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Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga
Publicado 26/10/2026 • 18:22 | Atualizado há 24 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 18:22 | Atualizado há 24 minutos
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O quarto governo de Lula (PT) terá de promover um ajuste fiscal significativo para evitar uma deterioração das contas públicas em 2027, avaliou Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
“Se a quarta administração Lula, continuar a se basear naquela tese de que gasto é vida, nós obviamente vamos ter problemas sérios em 2027”, afirmou.
Segundo Braga, o esforço necessário pode chegar a 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando a trajetória da dívida pública e a necessidade de transformar o atual déficit em superávit.
“Não estamos falando aqui de pouca coisa”, disse. “Isso não dá como se iludir, terá custos para a sociedade, criará pressões políticas.”
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Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
A entrevista ocorreu em um pregão marcado por forte aversão aos ativos brasileiros. O Ibovespa acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) e chegou a cair mais de 17% no pior momento do dia, em uma reversão do movimento de valorização registrado durante a campanha.
Para Braga, parte do movimento reflete a reversão das apostas feitas após o primeiro turno, quando investidores passaram a precificar maior possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.
Agora, segundo ele, a atenção se desloca para as primeiras sinalizações do novo governo.
A principal delas, na avaliação do professor, será a disposição de promover um ajuste nas contas públicas.
“A realidade que nós temos para 2027 é algo que todo mundo sabia que, independentemente de quem ganhasse as eleições, teria que enfrentar uma situação de ajuste fiscal bastante significativa”, afirmou.
Braga ressaltou que o mesmo problema estaria colocado caso Flávio tivesse vencido.
O economista afirmou que o Brasil se aproxima de uma situação de dominância fiscal, cenário em que o desequilíbrio das contas públicas limita a capacidade da política monetária de controlar a inflação.
Segundo Braga, juros elevados passam a alimentar ainda mais o crescimento da dívida.
“Cada um ponto percentual adicional na Selic significa R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões para o carregamento da dívida”, afirmou.
“Estamos chegando nessa encruzilhada, a menos que haja um esforço significativo de austeridade fiscal.”
Para ele, adiar o ajuste tende a elevar o custo do próprio processo.
“A tendência é tentar empurrar isso com a barriga. Mas, à medida que você empurra isso com a barriga, nós vamos ver o aumento ainda maior da dívida por causa do tamanho dos juros”, disse.
Braga também fez uma crítica ao funcionamento do atual arcabouço fiscal. Segundo ele, a regra nasceu com uma lógica para limitar a expansão das despesas, mas perdeu força à medida que determinados gastos ficaram fora dos limites originalmente previstos.
“O arcabouço fiscal virou uma peça de ficção”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCPara o professor, estabilizar a dívida exigirá enfrentar despesas estruturais, e não apenas buscar novas fontes de receita.
Ele citou como temas que precisarão entrar na discussão uma nova reforma da Previdência, as regras de reajuste do salário mínimo e despesas obrigatórias vinculadas a saúde e educação.
“A menos que a gente discuta com franqueza por que é preciso mudar isso, nós não vamos ter a capacidade de estabilizar essa relação”, afirmou.
Braga acrescentou que, nas condições atuais, não vê perspectiva de recuperação rápida do grau de investimento pelo Brasil.
Perguntado sobre possíveis nomes para comandar a economia no novo mandato, Braga afirmou que figuras com credibilidade poderiam ajudar a reduzir a desconfiança inicial do mercado.
Ele citou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin como nomes que poderiam ser bem recebidos.
“Galípolo, pelo trabalho que ele vem fazendo no Banco Central, seria um nome bem recebido pelo mercado”, disse.
Sobre Alckmin, afirmou que é “uma pessoa bem respeitada pelo mercado”, em razão de sua trajetória e de posições consideradas moderadas na economia.
Braga ponderou, no entanto, que a escolha de nomes não será suficiente sem implementação de medidas.
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“Nomes que tenham credibilidade ajudam, mas é aquela história: visão sem implementação é alucinação”, afirmou.
Braga também avaliou que a taxa real de juros brasileira permanece em patamar elevado, mas disse que uma redução sustentável depende do controle das contas públicas e da inflação.
Segundo ele, o governo deverá continuar pressionando por juros menores, mas uma expansão do consumo financiada por crédito encontra limites diante do elevado endividamento das famílias.
“O modelo de crescimento nos últimos anos se esgotou, um modelo de crescimento baseado na expansão do consumo”, afirmou.
Para o professor, uma expansão adicional de crédito em um mercado de trabalho aquecido poderia aumentar a pressão inflacionária e criar nova tensão entre governo e Banco Central.
“O problema é que, se você não controla a inflação, nós vamos entrar num círculo extremamente negativo para a sociedade”, disse.
Na política externa, Braga defendeu que o novo governo preserve uma posição de equilíbrio entre China e Estados Unidos, sem alinhamento automático a nenhuma das duas potências.
Para ele, o peso da China no comércio brasileiro e dos Estados Unidos nos investimentos torna uma escolha ideológica entre os dois países prejudicial aos interesses econômicos nacionais.
“Comprar brigas, seja com os Estados Unidos, seja com a China, é obviamente entrar numa briga de elefantes com uma faca na mão”, afirmou.
Segundo Braga, o Brasil deve buscar diversificação comercial e manter a tradição diplomática de maior neutralidade entre as duas potências.
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