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Incerteza sobre futuro profissional atinge 43% dos trabalhadores brasileiros

Publicado 09/06/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A forma como o trabalhador brasileiro enxerga o futuro profissional continua marcada por uma combinação de pragmatismo e insegurança.
  • Segundo a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 43% dos brasileiros não sabem em qual ocupação estarão daqui a cinco anos.
  • A flexibilidade de horário foi citada por 19,3% dos entrevistados, enquanto a possibilidade de trabalhar de casa aparece com 15,9%. Já a jornada reduzida ficou em último lugar, com 9,8%.
Incerteza sobre futuro profissional atinge 43% dos trabalhadores brasileiros, diz pesquisa

Foto: Shutterstock

Salário é principal fator na escolha de emprego para 28,7% dos brasileiros, aponta estudo

A forma como o trabalhador brasileiro enxerga o futuro profissional continua marcada por uma combinação de pragmatismo e insegurança.

De um lado, há uma forte valorização de elementos tradicionais, como salário e estabilidade. Do outro, cresce a dificuldade de projetar a própria trajetória profissional em médio prazo.

Segundo a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 43% dos brasileiros não sabem em qual ocupação estarão daqui a cinco anos.

O dado evidencia um cenário de incerteza em meio às transformações do mercado de trabalho, especialmente impulsionadas pela tecnologia e pelas mudanças nas formas de contratação.

Leia também: Salário é fator principal na escolha de emprego para 28,7% dos brasileiros; entenda

Salário segue como principal prioridade

Apesar das discussões sobre novas dinâmicas de trabalho, como home office e flexibilidade, o que mais pesa na escolha do emprego ideal ainda é o retorno financeiro. De acordo com o levantamento, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como principal fator na decisão profissional.

Em seguida, aparece a estabilidade no emprego, citada por 22,4% dos participantes. Logo depois, 20,1% destacam a perspectiva de crescimento na carreira como elemento decisivo. Esses dados reforçam que, na prática, a segurança financeira e a previsibilidade ainda ocupam o centro das decisões profissionais no país.

Flexibilidade perde espaço no ranking de prioridades

Embora tenha ganhado força nos últimos anos, o modelo de trabalho mais flexível não lidera as preferências. A flexibilidade de horário foi citada por 19,3% dos entrevistados, enquanto a possibilidade de trabalhar de casa aparece com 15,9%. Já a jornada reduzida ficou em último lugar, com 9,8%.

Nesse contexto, a pesquisa mostra que, mesmo com a consolidação de novos formatos de trabalho, eles ainda não superam os fatores tradicionais quando o assunto é escolha de carreira.

CLT ainda é vista como referência de segurança

O estudo também indica que o vínculo formal segue sendo altamente valorizado. Mais de um terço dos trabalhadores que buscaram emprego recentemente afirmaram preferir vagas com carteira assinada. Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse percentual cresce para 41,4%.

Esse comportamento reforça a associação entre o regime CLT e a ideia de estabilidade, previsibilidade de renda e proteção trabalhista, fatores que continuam influenciando diretamente as escolhas profissionais.

Obstáculos ainda limitam o avanço na carreira

Além das preferências, a pesquisa também identificou os principais entraves enfrentados pelos trabalhadores. A falta de vagas com boas condições aparece como o maior desafio, citado por 22% dos entrevistados.

Na sequência, surgem a falta de experiência prática (17,6%) e a ausência de cursos de qualificação na região onde vivem (16,9%). Também chamam atenção fatores sociais e estruturais, como a necessidade de cuidar de familiares (16,1%), além da falta de informação sobre vagas e situações de discriminação no mercado.

Incerteza cresce com mudanças tecnológicas

De acordo com especialistas da CNI, esse cenário de indefinição está diretamente ligado ao ritmo das transformações tecnológicas. A rápida evolução de ferramentas digitais e a automação de processos têm gerado insegurança sobre quais profissões vão se manter relevantes no futuro.

Nesse ambiente, a dificuldade de adaptação aparece como um dos principais pontos de atenção para trabalhadores de diferentes faixas etárias.

Leia também: Salário e estabilidade superam home office e flexibilidade na lista de prioridades do trabalhador brasileiro, mostra pesquisa da CNI

Satisfação alta, mas lacunas digitais preocupam

Mesmo diante das incertezas, o levantamento mostra um dado positivo: 95% dos entrevistados afirmam estar satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos.

Por outro lado, o estudo revela um desafio importante para o mercado de trabalho brasileiro. Apenas 44,5% da população domina habilidades digitais mais complexas, como uso de inteligência artificial, planilhas avançadas e configuração de sistemas. Esse déficit evidencia uma lacuna crescente em um ambiente cada vez mais digitalizado.

Em meio a esse contraste, o trabalhador brasileiro segue equilibrando satisfação no presente com dúvidas em relação ao futuro profissional.

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