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Mudanças climáticas podem custar R$ 11 trilhões ao Brasil até 2050, aponta EY
Publicado 16/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 16/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O custo acumulado da inação climática no Brasil pode chegar a R$ 11 trilhões até 2050, segundo estudo da EY. A projeção reforça o impacto econômico das mudanças climáticas sobre o país e, em especial, sobre o agronegócio.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Ricardo Assumpção, sócio-líder de sustentabilidade e CSO Latam da EY, afirmou que os impactos do clima já devem ser tratados como um fator direto de risco financeiro.
“Risco climático é risco financeiro”, disse. “Esses riscos são enormes, uma vez que o agronegócio representa 30% do PIB brasileiro.”
Segundo Assumpção, o estudo Top 10 Agro da EY mostra que as mudanças climáticas aparecem como o risco número um para o agronegócio brasileiro. O setor já enfrenta eventos extremos, desafios no acesso à água, aumento de custos e novas exigências de mercado.
Ele afirmou que a cadeia do agro precisa se adaptar aos impactos já observados e se preparar para um cenário que tende a piorar nos próximos anos.
“A tendência não é de melhora para os próximos anos. A tendência é até de piora do cenário”, afirmou.
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Assumpção disse que as principais barreiras de sustentabilidade para o crescimento do agro passam por riscos físicos, rastreabilidade, logística e competitividade comercial.
Segundo ele, adaptar o setor significa investir em tecnologia, ampliar o uso de dados climáticos e melhorar a rastreabilidade para reduzir perdas e antecipar impactos financeiros.
“Adaptar é trazer tecnologia, é melhorar a rastreabilidade, é conseguir usar mais dados climáticos para cenários financeiros, para que a gente consiga diminuir as perdas”, disse.
O executivo afirmou que a sustentabilidade também pode se tornar uma condição de acesso a mercados internacionais, assim como ocorre em crises sanitárias.
“Sustentabilidade também pode ser impeditivo para acessar mercados importantes”, afirmou.
Assumpção também comentou a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de retirar a obrigatoriedade de reporte de dados de sustentabilidade para empresas de capital aberto. Para ele, a mudança não deve levar as companhias a reduzir padrões internos.
“Esse passo para trás na CVM, em deixar de ser obrigatório o reporte de sustentabilidade, não alivia muito para as empresas”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCSegundo o executivo, a transformação das empresas e a comprovação de rastreabilidade seguem essenciais para o acesso a mercados e para a credibilidade do Brasil.
“O que a gente tem orientado o mercado é: não deixe a régua baixar, porque isso vai afetar competitividade”, disse.
Para Assumpção, a sustentabilidade é um dos grandes ativos do Brasil, mas precisa ser comprovada com dados e gestão de indicadores socioambientais.
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O estudo da EY mostra que, quanto mais o mundo se afasta da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, maior tende a ser o custo econômico da inação. Assumpção comparou esse limite a um “break even climático”.
“A gente está longe do 1,5°C”, afirmou.
Segundo ele, a projeção indica que o custo de não agir até 2050 pode se aproximar do tamanho do PIB brasileiro.
“O mesmo custo que a gente vai ter de não agir será o tamanho do PIB do Brasil. Ou seja, é muita coisa”, disse.
Assumpção afirmou que 2050 está próximo para a implementação das mudanças necessárias, especialmente em setores intensivos e expostos ao clima, como o agronegócio.
Para o executivo, a agenda climática deve ser tratada como uma agenda econômica. Ele afirmou que perdas de safra, aumento de custos e choques na produção afetam diretamente o PIB e o bolso do consumidor.
“Esse é um risco que gera custo todo ano”, disse. “Afeta o PIB brasileiro, afeta a economia e afeta o bolso do consumidor, uma vez que as perdas ou a quebra de safra afetam o custo do alimento.”
Assumpção defendeu que empresas organizem dados, identifiquem vulnerabilidades e adotem um planejamento climático de longo prazo.
“Não precisa fazer tudo de uma vez, mas é importante ter um planejamento claro e fazer o necessário a cada momento”, afirmou.
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