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“Não estaria aqui de tornozeleira”: Vorcaro nega influência política no caso Master
Publicado 30/01/2026 • 09:02 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 30/01/2026 • 09:02 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou ter recorrido a articulações políticas para viabilizar a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) e afirmou que, se tivesse recebido apoio desse tipo, “não estaria de tornozeleira eletrônica”.
A declaração foi dada durante depoimento à Polícia Federal, no fim de dezembro, em acareação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As gravações vieram a público após a retirada do sigilo e integram as investigações sobre suspeitas envolvendo a comercialização de carteiras de crédito entre os dois bancos.
Leia também: Quebra do Master pressiona FGC e leva Banco Central a discutir uso do compulsório
Ao ser questionado sobre possíveis articulações junto a autoridades, Vorcaro respondeu que não houve interferência externa no processo.
Segundo o empresário, a negociação com o BRB foi construída de forma técnica dentro do Banco Central e passou por auditorias independentes.
“Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada e não estaria aqui de tornozeleira”, afirmou no depoimento.
Ele acrescentou que a frustração com o desfecho do caso não seria apenas pessoal, mas do próprio sistema financeiro, argumentando que, até novembro, investidores vinham sendo pagos regularmente.
Leia também: Acareação do Banco Master: Daniel Vorcaro admite controle “macro”, mas nega crime em venda de R$ 12,2 bilhões ao BRB
Apesar da negativa sobre interferência política, a Polícia Federal identificou divergências relevantes entre as versões apresentadas por Vorcaro e pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
As contradições envolvem principalmente a origem das carteiras de crédito negociadas entre as instituições, o momento em que surgiram os alertas sobre problemas na documentação e a real situação de liquidez do Banco Master à época.
Vorcaro disse que o BRB foi informado de que os ativos haviam sido originados por terceiros. Costa, por sua vez, afirmou que acreditava se tratar de créditos criados pelo próprio Master.
Leia também: Ex-dirigente do BRB diz à PF que operações com o Master foram vistas como “oportunidade de mercado”
No depoimento, Vorcaro afirmou ainda que a fiscalização do Banco Central teria avaliado positivamente a operação e considerado a venda ao BRB benéfica ao sistema financeiro.
Ele classificou como uma “pena para o mercado brasileiro” o bloqueio do negócio e sustentou que a transação permitiria a expansão nacional do banco público.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do STF, e buscam esclarecer se houve irregularidades na formação e negociação das carteiras de crédito.
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