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Com juros estáveis, Fed revela racha às vésperas de troca no comando e tensiona mercados
Publicado 29/04/2026 • 16:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/04/2026 • 16:10 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Reprodução CNBC
Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, durante coletiva de imprensa no dia 28 de janeiro de 2026.
A decisão do Federal Reserve de manter os juros terminais dos EUA entre 3,5% e 3,75% veio dentro do esperado, mas expôs um racha incomum dentro da autoridade monetária em um momento já tensionado por inflação persistente e incertezas globais.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o resultado refletiu um ambiente naturalmente mais volátil, mas a intensidade da divisão surpreendeu. Ele destaca que, além do voto isolado de Stephen Miran por um corte de 0,25 ponto percentual, houve desconforto explícito de parte dos dirigentes com a sinalização de flexibilização no comunicado, algo que reforça o grau de incerteza sobre os próximos passos da política monetária.
Esse cenário ganha outra camada com a iminente troca de comando. A possível chegada de Kevin Warsh ao lugar de Jerome Powell tende a alterar o equilíbrio interno do comitê, aproximando a condução da política de uma visão mais inclinada a cortes, o que adiciona imprevisibilidade à trajetória dos juros.
“No mais, o comunicado se adequou ao esperado, com a autoridade reconhecendo o avanço da inflação por conta dos preços globais de energia, adicionando incerteza sobre o conflito no Oriente Médio”, comenta.
Na leitura de Leonel Olivera Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, o placar mais dividido desde 1992 revela uma dispersão relevante de diagnósticos dentro do Fed. Parte dos membros já enxerga espaço para uma trajetória de queda, enquanto outros resistem a qualquer sinalização mais clara nesse sentido diante dos riscos inflacionários ainda elevados.
A inflação, aliás, permanece como o eixo central do debate. “O avanço recente dos preços de energia, em meio às tensões no Oriente Médio, reforça a cautela e limita o espaço para cortes no curto prazo, explica “O aumento dos preços de energia, em particular, tende a dificultar o trabalho do Fed e reduzir o espaço para cortes de juros enquanto esse ambiente persistir”, explica Mattos. Esse pano de fundo também explica a expectativa de manutenção dos juros por mais tempo, com impacto direto sobre os rendimentos dos Treasuries e o fluxo global de capitais, favorecendo o dólar.
O quadro atual não sustenta nem um afrouxamento imediato nem um novo ciclo de aperto, diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital. Com inflação acima da meta há anos, núcleo ainda pressionado e mercado de trabalho resiliente, a estratégia dominante segue sendo a de esperar e observar.
O choque dos preços do petróleo recente nos preços adiciona ruído às expectativas e dificulta a leitura sobre a natureza da inflação, se transitória ou mais persistente. “A variável que conecta tudo, no fim, é o petróleo. Se Powell sinalizar que o impacto inflacionário do choque é transitório, o mercado lê dovish”, disse. É justamente essa ambiguidade que prende o Fed em uma espécie de limbo, onde agir cedo demais ou tarde demais pode custar caro.
“Para o Brasil, o impacto é direto em três frentes. Primeiro, juros altos nos EUA mantêm o dólar mais forte globalmente e pressionam moedas emergentes. Segundo, dificultam cortes mais rápidos da Selic, já que o diferencial de juros segue relevante para fluxo estrangeiro. Terceiro, aumentam seletividade para ativos de risco, como Bolsa e crédito privado”, diz Leonardo Baldez, economista e CEO do Grupo ISF.
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