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Movimentação bilionária, stablecoins e contas no exterior: o fluxo que levou a PF até Nelson Wilians
Publicado 13/08/2026 • 13:27 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 13/08/2026 • 13:27 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Wilton Junior/Estadão
Um circuito financeiro que começava com depósitos de apostadores e passava por instituições de pagamento, empresas brasileiras e estrangeiras, operações de câmbio, ativos digitais e contas no exterior está no centro da Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal relacionadas à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar. Entre os alvos das buscas está o advogado Nelson Wilians, além de empresas ligadas à PixBet.
Segundo a Receita Federal, as investigações identificaram movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 2 bilhões entre 2022 e 2025. A Justiça também autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores e o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados.
Leia também: PF cumpre mandado contra o advogado Nelson Willians em investigação de fraudes bilionárias com apostas ilegais
A investigação identificou uma estrutura societária e financeira mantida no Brasil e no exterior. Segundo a Receita, ela teria sido utilizada para dar aparência de legalidade às operações e simular que as atividades eram conduzidas fora do país, embora a gestão operacional, administrativa e decisória ocorresse, em tese, no Brasil.
O fluxograma mostra que o dinheiro poderia percorrer diferentes caminhos antes de chegar aos chamados beneficiários finais da bet.

O circuito começava com depósitos e saques realizados pelos apostadores por meio de instituições de pagamento, que se comunicavam com o site da bet para processar as operações. A partir daí, os recursos poderiam seguir por diferentes rotas dentro e fora do país.
Uma delas envolvia pagamentos a fornecedores nacionais da casa de apostas. Outras passavam por operações de câmbio, ativos digitais e empresas vinculadas ao próprio grupo.
Uma das principais frentes investigadas envolve empresas constituídas fora do Brasil.
Segundo a Receita, essas companhias teriam sido utilizadas para justificar remessas internacionais de valores elevados, embora os elementos reunidos indiquem que não havia atividade econômica compatível com o volume de recursos movimentado.
Informações divulgadas por veículos que acompanham a investigação indicam ainda uma rota na qual recursos provenientes das apostas eram remetidos por empresas de compensação financeira a uma companhia sediada em Curaçao, no Caribe. A suspeita é de que essa empresa não tivesse atividade operacional compatível com os valores recebidos.
O fluxograma da Receita também detalha o uso de ativos digitais.
Em uma das rotas, fornecedores nacionais da bet compravam stablecoins, criptoativos desenvolvidos para manter valor atrelado a outro ativo, por meio de uma exchange brasileira. Em seguida, os ativos eram enviados para contas controladas no exterior.
Outra rota passava por uma corretora de câmbio e terminava em contas mantidas fora do Brasil, inclusive em paraísos fiscais.
A Receita afirma que o grupo teria combinado com empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, de câmbio, de ativos digitais e outras estruturas financeiras para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
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Siga o Times | CNBCO dinheiro também poderia seguir para empresas pertencentes ao grupo empresarial investigado.
O fluxograma indica que, a partir dessas companhias, recursos chegavam aos beneficiários finais inclusive através de pagamento de dividendos.
A investigação também encontrou possíveis indícios de omissão de rendimentos e de uso de estruturas empresariais destinadas a reduzir ou evitar irregularmente a tributação das atividades.
Outra parte do mecanismo investigado envolve o retorno de recursos que haviam sido enviados ao exterior.
Segundo informações da investigação divulgadas nesta quinta-feira, sócios requisitavam valores amparados pela emissão de notas fiscais em favor da empresa sediada em Curaçao. O dinheiro então retornava ao Brasil sob a justificativa de pagamento de serviços, movimentação analisada pelos investigadores como parte de um possível esquema de lavagem de dinheiro.
No fim das diferentes rotas, o fluxograma da Receita identifica os “reais beneficiários da bet”.
A partir deles, o fluxograma aponta dois destinos para os recursos: bens de luxo e o pagamento da outorga necessária à exploração regular das apostas.
A Folha de S.Paulo informou, com base na investigação, que recursos teriam retornado aos cofres da casa de apostas e sido utilizados tanto na aquisição de bens de luxo quanto no pagamento das outorgas de regularização.
Nelson Wilians foi um dos alvos de busca e apreensão nesta quinta-feira. Segundo apuração publicada anteriormente pelo Times Brasil, o advogado é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro do grupo.
Há uma relação profissional previamente conhecida entre Wilians e a PixBet. Em abril de 2025, o próprio Times Brasil informou que o advogado representou juridicamente a companhia em uma ação contra a suspensão de sua operação determinada pelo Ministério da Fazenda. O Times também registrou manifestação de Wilians como representante jurídico de empresas de apostas afetadas por decisão da Secretaria de Prêmios e Apostas.
A defesa do advogado nega envolvimento em irregularidades. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o escritório NWADV afirmou que sua relação com a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia. A defesa também sustenta que a atuação do escritório não pode ser confundida com as atividades empresariais de seus clientes.
A Operação Arena investiga uma estrutura que, segundo a Receita, já funcionava antes da consolidação da regulamentação das apostas de quota fixa no país. O órgão afirma haver indícios de mecanismos destinados a ocultar operações, receitas e beneficiários finais.
A Receita Federal passou a integrar a investigação em 2025, contribuindo com análises sobre fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.
Os elementos apreendidos durante a operação ainda serão analisados e poderão subsidiar novas ações fiscais, a eventual constituição de créditos tributários e o compartilhamento de informações com outros órgãos.
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