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Ex-dirigente do BRB diz à PF que operações com o Master foram vistas como “oportunidade de mercado”
Publicado 29/01/2026 • 21:19 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 29/01/2026 • 21:19 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que as operações realizadas com o Banco Master foram avaliadas, à época, como uma “oportunidade de mercado”, dentro de uma estratégia de crescimento que, segundo ele, não seria sustentável no longo prazo.
“A gente avaliava isso como oportunidade de mercado. A gente não ia manter um crescimento assim para sempre”, disse Costa.
Segundo o ex-dirigente, o volume de contratos adquiridos junto ao Master representava cerca de 10% da carteira total do BRB, tanto em quantidade de contratos quanto em recursos financeiros. “Talvez isso fosse 10% em termos de quantidade de contratos”, afirmou, acrescentando que os R$ 12 bilhões envolvidos também correspondiam a aproximadamente 10% de acréscimo na operação do banco.
Costa relatou que, durante as negociações para uma eventual operação societária com o Master, houve exclusão relevante de ativos. “A oferta final fazia exclusão significativa dos ativos do banco. Dois terços, mais ou menos”, disse.
Entre os ativos excluídos, ele citou precatórios, determinadas operações de crédito a pessoas jurídicas sem garantias reais ou com partes relacionadas, ações de empresas e operações intragrupo. “Existiam muitas operações entre empresas do grupo Master”, afirmou.
Questionado sobre diligências, Costa disse que não foi identificado, naquele momento, o uso de outra originadora nos créditos consignados. “Não foi um achado”, declarou.
O ex-presidente do BRB confirmou que, no primeiro semestre de 2025, praticamente a totalidade das cessões de carteira do banco envolvia o Master. “Naquele momento, eu diria que praticamente a totalidade”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia mudou quando o banco passou a entender que não seria possível sustentar aquele ritmo. “A gente não teria condição nenhuma de manter dois, três anos de compras naquele volume”, disse. O foco, então, passou a ser a substituição das carteiras para mitigar riscos.
“Nós fizemos um movimento, identificamos a necessidade de substituição dali para frente. O nosso foco foi essencialmente executar essa substituição, ou seja, mitigar o risco, reduzir o risco para o BRB”, afirmou.
Costa disse que o uso de cessões de crédito como forma de levantar liquidez não era incomum no mercado financeiro. “Foi uma estratégia do Master de obter liquidez por meio de cessão de crédito, como outros bancos fazem, inclusive o próprio BRB”, afirmou.
Segundo ele, o impacto dessas operações sobre a liquidez do Master não foi considerado determinante na tomada de decisão do BRB. “O cuidado era com o BRB”, disse.
No processo de substituição, o BRB recebeu diferentes tipos de ativos, incluindo imóveis, ações e fundos. Costa destacou uma operação específica, de cerca de R$ 2 bilhões, envolvendo um fundo lastreado em ações da Ambipar.
“Em 2024, a Ambipar teve uma valorização bastante atípica, chegou a ter 700%, 800% de valorização”, afirmou. Segundo ele, havia um mecanismo de proteção. “A gente tinha cota de um fundo que era a ação mais o hedge”, disse.
Costa afirmou que parte desse ativo foi revendida ao próprio Master. “A gente revendeu para o Master”, disse, acrescentando que a operação não gerou prejuízo ao BRB. “Isso acabou não gerando um prejuízo para o BRB.”
Questionado sobre créditos originados pela Tirreno, Costa afirmou que o BRB só tomou conhecimento de que esses créditos haviam sido originados por terceiros em maio. “Nós tivemos conhecimento de que tinham sido originados na Cartus somente em maio”, disse.
Segundo ele, a informação de que esses créditos teriam sido vendidos a outros fundos só foi conhecida durante o inquérito. “Somente no inquérito, na leitura do inquérito”, afirmou.
Costa disse que o BRB reportava semanalmente — e em alguns momentos, diariamente — as cessões de crédito ao Banco Central durante o período de tentativa de aquisição do Master.
Sobre a medida prudencial aplicada pelo BC em outubro de 2025, afirmou que ela determinou a suspensão de novas cessões com pagamento líquido ao Master, mas permitiu a continuidade das substituições de ativos. “Ela concedia um prazo de 30 dias para que o banco fizesse um plano de ação e dava um prazo de seis meses para que fosse feita uma auditoria”, disse.
Segundo Costa, o banco comunicou ao BC, em 25 de maio, que havia parado de realizar novas cessões e iniciado processos de auditoria e substituição. “O banco central solicitou que fizéssemos o mais rápido possível”, afirmou.
O ex-dirigente afirmou que o BRB recusou carteiras tanto no processo de cessão quanto no de substituição. “Foram R$ 2,6 bilhões de carteira recusada no processo normal de compra e aproximadamente R$ 4 bilhões de ativos recusados no processo de substituição”, disse.
Segundo ele, os ativos substituídos e imóveis recebidos passaram por avaliações independentes e tiveram deságios relevantes. “A gente aplicou aproximadamente R$ 2 bilhões de deságio nas carteiras substituídas”, afirmou, estimando que o total de deságios tenha ficado entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões.
Ao final, Costa reafirmou que as operações foram encaradas como uma decisão estratégica. “Na nossa visão, uma oportunidade”, disse. Segundo ele, o foco estava em ampliar a rentabilidade do banco. “Quando a gente olhou para o produto cartão de crédito consignado, a análise estratégica foi de que a gente tinha uma forma de aumentar a nossa rentabilidade com um produto conhecido”, afirmou.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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