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BRB pagou R$ 7,63 bilhões ao Master antes de pareceres técnicos, aponta PF
Publicado 11/09/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 11/09/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Rafael Lavenère/BRB
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, comandava o banco no período em que operações com o Banco Master continuaram mesmo após alertas internos sobre riscos e falhas de controle.
O Banco de Brasília (BRB) desembolsou R$ 7,63 bilhões ao Banco Master em 22 operações antes que os pareceres técnicos das áreas responsáveis fossem assinados, segundo laudo pericial da Polícia Federal.
A perícia concluiu que controles que deveriam funcionar antes da aprovação das operações acabaram sendo formalizados depois que o dinheiro já havia sido pago. O documento também aponta que o BRB continuou fazendo negócios com o Master mesmo após relatórios internos identificarem falhas e risco de fraude.
Um grupo de trabalho, criado pelo BRB em fevereiro de 2025, identificou problemas de conciliação, documentação, averbação, qualidade dos dados e de cumprimento contratual nas carteiras compradas do Banco Master. A equipe também apontou a necessidade de aprofundar a análise dos indícios de fraude.
O primeiro relatório do grupo, produzido em abril de 2025, registrou ainda a falta de garantias suficientes, a ausência de relatório de conformidade de auditoria independente e a necessidade de recuperar valores não pagos pelo Master. Em maio, um segundo documento concluiu que os problemas não haviam sido solucionados e classificou os controles do banco de Vorcaro como precários.
Mesmo após os alertas, os pagamentos continuaram. Até a conclusão do primeiro relatório, operações aprovadas pela Diretoria Colegiada já haviam gerado desembolsos de R$ 11,07 bilhões ao Master. Entre o primeiro e o segundo relatórios, outros R$ 3,03 bilhões foram pagos. Depois da conclusão do documento final, mais R$ 2,19 bilhões foram desembolsados.
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Os peritos afirmam que o relatório de abril já trazia elementos suficientes para que a administração do BRB adotasse medidas preventivas, como suspender ou limitar temporariamente novas compras, exigir garantias antes dos pagamentos e contratar auditoria independente.
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Siga o Times | CNBCMesmo assim, novas aquisições foram aprovadas e os pagamentos continuaram. A PF concluiu que informações sobre risco existiam dentro do banco, mas não foram usadas para condicionar ou interromper as operações.
O laudo também aponta que os negócios não seguiram corretamente as etapas de análise, formalização e aprovação e que a exposição do BRB ao Master resultou em concentração relevante de risco.
Segundo a perícia, ainda há elementos que podem indicar gestão fraudulenta. O documento afirma que o problema não decorreria apenas de decisões malsucedidas ou da assunção de risco elevado, mas de práticas repetidas capazes de contornar ou regularizar posteriormente mecanismos de informação, autorização e controle.
A existência de problemas nas carteiras compradas do Master já vinha sendo investigada. Relatórios internos do BRB identificaram inconsistências como falta de lastro, dados incompatíveis e falhas na documentação dos créditos. Mesmo assim, as aquisições continuaram.
A PF também já havia apontado que integrantes da diretoria colegiada participaram das decisões sobre as operações e que novos laudos permitiram individualizar a atuação de outros dirigentes.
As operações entre os dois bancos estão no centro da Operação Compliance Zero, que apura a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do Master sob suspeita de fraude.
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