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Gleisi Hoffmann diz que mercado financeiro tem “DNA do autoritarismo”

Publicado 02/11/2026 • 15:13 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Gleisi Hoffmann afirmou no X que “praticamente todos” no mercado financeiro são “bolsonaristas de carteirinha”.
  • A publicação veio depois da notícia de que Lula poderia conversar com André Lara Resende, autor de uma proposta para baixar a Selic de 13,75% para 7,5% ao ano em 12 meses.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que haja reunião marcada entre o presidente e o economista.

A ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann, cotada para assumir um ministério no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atacou o mercado financeiro em uma publicação no X. Para ela, o setor “tem o DNA do autoritarismo” e apoiou Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano.

O texto responde ao nervosismo de investidores com a notícia de que Lula poderia receber o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Gleisi lembrou que integrantes do governo já haviam negado o encontro, mas perguntou: “E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la.”

Na mesma publicação, ela mencionou um analista do mercado que teria garantido que Flávio venceria e cometeria “estelionato eleitoral”, termo usado para quem abandona as promessas de campanha depois de eleito. Segundo Gleisi, Lula venceu denunciando o “tesouraço” do adversário, e o presidente afirmou em vídeo, na véspera da postagem, que não descumprirá o que prometeu.

A proposta de Lara Resende

Lara Resende publicou em 25 de setembro um artigo em que sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir metas de crescimento, inflação e juros para os próximos anos.

O ponto de partida é a Selic, a taxa básica de juros da economia, que serve de referência para o custo do crédito no país. A ideia é reduzir a taxa gradualmente, dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano, em um período de 12 meses. O economista defende que o maior peso sobre a dívida pública brasileira não vem do resultado primário (a diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar os juros), mas do custo financeiro da própria dívida.

De acordo com o site Termômetro da Política, investidores veem na possibilidade de o governo discutir a proposta um risco de interferência na autonomia do Banco Central e de descontrole das expectativas de inflação. No domingo (1º), Gleisi já havia compartilhado o artigo e afirmado que o texto é “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista” dos mercados contra a agenda fiscal do governo.

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Fazenda nega encontro

A informação sobre a reunião foi publicada pelo jornal O Globo, que disse que Lula receberia o economista ainda nesta semana. O ministro da Fazenda, Dario Durigan negou: “Não existe agenda marcada entre o presidente Lula e André Lara Resende.” O ministro também disse que a Fazenda não prepara nenhuma proposta do economista para levar ao presidente.

Dentro do PT, Lara Resende recebeu outro aceno. José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, elogiou a ideia do conselho em um documento de 11 páginas.

PCC, Polymarket e reservas

Na postagem, Gleisi dividiu o mercado em grupos. Falou de uma ala “associada ao PCC”, alvo de investigações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Gaeco de São Paulo, e da “turma das apostas no Polymarket”, plataforma em que se aposta no resultado de eventos. Também atribuiu a especuladores as perdas bilionárias registradas na segunda-feira seguinte à eleição.

Para rebater a imagem de Lula como “gastador irresponsável”, Gleisi lembrou que o presidente quitou a dívida contraída com o FMI no governo Fernando Henrique Cardoso e acumulou cerca de US$ 290 bilhões em reservas internacionais. Ela pediu que o mercado olhasse para os déficits acumulados no governo de Jair Bolsonaro e escreveu que Lula “não precisa provar ou se explicar pro mercado financeiro”.

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