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‘Empresas exportadoras devem ter cultura de reação rápida e aumentar diversificação de mercados’, diz consultor sobre tarifaço
Publicado 24/07/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/07/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras exigem uma reação rápida das empresas, com foco na proteção dos negócios e na busca por novos mercados.
Para Adalberto Bueno Netto, CEO da LAT Global, os primeiros 90 dias serão decisivos para estruturar uma resposta ao tarifaço, enquanto a diversificação internacional deixa de ser uma estratégia de longo prazo para se tornar uma necessidade imediata.
Para as empresas brasileiras, a combinação das duas tarifas eleva os custos de acesso ao principal mercado consumidor do mundo e aumenta a pressão sobre setores exportadores. Na avaliação de Bueno Netto, os maiores impactos da sobretaxa devem recair sobre empresas com forte dependência dos Estados Unidos, margens reduzidas e produtos facilmente substituíveis por concorrentes internacionais.
O alerta ocorre após o governo dos Estados Unidos anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o país falha no combate a práticas de trabalho forçado em setores produtivos.
A medida, aplicada também a outras 59 economias, soma-se à sobretaxa de 25% em vigor desde o último dia 22, elevando a pressão sobre empresas com forte dependência do mercado americano.
“A nova tarifa de 12,5%, somada à sobretaxa da Seção 301 de 25%, cria impacto significativo para empresas e setores”, afirma. Segundo ele, segmentos como madeira e derivados, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar estão entre os mais expostos.
Apesar do tarifaço, abandonar o mercado americano de forma definitiva não é uma alternativa viável. Além do tamanho da economia e do elevado poder de consumo, os Estados Unidos continuam sendo um dos principais destinos de produtos brasileiros de maior valor agregado.
A certificação exigida pelo mercado americano também funciona como credencial para a entrada em outros mercados, como Canadá, México e Europa.
Outro fator que ameniza parte dos impactos é que produtos considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como petróleo, café, carnes e celulose, permanecem isentos das novas tarifas, preservando oportunidades para parte dos exportadores.
Para Bueno Netto, o desafio é mudar a forma de atuação no país. “Os Estados Unidos não podem ser abandonados, mas uma nova forma de acesso ao mercado precisa ser construída”, afirma. Segundo ele, será cada vez mais necessário investir em internacionalização, joint ventures e presença produtiva em mercados estratégicos para manter competitividade.
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Siga o Times | CNBCO especialista avalia que os próximos meses serão decisivos para preservar contratos e participação no mercado americano. A recomendação é que as empresas criem imediatamente grupos internos envolvendo áreas comercial, financeira, jurídica, comércio exterior e cadeia de suprimentos para monitorar clientes, renegociar contratos e revisar estratégias de exportação.
“Nos primeiros 90 dias, as empresas devem criar uma estrutura interna de resposta”, afirma. Produtos com baixa diferenciação e margens estreitas poderão ser redirecionados para outros mercados. Já empresas que atuam com bens de maior valor agregado deverão reforçar diferenciais competitivos, como customização, assistência técnica, garantias e relacionamento com clientes.
“Máquinas, equipamentos, autopeças, químicos especializados, rochas premium, móveis institucionais e marcas consolidadas devem ser defendidos por meio de serviço, customização, garantia, assistência técnica e maior valor agregado”, diz.
Mais do que enfrentar as novas tarifas, o episódio reforça uma mudança estrutural na estratégia das empresas brasileiras: reduzir a dependência de um único mercado. Para Bueno Netto, a diversificação internacional deixou de ser um projeto de longo prazo e passou a ser uma necessidade imediata.
Jaqueline Ganzert, cientista política e consultora de internacionalização da LAT Global, afirma que “a principal lição que esse episódio deixa ao empresário brasileiro é a importância da diversificação de mercado racional, imediata e proativa”. A especialista defende que “exportar para diferentes mercados reduz o risco geopolítico”.
Na mesma direção, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, com lançamento previsto para agosto, para apoiar a abertura de novos mercados. A iniciativa será desenvolvida em parceria com 57 setores da economia e cerca de 2,4 mil empresas exportadoras.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o objetivo é adaptar a estratégia comercial brasileira ao novo cenário internacional. “O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, afirmou. União Europeia, países do Sudeste Asiático e mercados da Ásia Central estão entre os destinos prioritários.
Para Bueno Netto, o sucesso das empresas dependerá da rapidez com que conseguirem ampliar sua presença internacional. “Esse é o momento de tornar o Brasil realmente global e comercialmente agressivo”, afirma. Segundo ele, companhias que investirem em novos mercados, parcerias e modelos de internacionalização estarão mais preparadas para enfrentar um ambiente comercial cada vez mais sujeito a mudanças geopolíticas e barreiras tarifárias.
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