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Coordenador do programa de governo Lula endossa ideia de Lara Resende sobre fiscal e juros; economista propõe Selic a 7,5%
Publicado 02/11/2026 • 19:45 | Atualizado há 36 minutos
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Publicado 02/11/2026 • 19:45 | Atualizado há 36 minutos
KEY POINTS
O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propõe que o Banco Central reduza gradualmente a Selic para cerca de 7,5% ao ano em aproximadamente 12 meses e defende uma mudança ampla na relação entre as políticas monetária e fiscal do país. A proposta foi apresentada no artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, publicado em 25 de setembro.
A proposta ganhou respaldo de José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um texto sobre a política fiscal para o fim de 2026 e para 2027, distribuído nesta segunda-feira (2), Gabrielli afirmou que a ideia de Lara Resende de criar um mecanismo mais amplo de coordenação entre política fiscal e monetária “merece atenção especial”.
Os dois economistas, porém, convergem no diagnóstico de que o custo dos juros ocupa hoje papel importante no avanço da dívida pública e questionam uma estratégia de ajuste fiscal concentrada predominantemente no resultado primário.
Leia também: Em semana de decisão do Copom, Lula terá encontro com Lara Resende, um dos pais do Real e crítico dos juros altos
As ideias de Lara Resende ganharam repercussão depois da notícia de que Lula deve se reunir com o economista nesta semana. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, porém, que não existe encontro agendado entre os dois e que a equipe econômica não está discutindo levar a proposta de Lara Resende ao presidente. O presidente do PT, Edinho Silva, também negou que a reunião esteja marcada.
A proposta de Lara Resende prevê uma redução gradual da taxa básica ao longo de aproximadamente 12 meses.
O economista sugere que a Selic seja levada inicialmente a um nível equivalente ao crescimento nominal potencial da economia acrescido de um spread de segurança de 2 pontos percentuais.
Pelas premissas apresentadas, uma meta de inflação de 3% somada a um crescimento real potencial de 2,5% resultaria em expansão nominal potencial de 5,5%.
Com o adicional de segurança, a taxa chegaria a aproximadamente 7,5% ao ano. O spread seria posteriormente reavaliado e reduzido gradualmente.
Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.
No regime permanente imaginado por Lara Resende, o Banco Central buscaria manter a taxa básica dentro de um intervalo entre a meta de inflação e a taxa de crescimento nominal potencial do PIB. Valores fora desse intervalo seriam admitidos apenas em situações excepcionais.
Lara Resende parte da avaliação de que a trajetória da dívida pública está sendo pressionada principalmente pelo custo financeiro.
No artigo, ele calcula que o custo médio da dívida havia alcançado 12,68% ao ano e afirma que, sem considerar eventual déficit primário, os juros faziam a dívida bruta crescer aproximadamente 12,7% ao ano, enquanto o PIB nominal avançava perto de 7%.
Na avaliação dele, essa diferença torna insustentável a trajetória da dívida em relação ao tamanho da economia.
“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, escreveu.
Lara Resende reconhece que o país gasta mal e critica a alocação de recursos em áreas como emendas parlamentares, benefícios e subsídios. Sua divergência está na identificação do principal componente do desequilíbrio. Para ele, o serviço da dívida tem peso muito superior ao déficit primário e deveria ocupar o centro do debate fiscal.
No documento “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, o economista José Sergio Gabrielli também coloca os juros no centro da discussão sobre a dívida.
Gabrielli afirma que “o grande desafio para a política econômica” é reduzir as taxas de juros, que classifica como o principal fator de expansão do endividamento.
Ao tratar da relação entre política monetária e fiscal, ele cita diretamente Lara Resende.
“Por isso merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil”, escreveu.
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Siga o Times | CNBCSegundo Gabrielli, “o pior dos mundos” seria uma situação de conflito entre os objetivos das duas políticas no curto prazo.
O texto também ressalta que essa coordenação deve ocorrer com o Banco Central autônomo conduzindo a política monetária e o Copom responsável pela definição da Selic.
Lara Resende propõe criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as do atual Conselho Monetário Nacional (CMN).
O novo órgão definiria metas fiscais e monetárias para um horizonte de quatro a cinco anos.
As metas de inflação seriam anunciadas em conjunto com referências para a taxa básica de juros, enquanto a política fiscal teria objetivos relacionados à arrecadação e aos gastos de custeio e investimento.
A proposta parte da avaliação de que as duas políticas não deveriam operar de forma dissociada.
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Para Lara Resende, a elevação dos juros para combater a inflação também produz efeitos sobre o custo da dívida que podem dificultar a própria estabilização fiscal.
Gabrielli também apresenta uma simulação para mostrar a dificuldade de estabilizar a dívida exclusivamente pelo resultado primário caso os juros permaneçam elevados.
Usando uma dívida equivalente a 82,9% do PIB, taxa de juros de 11,4% e crescimento nominal de 7%, ele calcula que seria necessário um superávit primário de 3,41% do PIB, ou cerca de R$ 466 bilhões, para estabilizar a relação dívida/PIB em 2027.
A diferença entre esse valor e a projeção fiscal para o próximo ano ficaria próxima de R$ 400 bilhões.
A simulação utiliza um modelo simplificado e não incorpora detalhadamente fatores como composição da dívida por indexador, câmbio e perfil de vencimentos.
Para Gabrielli, tentar fechar essa diferença apenas por meio de cortes de despesas produziria um ajuste de dimensão excessiva.
Lara Resende chega a uma conclusão semelhante por outro caminho. Ele estima que a redução do custo médio da dívida de quase 13% para 7,5% ao ano, considerando uma dívida próxima de 80% do PIB, produziria uma economia fiscal equivalente a aproximadamente 4% do PIB por ano.
O efeito seria gradual. Os títulos vinculados diretamente à Selic passariam a pagar menos imediatamente, enquanto a redução do custo dos papéis prefixados e indexados à inflação ocorreria conforme fossem vencendo e refinanciados.
Para Lara Resende, nenhum ajuste convencional do resultado primário conseguiria produzir uma economia dessa magnitude sem provocar uma recessão profunda.
A tese apresentada por Lara Resende diverge da condução atual da política monetária. O Banco Central sustenta que os juros precisam permanecer em nível suficientemente restritivo para assegurar a convergência da inflação à meta.
Lara Resende contesta essa lógica e argumenta que, no longo prazo, juros nominais elevados podem contribuir para manter a inflação em patamar mais alto.
Ele reconhece, porém, que uma redução dos juros pode pressionar os preços no curto prazo, especialmente por meio da desvalorização cambial.
Para enfrentar esse risco, propõe que o Banco Central utilize as reservas internacionais para suavizar movimentos mais acentuados do real durante a transição.
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