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Indústria química cresce 22,8% no trimestre e recupera fôlego em 2026

Publicado 25/05/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A indústria química brasileira mostrou forte recuperação no 1º trimestre de 2026, com alta de 22,8% na produção e 22,7% nas vendas internas em relação ao fim de 2025.
  • A queda de 19,1% nas importações ajudou a fortalecer a produção nacional, elevando a participação da indústria brasileira no abastecimento interno de 42% para 56%.
  • Apesar da melhora recente, o setor ainda acumula queda anual na produção e vendas, e a Abiquim alerta que custos altos de energia e matérias-primas continuam sendo um desafio para crescimento sustentável.

Jonathan Campos/AEN

Indústria química

A produção da indústria química cresceu 22,8% no acumulado dos três primeiros meses do ano, na comparação com o fim de 2025. As vendas no mercado interno acompanharam esse ritmo e subiram 22,7% no mesmo período. Os dados são do Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Para o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, o desempenho do trimestre representa uma recomposição importante após a forte deterioração observada no segundo semestre de 2025. “O primeiro trimestre de 2026 trouxe um fôlego importante para a indústria química brasileira, mas ainda estamos longe de um cenário estruturalmente equilibrado e competitivo”, afirma.

Essa recuperação, na visão da instituição, relaciona-se com a diminuição das importações. As importações de produtos químicos recuaram 19,1% no trimestre, e a fatia da produção nacional no abastecimento interno saltou de 42% em dezembro de 2025 para 56% em março de 2026.

Todos os segmentos de produtos observados pelo RAC registraram avanço na produção nos primeiros meses de 2026. Os destaques foram os intermediários para plásticos, com alta de 26% em março ante fevereiro, e os intermediários para fertilizantes, com crescimento de 10,6% no mesmo período. As resinas termoplásticas (presentes em embalagens, construção e automóveis) avançaram 4%, chegando a 70% de utilização da capacidade instalada.

Outro ponto destacado pela Abiquim é o fato de que, em dezembro de 2025, apenas 49% da capacidade do setor estava sendo usada. Em março de 2026, esse número saltou para 63%, um avanço de 14 pontos porcentuais em três meses.

A leitura da Abiquim é de que as medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro – como a Lista de Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (DCC) e instrumentos antidumping – funcionaram como escudos contra a entrada de produtos a preços considerados pelo setor “artificialmente baixos”.

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“O desempenho da setor químico é fruto das medidas acertadas do governo federal desde 2025, sem gerar impacto inflacionário. Não podemos reduzir os instrumentos de defesa comercial justamente no momento em que eles começam a produzir resultados concretos para a indústria nacional”, afirma Cordeiro.

Apesar disso, na comparação do primeiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025, produção e vendas ainda recuaram 4,1%. Nos últimos doze meses até março de 2026, a produção caiu 7% e as vendas internas encolheram 8,2%. A leitura da associação é de que a recuperação trimestral é real, mas ainda não reverteu a tendência de médio prazo.

O relatório aponta ainda um conjunto de condições necessárias para que o setor cresça de forma sustentável. Energia elétrica e gás natural competitivos são fundamentais para consolidar a recuperação da indústria química, segundo o relatório.

“Sem resolver o custo das matérias-primas e da energia, será muito difícil transformar essa reação conjuntural em um ciclo sustentável de crescimento e investimento industrial”, afirma o presidente-executivo da Abiquim.

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