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Justiça condena Meta a indenizar Miss SP em R$ 50 mil por não remover ataques racistas no Instagram
Publicado 22/08/2026 • 14:45 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 22/08/2026 • 14:45 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Reprodução redes sociais
A Meta, dona do Instagram, foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 50 mil à modelo Milla Vieira, eleita Miss Universe São Paulo em 2024, por não ter retirado integralmente comentários racistas publicados contra ela na rede social após a divulgação do resultado do concurso.
Milla, que é negra, passou a ser alvo de ataques após a vitória. Parte dos comentários atribuía sua conquista, de forma pejorativa, a uma suposta cota racial e questionava sua beleza.
Procurada pelo Estadão, a Meta informou que não irá comentar a decisão.
A sentença foi proferida em ação movida pela modelo, que pediu a retirada das mensagens agressivas e de cunho racista publicadas no Instagram após sua vitória. Segundo o advogado Eduardo Lemos Barbosa, que representa Milla no processo, mesmo depois de uma decisão liminar determinando a exclusão dos conteúdos, o Instagram manteve parte dos comentários.
De acordo com o advogado, a Meta alegou insuficiência de informações para identificar alguns dos autores das ofensas, que, inclusive, seriam menores de idade.
“Minha cliente venceu o concurso e ela foi agredida e ofendida na internet com ofensas de cunho racista, por isso acionamos judicialmente a Meta. O juiz deu prazo de cinco dias para a plataforma excluir, e eles retiraram uma parte mas não todos os comentários. Chamamos a atenção do juiz para o descumprimento e ele determinou o pagamento da multa que estava prevista na decisão”, afirmou.
A ação tramita na 2ª Vara Cível de São Paulo, no Foro Regional do Tatuapé. A Meta ainda pode recorrer da decisão.
Milla, que atualmente está no Canadá, afirmou que a decisão foi tomada após cerca de dois anos de processo. Segundo ela, os ataques causaram momentos difíceis.
“Fui muito humilhada, tentaram desmerecer minha conquista, mas não me calei. Após dois anos, talvez um pouco mais, conseguimos uma vitória”, disse.
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Siga o Times | CNBCA modelo afirmou esperar que o caso incentive outras pessoas vítimas de ataques semelhantes a denunciarem as agressões.
“Eu sofri todos aqueles ataques maldosos, racistas, ataques de ódio na internet. Mas muita gente está aqui porque eu abri a boca, fui na mídia, fui em todo lugar, e vencemos. Essa não é uma vitória só minha, é de todas as pessoas que foram atacadas e perseguidas por meio de uma tela e não puderam se defender”, afirmou.
Milla Vieira representou São Bernardo do Campo no Miss Universe São Paulo de 2024. O concurso foi realizado na capital paulista e reuniu inicialmente 32 candidatas.
A modelo chegou à final ao lado de outras quatro participantes e foi escolhida como vencedora. A candidata de São Caetano do Sul, Marjorie Rossi, ficou em segundo lugar.
Os ataques começaram ainda durante a coroação. Ao anunciar a conquista do título no Instagram, Milla passou a receber mensagens agressivas que questionavam sua aparência e insinuavam que a vitória teria sido definida por meio de cotas raciais.
Na época, os organizadores do Miss Universe São Paulo repudiaram as mensagens e manifestaram solidariedade à modelo. Em comunicado oficial, classificaram os ataques como “atrocidades” e afirmaram que Milla havia sido eleita por mérito.
“Estamos profundamente chocados e entristecidos com os ataques racistas direcionados à nossa Miss. Milla foi eleita por mérito, seguindo os padrões rigorosos do concurso, e sua vitória é inquestionável”, publicaram os organizadores.
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