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Inflação e câmbio favorecem corte da Selic, mas trajetória dependerá do fiscal
Publicado 05/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 05/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (5), levando os juros básicos para 14% ao ano. Na avaliação de Eduardo Velho, sócio-estrategista da Bravonte Capital, o cenário de desaceleração da inflação e a estabilidade do câmbio abrem espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, embora a política fiscal continue sendo um fator de atenção.
Segundo o especialista, a recente desaceleração da inflação foi favorecida, entre outros fatores, pela acomodação dos preços do petróleo após meses de forte volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio. “Tivemos aí, a partir de março, o início do conflito no Oriente Médio e houve realmente um choque de oferta, típico, de alta aceleração dos preços médios do petróleo”, afirmou.
O estrategista destacou que, apesar da disparada da commodity ter elevado as expectativas de inflação em diversas economias, o Brasil conseguiu absorver melhor esse impacto por ser exportador líquido de petróleo.
Outro fator apontado por Eduardo foi o comportamento do câmbio. Segundo ele, a manutenção do dólar em patamares inferiores a R$ 5,20 contribuiu para reduzir pressões inflacionárias. “O dólar hoje está abaixo de R$ 5,20. Esse é um ponto importante para a decisão do Copom. Não houve uma aceleração do dólar, muito pelo contrário, o dólar está bem comportado”, explicou.
Leia também: Corte de juros deve continuar, mas petróleo preocupa Copom
Na avaliação dele, a combinação entre inflação mais moderada, desaceleração da atividade econômica e a decisão do Banco Central de ampliar o horizonte de convergência da meta inflacionária para 2028 cria condições para mais um corte na Selic.
O estrategista observou que, embora a inflação de 2027 ainda deva permanecer próxima ao teto da meta, a trajetória esperada é de desaceleração nos anos seguintes. “Mesmo que a inflação de 2027 esteja mais próxima do teto da meta, o importante é que a inflação vai ser decrescente ao longo de cada ano.”
Apesar do ambiente mais favorável para a política monetária, o estrategista ressaltou que o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos. Ainda assim, considera que esse fator não deve impedir a continuidade do ciclo de redução dos juros. “O foco do Banco Central é a inflação. (…) Se a inflação consegue desacelerar ou pelo menos ter uma trajetória decrescente em 12 meses, 2026 para 2027 e 2028, a princípio, o Banco Central, no curto prazo, tem um relativo conforto, que há espaço para cair os juros.”
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Siga o Times | CNBCPara os investidores, Eduardo avalia que o cenário atual favorece especialmente as aplicações em renda fixa. Segundo ele, a expectativa de novas reduções da Selic tende a valorizar os títulos públicos.
Leia também: Ata do Copom divide analistas sobre o futuro dos juros e eleva incerteza no mercado
Embora enxergue espaço para o início do ciclo de flexibilização monetária, Velho pondera que o elevado custo da dívida pública e a situação fiscal continuam sendo os principais desafios para a economia brasileira. “A questão da taxa de juros no Brasil continua historicamente muito elevada. (…) O governo paga hoje títulos de longo prazo com juro real de até 8,4% a 8,5% ao ano. É um juro insustentável ao longo do tempo.”
Na avaliação do estrategista, o próximo governo precisará enfrentar reformas estruturais para reduzir a rigidez das despesas públicas e melhorar o equilíbrio das contas fiscais. “O governo vai ter que fazer alguma coisa. (…) A situação fiscal é o grande desafio que eu acho que o mercado e os ativos financeiros vão cobrar em 2027. Em algum momento isso vai ser cobrado.”
Apesar desse cenário, Velho considera que a posição externa do Brasil continua sendo um fator de sustentação para a economia. “O Brasil tem uma posição cambial de mais de 260 bilhões de dólares. (…) O Brasil é exportador líquido de petróleo. Quando aumenta o preço do petróleo, ele se beneficia com mais receita em dólar e contribui para valorizar o real.”
Para o estrategista, enquanto não houver avanços na agenda fiscal, o processo de redução da Selic deverá ocorrer de forma gradual. “Eu acho que a taxa de juros tem que cair lentamente, realmente, enquanto não for resolvido ainda esse embrólio fiscal que o próximo governo, qualquer que seja, vai ter que assumir e ajustar.”
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