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Eleições e saída de estrangeiros devem manter Ibovespa instável
Publicado 22/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A recuperação recente do Ibovespa não representa uma mudança estrutural de tendência, e as eleições devem ampliar a instabilidade do mercado nos próximos meses, segundo Luccas Saqueto, economista da GO Associados. Em entrevista nesta sexta-feira (21) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que pesquisas eleitorais, fluxo de investidores estrangeiros e o comportamento dos juros americanos estarão entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
Após uma sequência de 11 pregões negativos, a Bolsa apresentou recuperação nas últimas sessões, mas Saqueto considera o movimento predominantemente conjuntural. “Eu diria que dá para a gente olhar para a Bolsa no Brasil e não pensar nisso como uma mudança estrutural. Eu acho que são questões mais conjunturais”, afirmou.
Com a campanha eleitoral ganhando força, pesquisas, debates e movimentações dos candidatos devem aumentar a sensibilidade dos ativos domésticos. “O mercado olha e precifica com bastante atenção como se comportam os candidatos”, explicou Saqueto, acrescentando que a expectativa em torno de uma nova pesquisa eleitoral ajudou a dar “um certo ânimo ao mercado”.
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O ambiente externo também colaborou para a recuperação recente. Segundo o economista, a melhora nos juros dos títulos longos dos Estados Unidos aumentou o apetite por risco e favoreceu a Bolsa brasileira. Ainda assim, ele ponderou: “A gente vai ver muita instabilidade. Acho que as eleições estão de fato começando agora”.
Outro sinal de cautela está no comportamento dos investidores internacionais. Saqueto chamou atenção para uma saída relevante de capital estrangeiro em agosto, movimento que relacionou à aversão ao risco e às incertezas eleitorais.
A importância desse fluxo é ampliada pelo tamanho do mercado brasileiro em comparação ao americano. “A Bolsa brasileira, em volume de investimentos, se a gente compara com os Estados Unidos, por exemplo, é muito menor, tem uma sensibilidade grande a esse tipo de investimento estrangeiro”, explicou. Assim, entrada de recursos tende a impulsionar o Ibovespa, enquanto a saída de estrangeiros pode ampliar as quedas e oscilações.
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A recompra de títulos promovida pelo Tesouro dos Estados Unidos não interfere diretamente nas decisões do Federal Reserve, na avaliação de Saqueto. O efeito, porém, pode aparecer indiretamente caso a operação altere as condições da economia americana.
“Vamos supor que, por exemplo, essa recompra de títulos melhore um pouco o ambiente de negócios nos Estados Unidos, ajude a aumentar um pouco o investimento, e isso pode ter um impacto na economia, na inflação e pode deixar o Fed um pouco mais cauteloso com relação à taxa de juros”, explicou. Nesse cenário, tanto um ciclo de cortes quanto uma eventual alta dos juros poderiam ser afetados.
Para o economista, o ponto central continua sendo o duplo mandato do Fed, voltado à inflação e ao nível de emprego. “Eu acho que nesse caso a gente pode ter um reflexo. Mas aí é uma, vamos dizer, intervenção indireta na decisão do Fed, não diretamente”, ressaltou.
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O petróleo também permanece entre os principais riscos acompanhados pelo mercado. Os contratos futuros avançaram pela sexta sessão consecutiva, com o Brent para outubro a US$ 94,39 (R$ 486,11) por barril, alta de 0,65%, enquanto o WTI para o mesmo mês subiu 0,26%, para US$ 87,06 (R$ 448,36). Na semana, as altas chegaram a 6,52% e 6,86%, respectivamente.
Saqueto afirmou que a preocupação aumenta quando a valorização é provocada por instabilidade geopolítica. “A gente sabe das idas e vindas, do anúncio de algum acordo, de algum possível acordo, de alguma trégua, mas no outro dia isso muda”, disse, ao destacar a ausência de uma perspectiva definitiva de solução para as tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
O impacto pode chegar diretamente à política monetária. “O aumento no preço do petróleo tem um impacto direto no preço dos combustíveis”, afirmou. Segundo Saqueto, uma inflação maior pode afetar decisões de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
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“Qualquer escalada no conflito pode acabar prejudicando a economia como um todo”, alertou o economista, lembrando que expectativas anteriores de trégua e de um possível acordo não foram suficientes para encerrar as incertezas.
Saqueto também chamou atenção para a elevação dos rendimentos dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos, considerados uma referência de segurança para os mercados globais. Se o prêmio exigido para esses papéis aumenta, o movimento pode sinalizar uma percepção maior de risco em outros ativos.
“Quando o prêmio para esse ativo sobe, ou seja, o risco aumenta, eu entendo que aumente o risco para todos os outros ativos da economia mundial”, explicou. Para ele, o movimento não significa necessariamente a aproximação de uma crise semelhante à de 2007, mas “acende um sinal de alerta”.
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Na avaliação de Saqueto, a incerteza da política externa americana também acaba incorporada ao preço desses títulos. “Eu acho que tem uma correlação direta no crescimento da incerteza, numa política mais incerta, uma política externa mais incerta dos Estados Unidos, esse aumento do risco e, consequentemente, a elevação da remuneração que os investidores cobram para comprar esses títulos”, afirmou.
A recompra de títulos pode produzir algum efeito, mas não resolveria sozinha o problema. “Se a gente não vir diluídas essas incertezas, uma política menos errática do governo dos Estados Unidos, eu tendo a acreditar que isso vai ser insuficiente para conseguir manter os títulos em um patamar de menos de 5%, por exemplo”, concluiu Saqueto.
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