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Antonio Claret revisita legado de JK e questiona modelo desenvolvimentista do ex-presidente

Publicado 11/08/2026 • 17:23 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Obra analisa o crescimento registrado no governo JK e contrapõe avanços econômicos aos efeitos fiscais e inflacionários do período.
  • Autores discutem o papel do Estado como indutor da economia e questionam decisões que privilegiaram rodovias em detrimento das ferrovias.
  • Debate sobre desenvolvimentismo permanece atual diante das discussões sobre impostos, ambiente de negócios e participação estatal na economia.

O crescimento acelerado durante o governo de Juscelino Kubitschek trouxe avanços para a economia brasileira, mas deixou custos fiscais e inflacionários que precisam ser considerados na avaliação de seu legado, afirma Antonio Claret, advogado e vice-presidente do BDMG.

Em entrevista nesta terça-feira (11) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Claret falou sobre o livro “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, escrito em parceria com Lucas Berlanza, presidente do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. A obra propõe uma leitura crítica do modelo econômico adotado durante a trajetória política de JK.

Para o autor, a imagem positiva construída em torno do ex-presidente acabou deixando em segundo plano os efeitos econômicos provocados pela estratégia de crescimento acelerado. O livro aborda não apenas a Presidência da República, mas também as passagens de Kubitschek pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo governo de Minas Gerais, além de dedicar um capítulo à construção de Brasília.

Custos do crescimento entram no debate

Claret reconhece que o Brasil avançou em áreas como indústria e infraestrutura durante o período, mas sustenta que os resultados precisam ser analisados juntamente com a expansão dos gastos públicos, da inflação e da carga tributária.

“A gente sabe que o Brasil avançou muito nos cinco anos, nos ’50 anos em 5′, mas a conta certamente foi maior do que de 50 anos”, afirmou.

Na avaliação do autor, seria possível buscar crescimento econômico com participação menor do Estado e maior espaço para a iniciativa privada. Como contraponto ao modelo brasileiro, ele citou experiências internacionais que, segundo sua interpretação, permitiram maior liberdade de atuação do setor privado.

Claret também apontou a opção pela expansão das rodovias durante o governo JK como exemplo das consequências de o poder público determinar prioridades para o desenvolvimento.

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“Juscelino atrapalhou isso. Lá atrás, ele que parou com as ferrovias e falou: ‘Não, o futuro é a rodovia'”, afirmou. Para o autor, uma participação maior do mercado poderia ter produzido uma configuração diferente para a infraestrutura brasileira.

Debate sobre papel do Estado continua atual

A discussão proposta pelo livro também busca estabelecer paralelos entre aquele período e a economia brasileira atual. Para Claret, o país ainda preserva características de um modelo no qual o Estado exerce forte influência sobre os caminhos do desenvolvimento econômico.

O autor relaciona essa presença estatal às discussões contemporâneas sobre tributação, regras para empresas e ambiente de negócios, embora reconheça que as condições econômicas e institucionais sejam diferentes das encontradas durante o governo JK.

“Quando a gente faz um paralelo com hoje em dia, o Brasil ainda vive um desenvolvimentismo. A gente ainda tem um Estado indutor de desenvolvimento”, afirmou.

Claret argumenta que impostos elevados e um ambiente regulatório complexo aumentam os custos enfrentados pelos empreendedores brasileiros. Em sua avaliação, essas características fazem parte de uma discussão histórica sobre qual deve ser a dimensão da participação do poder público na economia.

A proposta de “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, segundo o autor, é justamente apresentar uma perspectiva diferente da visão predominantemente positiva sobre o ex-presidente, contrapondo os avanços econômicos do período aos custos associados às escolhas adotadas.

“Qual foi o custo desse mito, da criação desse mito?”, questionou Claret ao explicar a abordagem da obra.

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