monitoramento e de ações de intimidação discutidas por Daniel Vorcaro e Felipe Mourão, o “Sicário”.

Conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram pedidos para levantar informações sobre Timerman, acompanhamento permanente de seus movimentos, busca por processos sigilosos e manifestações de irritação diante de novas iniciativas do gestor.

Em uma das trocas mais explícitas, o banqueiro diz que havia determinado “carga total” contra ele e associa o fim do problema à prisão de Timerman.

Os diálogos integram relatório da Polícia Federal que analisa o aparelho apreendido de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes relacionadas à cessão de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, estimadas pela PF em cerca de R$ 12 bilhões.

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Quem é Vladimir Timerman

Timerman é fundador da Esh Capital e tornou-se conhecido por sua atuação em disputas societárias e pela apresentação de denúncias a órgãos de fiscalização e investigação. No caso Master, passou a sustentar que operações identificadas durante conflitos empresariais ajudavam a revelar uma estrutura mais ampla envolvendo o banco.

Em março de 2026, durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, Timerman afirmou que Nelson Tanure seria o verdadeiro controlador por trás do Banco Master e descreveu Vorcaro como subordinado a essa estrutura.

Tanure rejeitou as acusações. Em manifestação divulgada após o depoimento, afirmou que nunca foi sócio, controlador ou beneficiário do Master e disse ter mantido apenas relações comerciais com a instituição. Sua defesa também contestou a credibilidade de Timerman e citou decisões judiciais envolvendo o gestor.

É nesse cenário de conflito, denúncias e acusações cruzadas que as mensagens encontradas pela PF ganham relevância: elas mostram como Vorcaro e Mourão tratavam Timerman enquanto procedimentos relacionados ao gestor avançavam.

“Medida urgente”

O primeiro conjunto de mensagens destacado pela PF é de dezembro de 2023. Vorcaro encaminhou a Mourão publicações que, segundo os investigadores, continham críticas contra ele.

A reação foi imediata: “Esse ai vamos ter que tomar medida urgente. URGENTE.”

Vorcaro acrescentou que o autor deveria ser chamado para prestar esclarecimentos. Questionado por Mourão sobre a identidade da pessoa, respondeu que possuía informações sobre ela e identificou Vladimir Timerman.

A Polícia Federal afirma que a conversa chama a atenção porque a determinação estava relacionada a providências dentro de um contexto policial já existente. Na avaliação dos investigadores, o diálogo pode indicar uma tentativa de interferir na condução do caso ou de controlar a narrativa em torno das acusações.

Vorcaro também afirmou a Mourão que Timerman estaria tentando extorqui-lo. O relatório registra essa versão como uma alegação do banqueiro, e não como uma conclusão dos investigadores.

Monitoramento “24 horas”

Pouco depois, o acompanhamento deixou de se limitar às manifestações públicas de Timerman. Mourão encaminhou arquivos com dados cadastrais do gestor e comunicou a Vorcaro que ele estava sendo monitorado: “24 horas”.

Segundo o relatório, as conversas indicam ainda que eram confirmadas informações pessoais para permitir, se necessário, ações sobre contas de e-mail, números de WhatsApp e perfis no Instagram.

Busca por processos sigilosos

O monitoramento avançou para procedimentos policiais e judiciais. Em dezembro de 2023, Mourão enviou a Vorcaro quatro consultas processuais relacionadas a Timerman que, segundo a PF, estavam submetidas a segredo de Justiça. Nos meses seguintes, o volume aumentou.

Em fevereiro de 2024, Mourão informou que sua equipe realizava um levantamento completo sobre Timerman, inclusive de dados sob sigilo. Depois, encaminhou outras 12 consultas que seriam classificadas como sigilosas.

A busca por informações atingiu um ponto particularmente sensível em março. Mourão tentou acessar um procedimento reservado, mas informou inicialmente que havia encontrado uma barreira: “Não deixam, somente a unidade deles, colocaram sigilo máximo.”

Na mesma mensagem, antecipou que voltaria a tentar: “Amanhã pela manhã vou buscar conseguir acessar.”

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No dia seguinte, Mourão comunicou: “Acesso total nível máx”.

A captura analisada pela PF mostrava que a consulta havia sido feita por uma conta funcional atribuída a uma servidora. Para os investigadores, a obtenção do conteúdo integral em curto intervalo de tempo pode indicar quebra de protocolos de segurança ou utilização inadequada de credenciais.

“O que você quer que façam?”

A pressão sobre Timerman aparece de maneira ainda mais direta em junho de 2024.

Na ocasião, Vorcaro encaminhou a Mourão um despacho da Polícia Federal no qual Timerman figurava como representante da empresa noticiante. O documento também citava Nelson Tanure, Maurício Quadrado e o próprio Vorcaro.

Ao receber o material, Mourão perguntou: “O que você quer que façam? Acabei de ligar na turma aqui.”

A pergunta sugere que Mourão já havia mobilizado terceiros antes mesmo de saber qual providência Vorcaro desejava.

A resposta de Vorcaro demonstrou irritação. Ele reclamou da recorrência de Timerman nos procedimentos e afirmou que ninguém conseguia fazer algo contra ele.

Mourão respondeu que o próprio Vorcaro havia pedido anteriormente para deixar o assunto de lado e acrescentou: “Estava tudo já resolvido.”

Vorcaro negou que tivesse determinado o recuo:

“Eu não. Pelo contrário. Carga total no cara”

Na sequência, Mourão informou que havia pedido a integrantes de sua rede que verificassem a situação.

“Pedi a eles para olhar e vão me passar a respeito.”

A resposta de Vorcaro foi uma das mais fortes encontradas nos diálogos relacionados a Timerman: “Mandei da carga total no cara.”

Em seguida, acrescentou: “Enquanto ele não estiver preso não vai parar.”

Mourão respondeu com uma imagem de visualização única e afirmou que o procedimento estava submetido a restrição máxima: “Está em sigilo máximo.”

Ele acrescentou que ninguém fora do núcleo teria acesso ao conteúdo e informou que estava solicitando à “turma” que fosse verificar pessoalmente a situação.

A combinação desses elementos, irritação com Timerman, desejo de vê-lo preso, mobilização de terceiros e procura por detalhes de uma investigação sigilos, é um dos principais fundamentos para a leitura da PF de que havia uma estrutura voltada não apenas ao acompanhamento, mas também à pressão sobre determinados alvos.

Intimidação aparece como método no relatório

As conclusões da Polícia Federal vão além do episódio envolvendo Timerman. O documento afirma ter identificado um padrão de atuação que incluía violência, coação, coleta de dados pessoais e mecanismos de pressão contra pessoas consideradas adversárias.

Os investigadores registram conversas sobre planejamento de agressões físicas e mobilização de intermediários, embora ressaltem que não há comprovação, apenas com os diálogos examinados, de que todas as agressões discutidas tenham sido efetivamente executadas.

No quadro final elaborado pela PF, Vorcaro é descrito como responsável por determinar ações e escolher alvos, enquanto Mourão aparece como executor operacional, encarregado de monitoramento, coação, obtenção de informações e coordenação da chamada “turma”.

No caso de Timerman, o relatório não demonstra que uma agressão física tenha sido consumada. O que os registros documentam é uma sequência de vigilância permanente, levantamento de dados, tentativas de acesso a procedimentos sigilosos, mobilização de terceiros e mensagens de pressão.

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