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No Senado, Jaques Wagner defendeu venda da Ebal a Augusto Lima e chamou estatal de “excrescência”
Publicado 18/06/2026 • 18:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 18:35 | Atualizado há 1 hora
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Carlos Moura/Agência Senado
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu em plenário a venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e chamou a estatal baiana de “excrescência”.
A fala ocorreu em 13 de maio, durante sessão deliberativa no Senado. Nesta quinta-feira (18), Wagner e Augusto Lima foram alvos de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master, vínculos de Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no esquema.
A operação de privatização da Ebal incluiu o repasse do Credcesta a Augusto Lima. O produto funcionava como uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de servidores públicos e aposentados. Depois, foi levado ao Banco Master, onde se tornou um dos principais ativos da instituição.
No discurso, Wagner afirmou que a Bahia mantinha uma rede estatal de supermercados deficitária e disse que a privatização foi uma forma de encerrar prejuízos.
“Nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal”, afirmou o senador.
Segundo Wagner, a Ebal tinha 250 lojas, três centros de distribuição de alimentos e prejuízo anual da ordem de R$ 80 milhões.
“Imagine, eu que sou de esquerda recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$ 80 milhões por ano”, disse. “Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio.”
As declarações foram dadas em um discurso no qual Wagner buscava rebater um vídeo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava associar a origem do escândalo do Master à Bahia. No vídeo, Flávio citava Wagner e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa.
Leia também: PF vê atuação de Jaques Wagner, líder do governo no Senado, em três frentes a favor do Banco Master
Wagner também usou o discurso para argumentar que a origem do caso ocorreu durante o governo Bolsonaro. Ele citou tentativas de Daniel Vorcaro de comprar o Master em 2017 e 2019 e afirmou que a operação só se concretizou durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.
“Entre 2021 e 2024, e eu insisto, sob a Presidência – do Banco Central – de Roberto Campos Neto, indicado pelo dr. Jair Messias Bolsonaro, o Banco Central manda 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, que não foram feitas; mas também o Banco Central, à época, não pediu, como foi feito agora, a liquidação do banco”, afirmou.
O senador disse ainda que, até o fim de 2024, o Master elevou de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões suas captações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a Presidência do sr. Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro”, declarou.
Wagner também mencionou uma medida provisória votada em 2022 que autorizou o cartão a entrar no mercado de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Leia também: Jaques Wagner nega ter recebido propina e diz que relação com Vorcaro é “praticamente zero”
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Seguir no GoogleAs falas ocorreram no mesmo dia em que o site Intercept Brasil publicou reportagem sobre mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo repasse de recursos para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
“Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele… E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do Intercept, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro”, disse Wagner.
Ao concluir, o líder do governo negou ter enriquecido por causa do mandato.
“Eu estou querendo concluir só para dizer, presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ”, afirmou.
“Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todas pessoas que têm um nível de vida bastante razoável – como eu tenho, nada a reclamar -, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de senador”, completou.
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