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Entenda como funcionam as eleições desta terça nos EUA e o que está em jogo para Trump

Publicado 02/11/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Os americanos votam nesta terça-feira (3) para renovar as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado, além de escolher governadores em 36 estados.
  • Os republicanos têm maioria apertada nas duas Casas: 219 a 214 na Câmara e 53 a 47 no Senado.
  • Com a aprovação de Donald Trump em torno de 37%, as pesquisas indicam ganho democrata, sobretudo na Câmara.
Democratas precisam de 4 cadeiras em cada Casa para tirar o controle de Trump.

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Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, as midterms. O nome de Donald Trump não está na cédula, mas o resultado define quem controla o Congresso nos dois últimos anos do seu segundo mandato. Hoje, os republicanos têm maioria na Câmara e no Senado. Os democratas precisam de um saldo positivo de quatro cadeiras em cada Casa para assumir o comando.

As midterms acontecem dois anos depois da eleição presidencial, na metade do mandato do presidente. Pela lei americana, a eleição acontece sempre em uma terça-feira de novembro dos anos pares, entre os dias 2 e 8 do mês.

Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, que equivale à Câmara dos Deputados no Brasil. Lá, os deputados têm mandato de dois anos, metade do prazo brasileiro. No Senado, 35 das 100 vagas serão renovadas. Os senadores americanos ficam seis anos no cargo, contra oito no Brasil, e a renovação é escalonada: um terço da Casa é eleito a cada dois anos. Os eleitores de 36 estados também escolhem governadores. As disputas na Califórnia, na Flórida, na Geórgia e em Michigan estão entre as mais acompanhadas.

Não existe uma votação nacional para decidir qual partido fica com o Congresso. Cada eleitor vota nos candidatos do seu distrito e do seu estado, e a maioria sai da soma dessas disputas.

Como está o Congresso hoje

Na Câmara, os republicanos somam 219 cadeiras, contando um deputado independente que vota com o partido. Os democratas têm 214, e duas vagas estão abertas. A maioria exige 218 votos.

No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras. Os democratas têm 45, além de dois independentes que votam com eles. Para tirar o controle dos republicanos, a oposição precisa chegar a 51 senadores. Em caso de empate (50 a 50), o voto de desempate é do vice-presidente, que hoje é republicano.

A maioria nas duas Casas permitiu a Trump aprovar pontos centrais da sua agenda, como a que reuniu cortes de impostos e prioridades de gastos. Se perder uma das Casas, o presidente vai depender de negociação para aprovar leis e autorizar despesas. Uma Câmara ou um Senado nas mãos dos democratas também poderia abrir investigações sobre o governo, com convocação de funcionários e pedidos de documentos. Na mira estariam suspeitas de corrupção, o novo salão de baile da Casa Branca e a atuação do serviço de imigração (ICE). No Partido Democrata, já se discute até a abertura de um processo de impeachment.

O Senado tem ainda o poder de confirmar ou barrar indicações do presidente para cargos no governo e para a Suprema Corte.

Em entrevista à Fox News no domingo (1º), Trump disse que, se perdesse o Congresso, vetaria as propostas dos democratas até que eles aceitassem negociar. “Não seria a primeira vez. Você tem um presidente, mas não tem a Câmara nem o Senado. Eles enviam projetos, você os veta e, depois de um ou dois meses com tudo sendo vetado… eles acabam vindo negociar um acordo”, afirmou. Ele também se mostrou confiante: “Esperamos que não precisemos nos preocupar com isso.”

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O que dizem as pesquisas

A média de pesquisas compilada pelo site RealClearPolitics dá vantagem aos democratas na Câmara. Pelas projeções, 227 cadeiras estão firmes ou inclinadas para o partido, contra 182 para os republicanos, e 26 continuam indefinidas. No Senado, o quadro é mais equilibrado. Somando as cadeiras que não estão em disputa, 47 vagas pendem para os democratas e 44 para os republicanos. Outras nove seguem em aberto.

A popularidade de Trump pesa contra os republicanos. Segundo o Silver Bulletin, site que acompanha pesquisas, ele começou o segundo mandato com pouco mais de 50% de aprovação. No início de outubro, o índice tinha caído para cerca de 37%, e 61% dos americanos desaprovavam o governo. O presidente tem pedido que os eleitores votem como se ele fosse candidato. “Se não vencermos as eleições de meio de mandato, vão me culpar”, disse em um comício no Tennessee, em outubro.

A economia lidera as preocupações dos eleitores, principalmente os preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. A inflação continua acima da meta do Federal Reserve, o banco central americano, em parte por causa da guerra que Estados Unidos e Israel iniciaram contra o Irã em fevereiro. Os democratas atribuem parte da alta às tarifas de importação de Trump. Os republicanos apostam na imigração e lembram que o presidente cumpriu a promessa de endurecer o controle da fronteira. A regulação da inteligência artificial também entrou na campanha. Políticos dos dois partidos defendem regras para o setor, enquanto Trump rejeita propostas de lei sobre o tema.

Em parte dos distritos e estados, o resultado é dado como certo. Isso se deve ao perfil do eleitorado e ao redesenho de distritos eleitorais feito pelos dois partidos para ganhar vantagem, prática conhecida como gerrymandering. A CBS News lista dez disputas decisivas para o Senado, em estados como Iowa e New Hampshire, e 42 para a Câmara, em lugares como Arizona e Ohio. Em Iowa, o democrata Josh Turek e a republicana Ashley Hinson disputam voto a voto uma vaga no Senado. Em Michigan, está em jogo a cadeira de um senador democrata que vai se aposentar. O estado votou em Joe Biden em 2020 e em Trump em 2024, mas não elege um senador republicano desde 1994.

Votação antecipada bate recorde

Mais de 54 milhões de americanos já tinham votado antecipadamente até domingo, segundo a Associated Press. Nas midterms de 2022, toda a votação antecipada somou 46 milhões de votos. De acordo com o Election Lab, da Universidade da Flórida, o número chegou a 54,5 milhões nesta segunda-feira (2). Desse total, 30 milhões votaram presencialmente e 24 milhões pelo correio. A maioria desses eleitores tem mais de 41 anos.

Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório. Se a participação repetir a de 2022, mais de 100 milhões de pessoas devem votar, menos do que os mais de 155 milhões de votos da eleição presidencial de 2024.

A campanha também bateu recorde de gastos. Até 12 de outubro, a propaganda política consumiu US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 20,6 bilhões), segundo a AdImpact, empresa que monitora esse mercado. As disputas pelo Senado no Texas, em Ohio e em Michigan concentram os maiores valores. Sozinho, o bilionário Elon Musk destinou cerca de US$ 446 milhões (R$ 2,5 bilhões) a candidatos republicanos.

O histórico não favorece o partido do presidente. Em 2010, no governo de Barack Obama, os republicanos ganharam 63 cadeiras na Câmara e tomaram a maioria da Casa. Em 2018, no primeiro mandato de Trump, foi a vez de os democratas conquistarem 40 cadeiras e retomarem a Câmara.

Proibido pela Constituição de disputar um terceiro mandato, Trump, de 80 anos, deve ver crescer, depois da eleição, a disputa pela sua sucessão no Partido Republicano em 2028. Entre os democratas, o resultado vai pesar na briga entre a ala tradicional e a progressista, que ganhou força com a eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York.

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