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Mercado halal pode ajudar Brasil a diversificar exportações em meio ao tarifaço dos EUA

Publicado 12/08/2026 • 09:23 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • O mercado halal pode representar uma oportunidade para o Brasil diversificar suas exportações e reduzir a dependência de commodities, especialmente diante do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
  • A avaliação é de Bárbara Neves, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Positivo Curitiba (PR), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
  • Segundo a especialista, o Brasil já tem forte presença no mercado de produtos halal, principalmente em alimentos.

O mercado halal pode representar uma oportunidade para o Brasil diversificar suas exportações e reduzir a dependência de commodities, especialmente diante do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A avaliação é de Bárbara Neves, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Positivo Curitiba (PR), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo a especialista, o Brasil já tem forte presença no mercado de produtos halal, principalmente em alimentos, mas ainda há espaço para avançar em segmentos de maior valor agregado, como produtos industrializados, cosméticos e serviços ligados ao turismo.

A certificação halal atesta que um produto ou serviço segue as regras da religião islâmica. No caso dos alimentos, isso envolve critérios relacionados à produção, rastreabilidade e processamento, além de restrições a determinados ingredientes e à possibilidade de contato com produtos não permitidos.

Para Bárbara, o avanço na adaptação aos requisitos técnicos veio principalmente no setor de alimentos. O principal gargalo, porém, está em ampliar a compreensão sobre o potencial desse mercado e direcionar investimentos para atender à demanda.

“Eu acho que o grande desafio hoje é entender aonde essas empresas vão gastar os seus esforços, os seus investimentos para se adaptar diante do mercado, mas cada vez mais entender também as demandas culturais e oportunidades que esse próprio mercado oferece”, afirmou.

Além das commodities

Na avaliação da especialista, a presença brasileira ainda está concentrada em produtos de menor valor agregado. A diversificação poderia incluir segmentos como cosméticos, alimentos processados e outros produtos industrializados.

Ela citou como exemplo uma feira da Malásia realizada em São Paulo, que apresentou produtos como concentrado de proteína halal, com maior valor agregado do que matérias-primas e derivados básicos.

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O movimento, segundo Bárbara, exigiria não apenas investimentos das empresas, mas também políticas públicas voltadas à industrialização e à competitividade internacional. “É necessário, dentro das mudanças econômicas que o mundo vem passando, que o Brasil, enquanto um grande líder regional e também enquanto um grande ator do Sul Global, possa expandir a sua capacidade produtiva para além das commodities”, disse.

Leia também: ‘Empresas exportadoras devem ter cultura de reação rápida e aumentar diversificação de mercados’, diz consultor sobre tarifaço

Países árabes também podem ser fonte de investimentos

Além do potencial de consumo, Bárbara destaca a capacidade de investimento de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Malásia, Catar e Egito.

Na avaliação da especialista, esses mercados podem ser relevantes não apenas para a compra de produtos brasileiros, mas também para investimentos em infraestrutura. Esse ponto seria importante para ampliar a capacidade de exportação do país.

Ela também avalia que o atual cenário comercial com os Estados Unidos pode acelerar a busca por novos parceiros. “O tarifaço é o grande espaço para a gente trabalhar nessa diversificação”, afirmou.

Para a especialista, a expansão para o mercado halal depende, portanto, de uma combinação entre adaptação cultural, aumento da capacidade produtiva, agregação de valor e infraestrutura. A estratégia poderia ampliar a participação brasileira em mercados islâmicos e, ao mesmo tempo, diversificar os destinos das exportações do país.

Leia mais: Tarifaço: Brasil busca novos mercados para compensar perdas nas exportações

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