Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Indústria elogia corte da Selic, mas critica juros restritivos que travam crédito e investimentos
Publicado 05/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 3 meses
Ameaças falsas de bomba contra voos desafiam autoridades da Europa e cada desvio pode custar até US$ 250 mil a uma companhia aérea
Trump diz que EUA fizeram “ataques menores” ao Irã enquanto mísseis atingem a ilha de Qeshm
Microsoft planeja reduzir parcerias com empresas de neocloud em meio a sinais de desaceleração nos investimentos em infraestrutura de IA
Suspeito de espionagem da OpenAI se declara inocente
Trump anuncia Stephen Miller como substituto de Susie Wiles no cargo de chefe de gabinete da Casa Branca
Publicado 05/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Arquivo Nacional
A redução da Selic para 14% ao ano foi recebida de forma positiva por entidades empresariais nesta quarta-feira (5), mas a avaliação predominante é de que o nível dos juros continua alto o suficiente para limitar investimentos, encarecer o crédito e pressionar empresas e consumidores.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14%, no quarto corte consecutivo da mesma magnitude. A decisão foi unânime.
Apesar da continuidade da flexibilização, o Banco Central reforçou no comunicado que seguirá agindo com cautela diante da desancoragem das expectativas de inflação, das incertezas fiscais e dos riscos associados ao petróleo, ao cenário internacional e a fatores climáticos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como acertada, mas afirmou que a Selic continua em um patamar que agrava as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Segundo a entidade, o crédito caro compromete investimentos das empresas e também pesa sobre a renda das famílias, em um momento de endividamento elevado.
A CNI calcula que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima do nível indicado pela Regra de Taylor, metodologia usada pela entidade para estimar uma taxa compatível com o controle da inflação sem um aperto excessivo da atividade. Pela conta da confederação, essa taxa estaria em torno de 10,4%.
A entidade também observa que a inflação corrente vem perdendo força. O IPCA-15 acumulou alta de 4,52% em 12 meses até julho, abaixo dos 4,8% observados anteriormente.
Leia também: Copom reduz taxa de juros para 14% ao ano; redução de 0,25 p.p. da Selic é a quarta seguida do BC
A confederação também chamou atenção para os efeitos dos juros sobre o caixa das empresas.
Pesquisa citada pela entidade aponta que 53% das companhias esperam aumento da necessidade de financiamento para contas a pagar nos próximos três meses. Outros 47% projetam maior pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques.
Entre as empresas que precisarão de mais capital, mais de 55% esperam encarecimento do crédito e cerca de 39% projetam aumento do endividamento bancário.
A CNI afirma ainda que 58% das empresas consultadas preveem redução das margens líquidas.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que a manutenção dos juros em nível elevado continua produzindo efeitos sobre empresas, famílias e contas públicas.
A entidade ressaltou que a Selic representa apenas a taxa básica, enquanto o crédito efetivamente contratado por empresas e consumidores é muito mais caro.
Segundo a Fiesp, taxas para pessoas jurídicas podem chegar a 30% ao ano, enquanto o crédito para pessoas físicas supera 60% em algumas modalidades.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também associou o nível dos juros ao quadro fiscal.
“Soma-se aos juros altos a gastança desmedida do governo. A consequência é dívida pública atingindo 82% do PIB e ultrapassando a marca dos R$ 10,8 trilhões”, afirmou.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCSegundo Skaf, o custo dessa dívida, fortemente influenciado pela Selic, gera encargos superiores a R$ 1 trilhão por ano e aumenta a pressão sobre as contas públicas.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também considerou o corte positivo, mas insuficiente para neutralizar os efeitos acumulados dos juros elevados sobre produção, investimento e emprego.
Para a entidade, um ciclo mais consistente de redução da Selic depende também de uma melhora do ambiente fiscal.
“A estabilidade de preços é indispensável para o crescimento sustentável da economia. O processo precisa ocorrer com menor custo para a produção, os investimentos e o emprego”, afirmou João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg.
A federação avalia que políticas fiscais expansionistas e programas de crédito subsidiado podem reduzir a eficácia da política monetária quando não são acompanhados de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.
Leia também: Inflação e câmbio favorecem corte da Selic, mas trajetória dependerá do fiscal
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também recebeu positivamente a redução, mas ressaltou que o custo do capital permanece elevado.
Segundo a entidade, juros altos postergam investimentos, dificultam a modernização das empresas e reduzem a capacidade do setor produtivo de ganhar competitividade.
A Firjan citou como exemplo o desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre, segundo dados do IBGE mencionados pela entidade.
Para a federação, novos cortes precisam vir acompanhados de avanços no equilíbrio fiscal, redução dos prêmios de risco e continuidade das iniciativas para diminuir o chamado Custo Brasil.
A Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) avaliou que havia espaço para uma redução mais intensa da Selic.
Segundo a entidade, juros elevados afetam tanto o lado empresarial quanto o consumo.
Empresas encontram maior dificuldade para financiar estoques, capital de giro e folha de pagamento, enquanto consumidores tendem a adiar compras, viagens e gastos com serviços.
Na avaliação da federação, essa combinação aumenta as despesas financeiras das empresas ao mesmo tempo em que pode reduzir as receitas.
O Banco Central evitou indicar no comunicado desta quarta-feira qual será o próximo passo.
O Copom afirmou que a magnitude total do ciclo dependerá da evolução dos dados e destacou que os riscos para a inflação continuam acima do normal, com maior peso para possíveis surpresas de alta.
Entre os fatores monitorados estão a inflação de serviços, as expectativas acima da meta, a política fiscal, o comportamento do câmbio, a alta do petróleo e os efeitos climáticos sobre alimentos e energia.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Celular de Vorcaro tem 316 registros com Moraes e indica possível encontro antes da prisão
2
Antes de virar alvo de operação do Ministério Público do PR, QI Tech já havia sofrido derrota na Justiça em processo sobre pirâmide financeira
3
Fundos ligados à QI Tech entram no radar de operação contra lavagem e sonegação
4
QI Tech, ligada a fundos investigados por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, já foi citada em negociações envolvendo Master e Reag
5
‘Master paraguaio’: Santiago Peña pede mais 72 horas para apresentar defesa em processo de impeachment no Paraguai