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Moraes alega “provável auxílio de órgão estrangeiro” em relatório da PF
Publicado 15/09/2026 • 07:05 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 15/09/2026 • 07:05 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que relatório da PF pode ter tido “provável auxílio de órgão estrangeiro”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) usado na apuração sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro teria sido produzido com “auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”. Segundo o ministro, isso indicaria uma tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.
Na manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes questiona a cadeia de custódia do material e afirma que os metadados indicam que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia. Para ele, isso indicaria que o documento não foi produzido integralmente dentro da Polícia Federal e teria sido “plantado” nos computadores da corporação.
Moraes também levanta a suspeita de que o afastamento do diretor-geral da PF teria impedido a apuração da suposta origem externa do documento. Ele afirma que a medida teria sido “comemorada por autoridades estrangeiras” e cita pressões internacionais contra o STF, incluindo a cassação de vistos e a aplicação da Lei Magnitski.
As alegações constam de um ofício de 44 páginas encaminhado por Moraes a Fachin no domingo (14) e tornado público na noite da última segunda-feira (15). O documento reúne 121 tópicos e foi apresentado na véspera da sessão extraordinária do Plenário marcada para esta terça-feira (15), às 10h, para analisar a Petição 16.662.
Leia também: STF ainda vai decidir se relatório apócrifo da PF sobre Moraes tem validade jurídica para investigação, diz professor
Moraes afirma que o relatório da PF não seria um laudo pericial, não teria analisado os dados brutos e apresentaria problemas que, segundo ele, impediriam a verificação da autenticidade e a auditoria do material.
O ministro sustenta que houve uma “quebra total da cadeia de custódia” e que o relatório não foi produzido integralmente na Polícia Federal. Como argumento, afirma que os metadados mostram que o documento foi aberto e finalizado no mesmo dia e diz que ele teria sido produzido em poucas horas.
🔎 O que é cadeia de custódia?
A cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos usados para registrar e preservar a trajetória de uma evidência, desde a coleta até sua análise e apresentação às autoridades. Moraes argumenta que, neste caso, teria sido possível a alteração, contaminação ou manipulação irregular dos vestígios.
A manifestação não identifica qual seria o suposto órgão estrangeiro. Moraes apresenta o auxílio externo como uma hipótese.
O ministro também relaciona a questão ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo Moraes, há suspeita de que a medida tenha sido adotada para impedir Rodrigues de verificar a suposta produção externa do documento.
Outro eixo da manifestação é a acusação de que a investigação teria sido direcionada pelo ministro André Mendonça com fins político-eleitorais.
Moraes afirma que houve uma tentativa de incriminá-lo e atingir também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para favorecer “determinado grupo político” nas eleições de outubro de 2026. O ministro não identifica, nesse trecho, qual seria esse grupo.
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Siga o Times | CNBCSegundo Moraes, o momento da divulgação do material faria parte dessa estratégia. Ele associa o vazamento do que chama de “dossiê” à semana anterior ao 7 de Setembro e sustenta que a divulgação teria como objetivo impulsionar comícios de um grupo político. Também cita um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais na véspera das manifestações.
A manifestação afirma ainda que Moraes e Alcolumbre teriam sido tratados como alvos por razões “pessoais e políticas”. Segundo o documento, houve tentativa de incluir os dois nas tratativas da colaboração premiada de Daniel Vorcaro.
Moraes cita relatórios de inteligência segundo os quais Mendonça teria demonstrado interesse no início de uma investigação formal contra ele e teria solicitado, mais de uma vez, que a equipe responsável apresentasse alguma provocação nesse sentido.
O documento também questiona a atuação de Mendonça nas negociações de colaboração premiada. Moraes cita o artigo 4º, parágrafo 6º, da Lei 12.850/2013, que proíbe a participação do juiz nas negociações para formalizar acordos, e afirma que relatórios da PF apontariam atuação do relator em tratativas relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes também critica o conteúdo do relatório da Polícia Federal. Segundo o ministro, o documento não teria encontrado indício de prática ilícita de sua parte e seria composto por “inúmeras ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas”, construídas a partir de fragmentos de mensagens escolhidos de forma subjetiva.
O ministro argumenta ainda que a investigação contra um integrante do STF não poderia ter sido determinada de ofício por Mendonça, sem provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal e sem autorização prévia do Plenário.
No início da manifestação, Moraes afirma que a investigação não apontou indícios de que ele tivesse conhecimento prévio da decisão de primeira instância que determinou a Operação Compliance, nem de que tivesse procurado alguma autoridade sobre o assunto ou vazado informações.
Moraes também sustenta que nunca praticou ato de ofício para favorecer o Banco Master ou Daniel Vorcaro e que jamais participou de processo envolvendo as partes. O ministro defende ainda que o Plenário acolha o pedido da PGR para declarar a nulidade do procedimento e extinguir a Petição 16.662.
Moraes atribui as acusações contra ele a uma tentativa de “vingança”. Ele afirma que não há indício de infração penal de sua parte e destaca que nunca julgou processo envolvendo o Banco Master ou Daniel Vorcaro.
Segundo o ministro, não há sentença, decisão ou ato de ofício de sua autoria relacionado ao banco ou ao banqueiro.
Moraes também relaciona o caso à sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, há uma tentativa de vingança por parte de aliados de pessoas condenadas pelo STF. O ministro sustenta ainda que a ofensiva contra a Corte seria uma continuidade, sob outra forma, do movimento que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023.
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