CNBC

CNBCAtaque à Binance coloca custódia no centro dos investimentos em infraestrutura cripto

Notícias do Brasil

Mercado de carbono vai redefinir competitividade das empresas brasileiras, diz Érica Perin, sócia da EY Brasil

Publicado 03/11/2026 • 18:34 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Sócia da EY Brasil afirma que empresas terão de integrar sustentabilidade às áreas financeira, tributária e jurídica.
  • Primeiros setores entram na fase de inventários e governança de emissões a partir de 2027, segundo a executiva.
  • Regras europeias podem favorecer produtos brasileiros de menor pegada de carbono, desde que empresas comprovem essa vantagem.

O avanço do mercado regulado de carbono no Brasil deve transformar a agenda de sustentabilidade em um fator direto de competitividade para empresas, com efeitos sobre custos, financiamento, tributação e comércio internacional. É o que afirmou Érica Perin, sócia e líder de impostos diretos da EY Brasil e líder de Tax Sustainability para a EY América Latina, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo a executiva, o mercado regulado começa a exigir que companhias preparem inventários de emissões, estruturas de governança e mecanismos de controle capazes de medir o impacto do carbono sobre seus negócios.

“No final do dia, a gente vai precificar o carbono, precificar as emissões”, afirmou.

Perin destacou que a implementação será gradual. De acordo com ela, uma regulamentação publicada em outubro estabeleceu etapas para a entrada dos diferentes setores no sistema.

Primeiros setores entram em 2027

Segundo a executiva, empresas de papel e celulose, ferro e aço, cimento, alumínio, mineração e exploração e produção de petróleo e gás estarão entre as primeiras a avançar na nova fase de adequação, a partir de 2027.

Essas companhias terão de preparar inventários de emissões, estabelecer processos de governança e avaliar os impactos do cumprimento das novas regras sobre suas operações.

“Já tem que fazer os seus inventários das emissões, tem que colocar a governança de como vão ser as emissões e, inclusive, verificar qual vai ser o impacto desse compliance nos seus negócios”, afirmou.

Em etapas posteriores, outros segmentos, como setor elétrico, alimentos e bebidas, indústria química e transportes, também deverão ser incorporados.

Para Perin, a preparação não pode ficar restrita às áreas de sustentabilidade.

“Não é só área de sustentabilidade. É a área financeira, porque isso vai impactar o caixa, é a área jurídica, tributária. Vai ter inúmeras discussões”, disse.

Europa aumenta pressão sobre exportadores

A executiva também destacou o impacto das regras europeias sobre empresas brasileiras que exportam produtos intensivos em carbono.

Segundo Perin, o mecanismo europeu de ajuste de carbono exige que importadores apresentem informações sobre as emissões associadas à produção de determinados bens, como aço, alumínio e fertilizantes.

“A Europa já vai exigir que você comprove o quanto de emissões você teve para produzir aquele aço brasileiro”, afirmou.

Na avaliação da executiva, o Brasil pode transformar essa exigência em vantagem competitiva devido à participação elevada de fontes renováveis na matriz energética.

Ela citou o aço brasileiro como exemplo de produto que pode apresentar pegada de carbono menor do que a de concorrentes de outros países.

“A gente é mais competitivo. Só que a gente está num momento em que tem que trazer isso para a mesa”, afirmou.

Brasil precisa comprovar vantagem ambiental

Para Perin, possuir uma matriz energética mais limpa ou uma agricultura de menor emissão não será suficiente para assegurar vantagem comercial.

Empresas brasileiras terão de desenvolver métricas, controles e padrões capazes de comprovar essas características de forma comparável internacionalmente.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

É nesse contexto, segundo ela, que a taxonomia sustentável brasileira ganha importância.

A padronização pode ajudar empresas a demonstrar ao mercado internacional atributos ambientais de seus produtos e projetos.

“A gente tem muitos ativos no Brasil, por ter uma agricultura de baixo carbono, por ter uma matriz energética verde”, disse.

Para Perin, esse processo será cada vez mais relevante para determinar a competitividade dos produtos brasileiros.

“Buscar esses inventários, buscar controles de governança, principalmente para mostrar isso, vai ser o ponteiro da competitividade dos nossos produtos e serviços brasileiros”, afirmou.

Biocombustíveis podem abrir oportunidades

A executiva destacou ainda o potencial brasileiro na produção de combustíveis sustentáveis de aviação, conhecidos como SAF.

Segundo ela, a expansão das exigências ambientais no setor aéreo pode ampliar a demanda por biocombustíveis, área em que o Brasil possui vantagens competitivas.

“O que a gente tem aqui no Brasil, e que acho que é a joia que deve ser muito bem explorada, é a questão do biocombustível”, afirmou.

Na avaliação de Perin, o mercado brasileiro de carbono deve ser entendido não apenas como uma obrigação regulatória doméstica, mas como instrumento de inserção do país na economia global de baixo carbono.

“O mercado regulado não vai só impactar a questão local, mas principalmente está sendo desenvolvido por uma questão de competitividade mundial”, disse.

Reforma tributária também entra na agenda verde

Perin afirmou que a reforma tributária do consumo também terá impacto sobre a agenda de descarbonização.

Um dos principais instrumentos será o Imposto Seletivo, criado para incidir sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A executiva alertou, porém, que a calibragem do tributo será decisiva para evitar distorções.

“A forma de como vai ser implementado esse Imposto Seletivo é crucial”, afirmou.

Segundo ela, a reforma também preserva espaço para incentivos voltados à sustentabilidade, principalmente em investimentos relacionados a equipamentos, energia renovável e inovação tecnológica.

“A boa notícia é que, em termos de incentivos, os incentivos que vão remanescer estarão mais buscando a questão da sustentabilidade”, disse.

Para Perin, a combinação entre mercado de carbono, taxonomia sustentável, reforma tributária e exigências internacionais transforma a sustentabilidade em uma agenda cada vez mais ligada à estratégia financeira das empresas.

“É um momento em que os setores estão se juntando com o governo para demonstrar isso e trabalhar em cima disso”, afirmou.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil