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Qual o futuro da direita depois da derrota de Flávio Bolsonaro?
Publicado 26/10/2026 • 16:39 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 16:39 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Raul Luciano/Estadão Conteúdo
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, neste domingo (25), abriu a disputa pelo espólio do bolsonarismo e pelo comando da direita no Brasil. Em 2030, Lula não poderá concorrer de novo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sai na frente como principal nome do campo conservador. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal, também é um nome forte e aparece como a alternativa dentro da família.
Lula teve 51,79% dos votos válidos, e Flávio, 48,21%. O senador tinha terminado o primeiro turno à frente e perdeu a disputa final por pouco mais de 4,4 milhões de votos. Os quase 60 milhões de votos que recebeu mostram que o antipetismo continua capaz de levar o eleitor às urnas. O PL também elegeu seis governadores e as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado.
Lideranças de partidos de direita e do Centrão avaliam que a derrota pode funcionar como um “freio de arrumação” e levar naturalmente a liderança da direita para Tarcísio.
Bolsonaro fora do jogo
A reeleição de Lula afasta a possibilidade de um indulto presidencial a Jair Bolsonaro. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado e está inelegível. O ex-presidente deve continuar preso e fora da linha de frente do próprio projeto político. A exceção seria uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de uma revisão criminal pedida pela defesa, que o colocasse em liberdade, algo considerado pouco provável.
Flávio, escolhido pelo pai para a disputa, sai enfraquecido. Em 1º de fevereiro de 2027, quando termina o mandato no Senado, ele ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos. O senador é investigado no STF no inquérito sobre o filme “Dark Horse”, produção que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Interlocutores do PL dizem que Flávio não terá condições de liderar a direita ao mesmo tempo que se defende das investigações.
O caminho de Tarcísio
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Siga o Times | CNBCTarcísio foi reeleito no primeiro turno, com 63% dos votos válidos, e terá mais quatro anos à frente do maior colégio eleitoral do país. Desde o lançamento da candidatura de Flávio, líderes do Centrão e grandes empresários o apontavam como o nome com as melhores credenciais para enfrentar Lula. No governo paulista, ele ampliou o diálogo com empresários e formou uma aliança com 12 partidos de direita e de centro.
Com a agenda de projetos a entregar nos próximos anos, como a universalização do saneamento básico e a ampliação do metrô em São Paulo, Tarcísio pode reforçar a imagem de “realizador”. Restam a ele três desafios: melhorar a comunicação, aumentar a projeção nacional e obter a bênção de Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro
Michelle foi a mais votada para o Senado no Distrito Federal, com 29,1% dos votos, e chega à Casa com mandato de oito anos e base eleitoral própria. Em junho, ela deixou a presidência do PL Mulher e, mesmo depois de fazer as pazes com Flávio, não se engajou na campanha do enteado. O nome dela volta a ser cotado para vice numa chapa liderada por Tarcísio.
Força no Congresso
Sem o Planalto, a direita concentra o poder no Legislativo. Na legislatura que começa em 2027, os partidos que apoiaram Flávio no segundo turno somam 286 deputados. A esquerda terá 124, e outros 103 estão em partidos neutros ou divididos, como MDB e PSD. No Senado, 50 dos 81 senadores apoiaram Flávio, um a mais que os 49 votos necessários para aprovar uma emenda à Constituição.
Lideranças do Centrão, no entanto, devem se reaproximar do governo Lula nas próximas semanas, de olho nas eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado no ano que vem.
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