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Judiciário

PF liga Vorcaro a estrutura financeira usada por investigados do PCC

Publicado 12/09/2026 • 09:30 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Trustee e diretor Artur Martins de Figueiredo eram ponto de encontro entre os dois grupos investigados
  • Ascendino Madureira Garcia repassava a Artur ordens atribuídas a Vorcaro, segundo a PF
  • Fundos, empresas e SPEs criavam camadas para ocultar patrimônio de beneficiários finais
Primo e Beto Louco

Foto: Reprodução

Primo e Beto Louco

Documentos da Polícia Federal apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e empresários investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis recorriam à mesma estrutura financeira para movimentar dinheiro e ocultar patrimônio.

O ponto de encontro entre os dois grupos era a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e seu diretor, Artur Martins de Figueiredo, segundo documentos enviados à 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O sigilo desses documentos foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal nesta semana.

A conexão surgiu durante a Operação Quasar, que apurava o uso de fundos para esconder bens atribuídos a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e a Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Os dois são apontados como responsáveis por um esquema no setor de combustíveis.

Leia também: O que é o BZLI11, fundo imobiliário que levou Daniel Vorcaro a ser condenado pela CVM

PF encontra ordens atribuídas a Vorcaro

Ao analisar o celular apreendido de Artur, a PF encontrou conversas sobre operações ligadas ao Banco Master. As mensagens mostram Ascendino Madureira Garcia, conhecido como Dino, repassando a Artur ordens atribuídas a Vorcaro.

De acordo com a PF, Ascendino funcionava como intermediário. Ele recebia as demandas do banqueiro e cobrava de Artur a execução técnica das operações por meio dos fundos administrados pela Trustee.

A PF descreveu o caminho das determinações da seguinte forma. Vorcaro seria o beneficiário final das operações, Ascendino atuaria como intermediário e Artur seria o responsável pela execução técnica e pela formalização dos documentos nos fundos administrados pela Trustee.

Em uma das mensagens, após receber uma planilha com a rede de fundos, empresas e cotistas envolvidos nas operações, Ascendino respondeu com uma figurinha de Leonardo DiCaprio no filme “O Lobo de Wall Street”.

Para os investigadores, as conversas indicam o uso de fundos e empresas para fazer ajustes contábeis, alterar avaliações de ativos e dar aparência legítima a transações financeiras sob suspeita.

A defesa de Mohamad já afirmou, em nota sobre as acusações da Operação Carbono Oculto, que as investigações apresentam fatos não comprovados dentro de uma narrativa que classifica como desconexa da realidade. A defesa de Beto Louco declarou que vai demonstrar a improcedência das acusações.

Os dois foram denunciados por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em esquema de R$ 1 bilhão e são considerados foragidos.

Mesma engrenagem financeira nos dois núcleos

A Operação Quasar investigava a suspeita de que fundos administrados pela Trustee, pela Reag e pela antiga Ruby Capital eram usados para esconder a propriedade de imóveis, empresas e outros ativos.

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De acordo com a PF, parte desses fundos fazia negócios com empresas atribuídas a Mohamad e a pessoas ligadas a ele. O empresário é apontado como parceiro de Beto Louco no controle de empresas do setor de combustíveis, entre elas a Aster Petróleo e a Copape.

A investigação aponta Beto Louco como integrante do PCC e proprietário de fato do grupo econômico. Mohamad, por sua vez, atuaria no núcleo operacional do esquema.

Segundo a PF, os recursos do setor de combustíveis eram transferidos para fundos de investimento e empresas colocadas em diferentes camadas. Com isso, os bens deixavam de aparecer diretamente em nome dos beneficiários e passavam a pertencer formalmente aos fundos.

A Trustee, dirigida por Artur, administrava parte dos fundos apontados como instrumentos dessa blindagem patrimonial. Foi durante o cumprimento das buscas da Operação Quasar que a PF apreendeu o celular de Artur, o que deu origem a um novo relatório policial sobre o Banco Master.

Até aquele momento, as duas investigações tinham objetos distintos. Uma apurava a lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e a outra investigava operações financeiras do Banco Master. A descoberta das mensagens levou a PF a pedir o compartilhamento das provas entre os dois inquéritos.

Fundos e SPEs usados para ocultar patrimônio

A PF afirma que a Trustee aparece nos dois lados porque administrava fundos usados nas operações atribuídas ao núcleo de Mohamad e, ao mesmo tempo, executava demandas relacionadas ao Banco Master.

Segundo os investigadores, a engrenagem utilizava fundos de investimento, empresas e sociedades de propósito específico (SPE) para criar camadas entre os recursos e seus beneficiários finais.

No braço ligado ao setor de combustíveis, o objetivo seria ocultar o patrimônio de empresários investigados por ligação com o PCC e proteger os bens de fiscalizações e execuções tributárias.

No núcleo do Banco Master, as mensagens apontam para o uso da mesma estrutura em movimentações financeiras, ajustes contábeis e alterações no valor de fundos e ativos.

A Justiça Federal autorizou o compartilhamento das provas encontradas na Operação Quasar com o inquérito sobre o Banco Master.

A Trustee teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 3 de setembro deste ano. A instituição tinha histórico de ligação com Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, e prestava serviços à instituição.

Ao decretar a liquidação da Trustee e da Banvox, também ligada a Quadrado, o Banco Central afirmou ter identificado graves violações às normas que regem o funcionamento das instituições financeiras.

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