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Quebra do Master pressiona FGC e leva Banco Central a discutir uso do compulsório
Publicado 30/01/2026 • 08:22 | Atualizado há 1 uma semana
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Publicado 30/01/2026 • 08:22 | Atualizado há 1 uma semana
KEY POINTS
Divulgação / FGC
Os bancos brasileiros terão de enfrentar custos adicionais para recompor a liquidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação do Banco Master e do Will Bank, ambos ligados ao empresário Daniel Vorcaro. Estimativas da agência de classificação de risco Moody’s apontam que a conta total pode chegar a R$ 55 bilhões, valor que deve levar o fundo abaixo do nível mínimo de cobertura exigido.
Apesar do impacto relevante, a Moody’s afirma que, por ora, não vê risco sistêmico material para o sistema financeiro.
Diante da magnitude da fatura, instituições financeiras discutem com o Banco Central (BC) a possibilidade de direcionar parte dos depósitos compulsórios para recompor o caixa do FGC. O regulador estaria aberto à alternativa, embora ainda não haja decisão formal.
Segundo fontes do mercado, a medida poderia ajudar a mitigar o peso que recairá diretamente sobre os bancos. A expectativa é que uma solução seja desenhada até o fim de fevereiro.
Estratégia semelhante já foi adotada durante a crise financeira global de 2008, quando a redução do compulsório foi usada para reforçar o fundo garantidor sem provocar uma saída direta de recursos do caixa das instituições, evitando, assim, uma contração abrupta da oferta de crédito para empresas e famílias.
Leia também: Ex-dirigente do BRB diz à PF que operações com o Master foram vistas como “oportunidade de mercado”
O compulsório corresponde à parcela dos depósitos captados pelos bancos que deve permanecer retida no BC e funciona como um dos principais instrumentos para regular a liquidez da economia e auxiliar no controle da inflação.
Há recolhimentos obrigatórios sobre depósitos à vista, a prazo e poupança. No fim de 2024, dado público mais recente, o estoque total de compulsórios somava R$ 670,5 bilhões, sendo R$ 40,6 bilhões sobre recursos à vista, R$ 433,1 bilhões a prazo e R$ 196,8 bilhões sobre poupança.
Segundo as discussões em curso, a proposta não afetaria o direcionamento obrigatório de depósitos à vista para o crédito rural nem da poupança para o financiamento imobiliário.
Participam das conversas representantes da Febraban, ABBC, Acrefi, Zetta, além do próprio FGC e do Banco Central.
Leia também: Defesa do Master denuncia vazamentos enquanto Banco Central detalha intervenção e falta de liquidez
O FGC informou já ter pago R$ 32,5 bilhões a investidores do Banco Master, de um total estimado de R$ 40,6 bilhões em CDBs cobertos.
O fundo ainda terá de arcar com:
Somadas, essas obrigações formam a fatura de R$ 55 bilhões, que deve drenar parcela relevante da liquidez do fundo, calculada em cerca de R$ 122 bilhões antes do início dos pagamentos.
O FGC garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e é financiado por contribuições de aproximadamente 250 instituições financeiras, sem uso de recursos públicos.
A recomposição do caixa será rateada conforme o volume de depósitos de cada instituição. Por isso, os cinco maiores bancos do país, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, responderiam por cerca de 70% do total.
Uma das alternativas em estudo é que o FGC remunere os bancos com taxa equivalente à Selic pelos recursos antecipados. Para o fundo, a medida aceleraria a recomposição da liquidez; para as instituições, reduziria a pressão para parcelar contribuições extraordinárias.
A Moody’s calcula que a retirada de R$ 55 bilhões do sistema, com a Selic em torno de 15%, poderia gerar impacto anual superior a R$ 8 bilhões na receita líquida de juros dos bancos.
Além disso, a agência alerta para possível aumento da aversão ao risco em relação a instituições de médio porte nos próximos meses, ainda que a forte liquidez do mercado doméstico de capitais e a desaceleração esperada do crédito em 2026 possam ajudar a amortecer o choque.
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