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EUA cortam cota de açúcar do Brasil em 36% e reduzem acesso ao mercado americano

Publicado 07/08/2026 • 18:34 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cota brasileira de açúcar bruto caiu de 155.993 para 100 mil toneladas, redução de cerca de 36%.
  • Brasil perde a posição de segundo maior beneficiário da cota americana e fica atrás de República Dominicana e Filipinas.
  • USTR deixou 55.993 toneladas ainda sem destino, que serão distribuídas antes do início do novo ano fiscal, em outubro.

Os Estados Unidos reduziram em cerca de 36% a cota de importação de açúcar bruto destinada ao Brasil para o ano fiscal de 2027, em mais uma restrição ao acesso do produto brasileiro ao mercado americano.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) fixou em 100 mil toneladas a parcela brasileira dentro da cota tarifária de açúcar bruto que vigorará entre 1º de outubro de 2026 e 30 de setembro de 2027. No período atual, o Brasil tem direito a 155.993 toneladas.

O corte retira 55.993 toneladas da alocação inicial brasileira.

A redução também muda a posição do país entre os principais fornecedores contemplados pelo sistema. Até o ano fiscal de 2026, o Brasil era o segundo maior beneficiário da cota americana, com aproximadamente 14% do total. Para 2027, ficará atrás da República Dominicana, com 189.343 toneladas, e das Filipinas, com 145.235 toneladas.

Leia também: Brasil se defende de tarifas sobre trabalho escravo

O que muda para o açúcar brasileiro

Os Estados Unidos administram as importações de açúcar por meio de um sistema de cotas tarifárias, conhecidas como TRQs.

Dentro da quantidade determinada para cada país, o produto pode entrar no mercado americano pagando uma tarifa relativamente menor. Acima desse limite, incide uma tarifa mais elevada, o que reduz a competitividade do produto importado.

Para o ano fiscal de 2027, Washington estabeleceu uma cota total de 1,117 milhão de toneladas de açúcar bruto, o mínimo ao qual os Estados Unidos estão comprometidos pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Desse montante, o USTR distribuiu inicialmente 1,061 milhão de toneladas entre os países fornecedores. Outras 55.993 toneladas ainda não foram alocadas e deverão ter seu destino definido antes de 1º de outubro.

O volume que ficou pendente é exatamente igual à redução sofrida pela parcela brasileira. O comunicado, porém, não informa para qual país ou países essas 55.993 toneladas serão posteriormente direcionadas.

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Brasil tinha 14% da cota americana

A parcela brasileira vinha se mantendo em torno de 155,9 mil toneladas nos últimos anos.

No ano fiscal de 2026, o Brasil recebeu 155.993 toneladas, equivalentes a aproximadamente 14% de toda a cota de açúcar bruto estabelecida pelos Estados Unidos. A mesma quantidade havia sido destinada ao país nos anos fiscais de 2023, 2024 e 2025.

Com a nova alocação de 100 mil toneladas, a participação brasileira cai para cerca de 9% do volume total.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, o que torna o mercado americano relativamente pequeno diante das vendas globais do setor. Ainda assim, as cotas dos Estados Unidos são relevantes porque permitem acesso em condições tarifárias mais favoráveis a um mercado altamente protegido.

Leia também: EUA confirmam tarifa de 25% contra produtos brasileiros; investigação da USTR acusa Brasil de “práticas desleais”

Decisão ocorre em meio a novas tarifas de Trump

A redução da cota ocorre poucas semanas depois de o governo de Donald Trump ampliar as barreiras comerciais contra produtos brasileiros.

Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos do Brasil, incluindo o açúcar, como parte de uma investigação conduzida pelo USTR sob a Seção 301 da legislação americana.

As duas medidas têm mecanismos diferentes. A cota determina quanto açúcar pode entrar sob a tarifa preferencial do sistema da OMC, enquanto as tarifas adicionais impostas pelo governo Trump podem incidir sobre as importações brasileiras independentemente desse limite.

O setor sucroenergético brasileiro já vinha sentindo uma redução nas vendas aos Estados Unidos. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 420 mil toneladas de açúcar ao mercado americano, ante aproximadamente 1,12 milhão de toneladas no ano anterior.

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